Hoje levantei-me cedo. Fui à procura da cidade. Daquela que nos outros dias está escondida atrás de autocarros e automóveis, de sons fortes, de gente apressada. Também gosto dela assim. Mas hoje quis vê-la mais livre. E foi dessa forma que a encontrei. Com as esplanadas vazias, que os clientes preferiam o interior dos cafés para fugir ao frio que cortava, com as ruas que pareciam grandes, por nelas tão poucos carros circularem, com as pessoas encolhidas fugindo das sombras dos edifícios, comigo a procurá-la e a senti-la de muito poucos, sabendo que amanhã já será de muitos. Contrastando com o vento que soprava sem encontrar obstáculos pelas avenidas, a Lisboa de hoje era feita de um lento vagar. Eu deixei-me ir. E se sua cúmplice me senti foi porque amanhã, quando voltar, ambas saberemos que ela também pode ser assim, capaz de nos acolher, mesmo quando ela própria descansa.
Um domingo de Inverno na cidade
Ana Lima,

E então tê-la assim, quase em exclusivo, num dia de Inverno cheio de sol é uma delícia 😉
Sem dúvida, Teresa. 🙂