Um crime é sempre um crime


Pedro Correia,

Foto Dmitri Lovetsky/AP

 

Foi ontem cometido um bárbaro atentado no espaço aéreo da Ucrânia contra um Boeing 777 que assegurava o voo 17 da Malaysian Airlines. Com 298 pessoas a bordo.

Um acto repugnante, sem explicação cabal nem justificação possível. Cobarde e vil, sem atenuantes de qualquer espécie.

Uma violação das mais elementares regras civilizacionais que nos devia revoltar até às entranhas. Porque um crime é sempre um crime. Não há crimes de “esquerda” ou de “direita”, que mereçam a nossa tolerância ou a nossa benévola “compreensão” consoante o quadrante ideológico em que nos colocarmos.

Equacionar a questão de forma neutra é já ser cúmplice dos terroristas.

Verifico entretanto que nem o disparo de um míssil contra um avião civil que voava a dez mil metros de altitude assassinando passageiros inocentes (incluindo cerca de 80 crianças, que nunca terão ouvido pronunciar a palavra política) comove certas almas. Pelo contrário: alguns dos nossos leitores, confontados perante esta carnificina, discorrem tranquilamente sobre geoestratégia, política energética e a as “culpas” do Ocidente.

Como se levitassem no reino das abstracções. Como se ontem não tivesse acontecido nada.
Isto diz muito sobre os tempos actuais. E sobre as mentalidades do nosso tempo.

 

Leitura complementar: Inquérito internacional urgente sobre a queda de Boeing, do José Milhazes.

28 comentários em “Um crime é sempre um crime”

  1. Não me levará a mal, mas penso que a primeira levitação cabe ao autor do post, que também discorre sobre geoestratégia, nunca mencionando a palavra tragédia associada às 80 crianças que morreram. No fundo, e não defendendo autor e comentadores, que não conheço nenhum, estão todos alinhados (e que esta expressão não seja mal interpretada).

  2. Constata-se que o Pedro Correia, no seu post anterior, discorre sobre assuntos fúteis como os posts mais lidos da semana, em vez de arrepanhar as mãos e os cabelos por causa do terrível crime ontem cometido.
    Eu diria que sempre é menos fútil discorrer sobre geoestratégia ou o mercado do gás natural.

  3. Isto não faz sentido algum , e não sou dos coloca as a culpas no Ocidente, antes pelo contrário.
    Há guerra e um dos lados tem um sistema de mísseis que dispara contra um avião que está numa zona de guerra.
    O avião não deveria estar ali.

    1. A culpa, então, foi do avião?! Lamento, mas desta vez foi pouco original. Já li isso num blogue. Que se diz de esquerda. E noutro blogue, que se diz de direita, li que a culpa foi do corredor aéreo, que já devia ter sido fechado.
      Ainda havemos de chegar à conclusão que a culpa do morticínio foi das pessoas assassinadas, não dos assassinos.

      1. A maior foi de quem decidiu passar um avião por um teatro de guerra.
        Neste caso a Malaysian Airlines.

        Outros decidiram não o fazer:
        02.12 Australia’s Qantas Airways , Korea Air Lines Co Ltd and Asiana Airlines Inc have confirmed that they shifted flights operating over Ukrainian air space months ago amid increasing tensions between Kiev and pro-Moscow rebels.
        The Australian flag carrier said it shifted the flight path for its London to Dubai route over Ukraine some 400 nautical miles to the south “several months ago.”

        http://www.dailymail.co.uk/news/article-2696321/Why-MH17-flying-warzone-European-safety-watchdogs-warned-against-flying-Ukraine-April.html

        As pessoas só seriam assassinados se houvesse intenção de abater um avião civil.
        Tanto quanto se sabe isto não é um ataque terrorista, não é um Islâmico, a FPLP ou outro a quererem destruir com conhecimento e preparação um avião cheio de civis dentro.
        Aliás é curioso alguns extremos de indignação num contexto em que o Hamas está a enviar rockets sobre cidades indiscriminadamente.

