Um dia, tudo isto será China


Rui Rocha,

18 comentários em “Um dia, tudo isto será China”

  1. Vejo esse cenário como cada vez mais improvável. A China parece vir a ter muito futuro no curto/médio prazo, mas perderá muita dessa capacidade de crescimento no longo prazo. As razões para isso passarão pelo sobreaquecimento da economia (eu sei, tem vindo a ser previsto há uns tempos) ou pela redução do crescimento para a evitar; pelo envelhecimento de uma população excessivamente masculina; e pela falta de recursos naturais em abundância.

    Pessoalmente vejo o futuro da Índia como mais promissor: têm um país mais jovem, com um potencial fortemente inexplorado (há zonas do país que mal beneficiaram do boom) e, sendo democrático, com maior possibilidades de crescimento. Falta-lhe essencialmente melhorar as infraestruturas e remover as barreiras culturais (castas, por exemplo).

    Já o país que mais tenho visto com grande potencial é o Brasil. Depois de FHC e Lula, se Rousseff não estragar o trabalho, o país tem vindo a crescer a taxas elevadas sem arriscar em excesso o sobreaquecimento, tem uma população jovem e cujo potencial está apenas agora a ser desenvolvido e tem uma abundância extraordinária de matérias primas. Imagino sinceramente que venha daqui a uma década a dominar o mercado mundial tanto quanto a China actualmente. E de forma mais segura (devido a menor dependência de outros).

    Claro, posso estar errado. Até por isso começo já a contemplar aulinhas de mandarim.

    1. Sim, concordo em boa parte com a sua análise, João André. O post era irónico e provocatório. Em todo o caso, as aulas de mandarim são uma boa ideia.

      1. Nisso da língua é que não estou de acordo, Rui, a não ser a curto prazo. O mandarim é demasiadamente complexo e difícil para vir a ser uma língua universal. Além de que os chineses já estão a encher estádios de futebol com cidadãos sequiosos de aprender inglês, uma língua muitíssimo mais fácil.

        1. Também acho! Só não menosprezo o poder de um europeu que aprenda mandarim por causa do efeito culturalmente integrador, que o uso de uma 3ª língua comum (ainda por cima europeia) não garante. Por todo o lado, os chineses isolam-se, convivendo entre si e fazendo grupo à parte. Ainda há dias recebia notícias de um estagiário de advocacia em Inglaterra, num grande escritório internacional que tb tem sede em Lisboa: europeus, americanos em geral e até indianos e japoneses para um lado, todos convivendo entre si; chineses para o outro.
          Esta é a barreira mais difícil de transpor.

          1. Ah, aí dou-te toda a razão. Além de que o domínio de uma língua tão difícil como o mandarim é uma enorme mais-valia, pelo menos nos anos mais próximos.

          1. Eh, eh… Disseram-me que o primeiro é:
            “Rui?”.
            O segundo:
            “Ana…”
            O terceiro, aquela coisa que dá sorte no palco…
            (mas agora em japonês, porque o meu intérprete não sabia asneiras em mandarim. Persistências do dedo de Mao?)

        2. Saber mandarim pode não ser muito útil para uso como “língua franca”, mas o conhecimento da língua é extremamente valorizado em termos pessoais e profissionais. Quem a sabe ganha sempre enormes vantagens.

          1. Também estou convencida disso. O inglês pode ser um ‘esperanto’ do eixo Europa-América, e até de alguma Ásia, mas a China exige mais.

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