Um dos vencedores da noite


Pedro Correia,

 

António Marinho Pinto — sem dinheiro, sem estrutura de apoio, sem máquina de campanha, quase sem cobertura jornalística, com uma sigla partidária ignorada até há dias por quase todos os portugueses — ultrapassa o Bloco de Esquerda, que dispôs de amplos holofotes mediáticos. É eleito eurodeputado, como aqui previ a 26 de Janeiro, e pode até ver o MPT eleger um segundo representante para o Parlamento Europeu.

Mais que nunca, este resultado comprova que o quadro político português está pronto a ser reorganizado. Só precisa mesmo de alguém com talento oratório e comprovada capacidade de mostrar alguma diferença para mobilizar um importante fragmento da legião de descontentes, fartos de promessas traídas e das palavras já gastas pelo uso.

Dir-se-á que isso é negativo por representar o triunfo do populismo. Muito mais negativo é haver quase dois terços de eleitores que não reconhecem mérito suficiente a 16 forças eleitorais para confiarem o voto a qualquer delas.

20 comentários em “Um dos vencedores da noite”

  1. Muito bem.
    Este sistema pseudo-democrático tem essa característica de fazer calar quem quer nos órgãos de comunicação social.
    Uma absoluta vergonha, que se diz democrática.
    Apesar disso, ao contrário do que pensei, Marinho Pinto conseguiu congregar mais que votos suficientes para ser eleito.
    Parabéns.

    A lógica dos círculos eleitorais para a legislativas tem destruído as alternativas.
    Pior que isso, não anula partidos moribundos que já deviam ter morrido.
    Pela existência de 16 partidos faz-se que só se considerem 4.
    O Partido da Terra não existe, mas sem essa estrutura moribunda, Marinho Pinto não teria tido oportunidade de concorrer. É todo o sistema político feito pelo PS e PSD para secarem alternativas que hoje foi também julgado.

    Se o partido nacional que ganha não passa 1 milhão de votos, de que forma é que pode falar de vitória?
    Só se quiser ignorar os outros 8 milhões.

    1. Os maus Parabéns Ao Dr. Marinho Pinto, por ter conseguido ser eleito.
      Muita sorte e felicidades.
      Paulo Ávila

  2. «em estrutura de apoio, sem máquina de campanha, quase sem cobertura jornalística,», sem tirar o mérito à eleição do senhor, se fizer um estudo sobre a quantidade de tempo de antena em horários de maiores audiências nos últimos meses e anos, verá que Marinho e Pinto será talvez o vencedor. Dirá que soube cativar os telespe(c)tadores, criai uma mensagem, arregimentar descontentes com o actual estado do país, mas daí a dizer que não teve cobertura mediática vai um mundo …

    1. O que o Pedro quis dizer, e penso ser óbvio, é que a partir do momento em que apareceu como candidato, deixou de ter esse tempo de antena.
      Certo, ou é muito difícil de aceitar?

      O que você diz é uma verdade de La Palisse, é óbvio que Marinho Pinto se tornou conhecido pelas suas opiniões políticas.

      Ao contrário do que aconteceu noutras ocasiões, o aparelho mediático tinha instruções para silenciar até coisas mais grotescas, como as iniciativas de José Manuel Coelho. Este ano, nem o mostraram…

      1. AMP foi escandalosamente silenciado por quase todos os órgãos de informação durante a campanha eleitoral. Quase ninguém foi capaz de antever que estaria ali um dos vencedores destas europeias. O que constitui uma derrota do jornalismo político, formatado para apostar sempre nos mesmos. E só nos mesmos.

  3. Certo, mas o sr ex-bastonário, no meio de 751 deputados, vai integrar-se em que grupo e fazer que escarcéu por lá? E irá cumprir honestamente o mandato?

  4. Não percebo como é que ainda consideram válido um acto eleitoral em que somente 34 por cento dos eleitores votaram. E como é que os principais partidos conseguem retirar desta votação grandes conclusões, quando o partido mais votado consegue pouco mais de 1 milhão de votos?

    1. Quem troca o acto de votar pela praia, pela esplanada, pelo sofá ou pelo centro comercial abdica de um dos deveres mais elementares da cidadania.
      A abstenção voluntária é um acto de profundo desprezo pela democracia.
      Qem assim se comporta não pode depois reclamar coisa nenhuma. Porque não há direitos sem deveres. E quem nem sequer este mais elementar dever cívico cumpre de quatro em quatro ou de cinco em cinco anos não tem legitimidade para reivindicar direito algum.
      Convém não esquecermos: houve quem morresse para podermos usufruir hoje do direito de voto. E ainda há hoje quem sofra torturas, penas de prisão arbitrárias e humilhações de toda a espécie para conseguir este direito nos regimes ditatoriais que persistem neste planeta.
      A liberdade é uma batalha de todos os dias: nunca está definitivamente conquistada.

      1. não fui passear nem fui ao centro comercial muito menos à praia !
        fiquei por casa com os meus, e qualquer dia ” esta ” casa será bem longe daqui …

        PS: não têm tido também enorme desprezo por nós ?

  5. Agora com este coimbrinha-azeiteiro é que na Europa vão perceber por que motivo Portugal é um buraco sem fundo. O atávico Eça já deve ter escrito sobre isto.

    1. Qual o problema de ir um coimbrinha para Bruxelas? Há quem preferisse que Portugal só lá estivesse representado pela chamada ‘elite’ lisboeta.
      Felizmente o País é bastante maior do que Lisboa.

      1. O problema é simples: são geneticamente corruptos e intelectualmente desonestos — e já não basta os emigrantes que nos envergonham lá fora, agora ainda temos mais este a mostrar a massa que por cá se amassa.

  6. Tenho de concordar com o último paragrafo. E o fato de este senhor, conseguir ser ouvido, mesmo sem meios para o fazer, diz exatamente isso: Não confiamos mais nas pessoas do sistema que conhecemos, e que deixaram até de se preocupar em esconder as mentiras e os embustes tal é a confiança que têm, que nada lhes acontece. Pessoas, novas como o Sr. Marinho Pinto, que ainda têm de mostrar o que valem, mas que pelos menos nos abrem a esperança de que afinal o jogo ainda não está perdido. As coisas não têm de ser assim, se calhar ainda pode existir um futuro diferente é o que o povo precisa, para ganhar alento.
    Já pararam para pensar que as pessoas comuns, também se chateiam e ás vezes pensam: Afinal para que me vou chatear para conseguir mais e melhor se no final, o que consigo acaba entregue aos meus gestores do costume e eu fico na mesma ou pior. O povo cansa-se.
    Afinal, elegemos representantes que pagamos, e que se limitam a exercer a presença(quando o fazem), porque afinal quem manda já lá está, e não esconde.
    Os nossos governantes, eu ainda não percebi se não sabem o que andam a fazer, ou pensam que nós não sabemos.

  7. Vi-o várias vezes na televisão em campanha. Quase sempre em Feiras. Para mim passou a ser o Toninho das Feiras.

    1. Eu de segunda a sexta-feira não o vi. Outros, que ficaram atrás dele em votos e mandatos, tiveram muito maior cobertura mediática.
      Estes resultados eleitorais – e a forma como a campanha foi coberta – também deviam fazer meditar os jornalistas. Que falam na necessidade de mudar o sistema e depois tudo fazem para perpetuá-lo, resistindo a toda a novidade.

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