  4. Este crime choca qualquer pessoa e, obviamente, terá amplas consequências políticas. Os americanos já estão a falar de ‘responsabilidade do lado rebelde’, mas com ‘ajuda externa’, numa referência a Moscovo.
    Os EUA vão endurecer a sua posição, o que até agora foi evitado pelo tom mais conciliatório da Alemanha que, ao contrário do que pensam muitos comentadores, tem feito em relação a Moscovo o papel do polícia bom.
    Se de alguma forma a Rússia estiver envolvida, a opinião pública russa ficará obviamente escandalizada. O povo russo é generoso e sentimental, não perdoará uma barbaridade destas.
    Quantos às ‘culpas do ocidente’, essa é uma interpretação que não resiste a cinco segundos de análise. A ideia está geralmente associada ao papão de um conflito entre Ocidente e Rússia, algo que ninguém deseja. Alguns comentadores continuam a acreditar que a Rússia tem condições para desafiar o ocidente, o que é uma pequena anedota: a Rússia tem três vezes o território da União Europeia e três vezes menos população; a sua economia é doze vezes menor do que a da UE; a despesa militar (proporcionalmente enorme) é inferior à soma da despesa militar da França e da Alemanha. A crise demográfica é de tal ordem, que não há recrutas suficientes para preencher as unidades militares no papel. Metade do orçamento russo vem da venda de gás natural e petróleo, pelo que a eventual ameaça de um embargo seria absurda. Enfim, o ocidente está de tal forma aterrorizado, que já comprou um cãozinho.
    O conflito ucraniano precisa de uma solução política que acomode os interesses dos russófonos, mas a guerra inventada pelo vizinho do lado é inaceitável. Já o era antes desta atrocidade. A destruição de um avião comercial repleto de pessoas sem qualquer relação com o conflito não foi apenas uma estupidez sem nome, vai certamente provocar uma onda de indignação internacional que, no mínimo, forçará Moscovo a mudar de atitude.

    1. Acho intolerável que vítimas civis e desarmadas de um conflito armado, seja ele qual for, acabem apontadas como “danos colaterais” de um conflito armado, seja ele também qual for. Não abro excepção a este princípio em caso algum. Esta barbaridade fez-me logo recordar uma idêntica, cometida em 1983, quando um avião civil da transportadora aérea sul-coreana foi abatido por um míssil soviético em tempos de Guerra Fria (se isto era Guerra Fria nem quero imaginar o que seria a suposta “guerra quente”).
      O embaraço de Moscovo na altura foi tão grande que os soviéticos levaram meses (anos?) a reconhecer a autoria desse crime.

  5. São danos colaterais caro Pedro Correia !

    Para mim a vida de uma pessoa é igual quer seja holandês, tailandês, iraquiano, ou palestiniano.

    Só quem quer tapar o sol com a peneira se recusa a ver as causas de tudo isto que residem no hedonismo e ganância predatória de (pretensamente) umas nações sobre outras.

    Quantos milhares de pessoas morreram no Iraque desde que foi invadido em 2003, quantos milhares de pessoas já morreram na Síria ou na Libia.

    Ou por ex. na guerra dos Balcãs aqui na Europa dita civilizada e progressista.

    O pragmatismo de que me acusa é similar ao seu quando se arroga de que não se pode sequer discutir pactos orçamentais ou que quem isso propõe não tem o mínimo contacto com a realidade e devem ser considerados como párias.

    É pena que muitos dos de cima tenham em pessoas como você e outros verdadeiras caixas de ressonância de ideias e formas de estar que estão a semear perigosos ventos em todo lado.

    1. “Quantos milhares de pessoas morreram no Iraque desde que foi invadido em 2003, quantos milhares de pessoas já morreram na Síria ou na Libia.”

      Mais de um milhão – e deles centenas de milhar de ex.portugueses – morreu por causa do guerras coloniais – como explicar a dissonância.
      Aí os ditadores já não eram bons?
      O Tarrafal era pior que as prisões Sírias de Mezzeh e Tadmor? E os 20000 Síros aniquilados em Hama e o Gaseamento dos Curdos por Saddam encontram equivalência em que barbaridade de Salazar?

      Ah o Marxismo Leninismo onde tudo e o seu contrário é válido. É bom lembrar até assassinar outros Marxistas Leninistas.
      Afinal Saddam aniquilou o PC Iraquiano…

      1. Caro luck , mais uma vez não entendo a natureza do seu comentário !

        Isto não tem a ver com esquerda/direita (binómio muito redutor da politica diga-se) ou com socialismo/fascismo (outro binómio redutor) tem a ver com o valor da vida humana seja em que latitude do mundo for, tem a ver com o facto de quem provoca e semeia ventos colhe tempestades e eu e muito de nós não estamos para continuar a pagar por erros para os quais não contribuímos.

        Aconselho-o a ler mais atentamente aquilo que escrevo, talvez se faça luz na sua cabeça………….

        1. Era precisamente aí que eu pretendia chegar. Um massacre de pessoas inocentes é algo chocante: não precisamos de saber se as vítimas eram de “esquerda” ou de “direita” para nos sentirmos chocados, indignados, ultrajados na nossa condição humana. Pior ainda é discutir política quando os cadáveres ainda mal arrefeceram, transformando os mortos em armas de arremesso ideológico. Como se a vida humana não tivesse o mínimo valor.

    1. Ao fim de tantos comentários, haja enfim um leitor que vem dizer aquilo que deve ser sublinhado em primeiro lugar por ter muito mais importância do que todos os considerandos de ordem política, energética ou geoestratégica: o repúdio categórico e sem reservas por este atentado.
      Os mortos merecem, no mínimo, isso da nossa parte. Não podemos nunca colocar no mesmo patamar vítimas e carrascos. Seja em que contexto for. Repito: não há crimes de esquerda nem de direita, nem de cima nem de baixo. Todos são crimes. Não podemos aceitar em silêncio, com um inócuo encolher de ombros, que o homem seja o lobo do homem.

      Grato pela errata: já corrigi.

  6. De acordo com o essencial. Um crime hediondo, mesmo que não tenha sido propositado. Um erro, uma confusão com um possível avião militar só demonstra leviandade, incompetência e desprezo pelas vidas humanas.
    Uma tristeza, quando a humanidade se deixa cair tão baixo.
    Só não percebo o que é que a esquerda e a direita têm que ver com isto. Para que isso fizesse sentido, teríamos que considerar o Putin, os russos e os pró-russos esquerdistas, o que é absurdo, e os ucranianos, mais os seus aliados europeus e americanos direitistas (o que já está mais perto da realidade).
    Já a propósito da recente invasão dos israelitas aos palestinianos me lembrei de quão caricatos são às vezes estes posicionamentos de esquerda/direita. Assim, é normalmente conotada com a esquerda a defesa dos árabes, enquanto a direita jura a pés juntos que os israelitas é que são bons. Entretanto, continua há décadas e sem fim à vista este… conflito.

    1. Subscrevo também o essencial do que expressa aqui. E recordo-me, a propósito, da célebre declaração de Camus, em 1957, quando eram cometidos atentados violentos na Argélia (cito de cor porque o que conta é a ideia): “Neste momento, em Argel, há bombas que fazem vítimas inocentes em carros eléctricos. A minha mãe pode ir num desses eléctricos. Dir-se-á que esses atentados são em nome da justiça. Se isto é justiça, porei sempre a minha mãe à frente da justiça.”
      A declaração originou enorme polémica na altura. Chamaram de tudo a Camus. Mas ele estava certo. Hoje, mais que nunca, isso é evidente.

  7. » Equacionar a questão de forma neutra é já ser cúmplice dos terroristas.

    Diria mais:
    – Não equacionar a questão de forma neutra, é alinhar pelo terrorismo.

    Apontar culpados antes de averiguar factos, é que seria obviamente uma atitude de encobrimento dos terroristas – sejam eles Estados ou Milícias.

    1. Repudiar vigorosamente este acto criminoso não deve ser prévio a qualquer apuramento da origem do míssil? Pois a questão que eu coloco é precisamente essa. E acho espantoso haver tanta gente nestas caixas de comentários que se considera muito civilizada mas encara a destruição de um avião civil, em rota pacífica, como uma espécie de pedra de dominó tombada no grande jogo da geoestratégia: li – se não me engano – até a expressão “dano colateral”, como se isto fosse uma partida de xadrez.
      Acho espantoso que o atentado – tenha a origem que tiver – não mereça uma palavra de condenação, uma palavra de lamento, uma palavra de humana comiseração pelas vítimas. Antes de qualquer considerando de ordem política. Como se, perante uma atrocidade tivéssemos de escolher sempre um lugar numa trincheira.

      1. Tem claramente razão, e é bom frisar isso – condenação da violência por si, para que a violência não seja uma forma justificável de agir.

        Convém adicionar que, não sendo neutro na condenação, convém ser neutro na assumpção de quem foram os perpetrantes.

        A palavra “terrorista” é demasiado conotada com os grupos armados não oficiais, e foram demasiadas as vezes que vimos estados oficiais a usar o terrorismo como modus operandi camuflado.

        Quase todos os movimentos independentistas ou revolucionários, começaram por ser encarados como “terroristas”. Quando não tiveram sucesso, ficaram apenas como “terroristas”. Quando sucedem, os terroristas passam a heróis da revolução.

        Os “pais fundadores” dos EUA, começaram por ser vistos como “terroristas” para os britânicos, tal como eram apelidados “terroristas” os movimentos do MPLA e FRELIMO, que foram depois poder. Os movimentos sionistas pró-Israel fizeram vários atentados, ao estilo Al-Qaeda, nos anos 40 – por exemplo, o King David Hotel. A Argélia começou a sua libertação do domínio francês com o Toussaint Rouge, etc…

        No Séc. XX generalizou-se o uso de vítimas civis com objectivos militares.
        O caso mais assumido foi o lançamento das bombas atómicas, que visaram puramente a aniquilação massiva de civis.
        Por outro lado, os EUA encaram esse acto como a violência necessária para acabar com a violência.

        Os regimes vencedores da 2ª Guerra Mundial, e com assento no Conselho de Segurança da ONU, têm um historial de violência inusitada, aplicada indiscriminadamente a militares e civis.
        Não há ali heranças de anjinhos… por muito que pintem os outros como diabos.

        1. Não chego para já a esses considerandos. Importa-me, num primeiro passo, o olhar desprovido de considerandos políticos perante vítimas da violência mais primária e mais chocante e mais gratuita. Elevámo-nos felizmente acima da condição do nosso antepassado mais remoto, o homem das cavernas, graças ao enorme passo civilizacional representado por esse olhar.
          Isto, para mim, é e será sempre um acto terrorista – tenha sido cometido por quem for.

          1. “Luto pelo luto”, é um ponto importante – lutar pelo direito e dever ao luto.
            Nojo é, por definição, ignorar o luto.

            Lutámos para que o luto fosse respeitado, porque só respeitamos os outros quando ao menos respeitamos a sua morte. Fora disso, a civilização é nojenta.

            Isso merece reflexão, em toda a morte. Porque é já habitual saltar o facto consumado, e passar trivialmente ao assunto seguinte, sem fazer o mínimo luto.

            Fez muito bem em levantar o compasso de espera do luto, e acusar quem o não faz. A palavra é nojo, e convém não nos esquecermos dela.

            Aceito bem qualquer chapada nesse sentido, até porque já a dei.
            Há uns tempos, quando uma certa figura ainda estava em câmara ardente, alguém quis antecipar-se à discussão da sua sucessão no cargo, e por muito objectiva que fosse a necessidade, fiz notar que o período de luto exigia que se tivesse nojo de não falar no assunto até ao enterro.

            A sociedade foi acelerando e esquecendo que o período de luto é sobre a morte em si, e não sobre as causas ou consequências dela. Fez bem lembrar.
            Ainda que nos venhamos a esquecer disso… é sempre importante haver alguém que o lembre.

      2. Não se enganou não caro Pedro Correia, são danos colaterais de uma guerra impulsionada pelos de sempre, algo evidente para quem tem dois dedos de testa e que denuncia mas que infelizmente você e muitos mais não têm a frontalidade de admitir.

        A expressão “danos colaterais” segundo você é pejorativa neste contexto mas em outros que referi já pode ser “tolerada” e a mesma não foi inventada por mim, nem usada como justificação, apenas aludi á mesma com o firme propósito de mostrar a hipocrisia reinante que todos os dias nos enterra mais um pouco a TODOS NÓS (embora só alguns reconheçam isso).

        A mesma hipocrisia que se vive e tolera aqui em Portugal e com a qual se alinha sem vacilar e que você e muitos mais usam indiscriminadamente para confundir as pessoas e iludi-las acerca dos problemas e as suas causas directas e indirectas.

        Ainda ontem estava a “ver” uma peça sobre o acidente na EuroNews e sabe o que discorreram lá : custos de combustível, taxas aeroportuárias , custos dos bilhetes, evolução dos mercados e custos dos seguros e você e outros vem para aqui “indignar-se” com pessoas como eu que fazem uma fria análise dos factos, conhecem as causas e prevêem as consequências.

        1. Certo, WW.
          Por isso é importante apontar e reconhecer erros.
          É um exercício que procuro sempre fazer nos dois sentidos.
          Sempre que aponto um erro, vejo de que forma ele é aplicável a mim próprio.

          Parece sempre mais natural apontar erros aos outros…

  8. concordo que é uma barbarie ao analizar a queda do avião trazer como tema principal o dar as culpas a A ou B, num extremar do vicio de “os bons e os maus”.
    Como sabemos bem uma cretinice em que até medias sérios alinham e achincalham os leitores distraidos. Dos exemplos de atitude esbirra que me chocou mais foi a atitude do sindicato dos ferroviarios que logo apos o descrrilamento da Corunha achou importante publicar uma nota veemente de solidariedade…como seu sindicalista!!!.

    1. O caso que menciona – e de que bem me recordo – é particularmente chocante. Pela insensibilidade, pela desumanidade, pela defesa acéfala de interesses corporativos acima de tudo o resto.
      Não devemos calar a nossa indignação perante o crime, venha de onde vier. Nem podemos permanecer indiferentes perante o crime, sob pena de nos transformamos em pequeninos carrascos de outros seres humanos. Nem é aceitável adoptarmos a atitude cínica de Estaline, que dizia que “a morte de um indivíduo é uma tragédia e a morte de um milhão de indivíduos é uma estatística”.

  9. Tristes de nós que nada valemos!
    Entramos num avião para: partirmos rumo ao pão nosso de cada dia.
    Rumo a umas ferias à anos planeadas, que surgem como um sonho realizado.
    Rumo a abraço que levamos tempos infinitos a imaginar…..
    E fazem-nos em pedaços que nem o céu tão perto nos amparou como escudo!
    Desenterrem os culpados, que se escondem nas trincheiras de uma guerra que o homem tem prazer de soltar dos jogos virtuais. Antes que aldeias e cidades desapareçam da face da terra.

    1. Entretanto, no momento em que escrevo, os cadáveres estão a apodrecer ao sol, sob temperaturas de 25 graus. É sempre possível acrescentar somar a infâmia ao ultraje.

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