Um conto de Natal.


Luís Menezes Leitão,

 

Esta mensagem de Natal de Pedro Passos Coelho constitui um disparate a todos os níveis. Ao afirmar que vai ter uma atitude construtiva e deixar governar aqueles que quiseram assumir essas responsabilidades, Passos Coelho afirma no fundo que o PSD vai ser a muleta do governo, reconhecendo a legitimidade de António Costa como Primeiro-Ministro. Fazer isso apenas um mês depois de ter sido derrubado pela esquerda do cargo de primeiro-ministro pode ser uma atitude muito cristã e típica da época natalícia, mas não é seguramente a que se espera de um líder partidário que foi remetido para a oposição depois de ter ganho as eleições legislativas. Especialmente quando se viu que a coligação de esquerda se desfaz ao mais pequeno sopro, sendo por isso absolutamente incapaz de aguentar uma tempestade.

 

De um líder partidário, que passou à oposição nestas condições, esperar-se-ia um combate frontal a este governo, prometendo para breve um novo governo que assegure melhores dias aos portugueses. Esta mensagem de Natal parece pelo contrário um acto de rendição de Passos Coelho ao governo de António Costa. É verdade que pelo cenário e pelo tom institucional faz lembrar as mensagens de Passos Coelho quando ainda era primeiro-ministro. Só que esse enquadramento parece estranho para quem é hoje líder da oposição, dando a imagem de que Passos Coelho desistiu totalmente do combate político nesta legislatura. 

 

Se o PSD continuar a fazer circular mensagens de Natal deste teor, o seu regresso ao governo será um conto de Natal.

7 comentários em “Um conto de Natal.”

  1. Fez o que devia ou vai dizer que António Costa está a governar sem legitimidade? Tem toda a legitimidade para governar pois foi assim que a Assembleia decidiu, mediante a votação dos cidadãos. Que combate político? Será que os portugueses não sabem de que é capaz Passos Coelho? Sabem e Passos Coelho sabe que não sabe nem soube fazer melhor por isso assume-o. Um conto de Natal fora do contexto é este post.

  2. Qual a dúvida António Costa não tem legitimidade. Concorreu com umas premissas e não cumpriu. É um governo legal mas não é legítimo.

    Quanto ao Passos não é de admirar.

    1. António Costa ainda agora lá chegou não sabemos se cumpre se não, mas tudo indica que sim e tem toda a legitimidade para governar. Ilegítimo foi o de Passos que sabia de como estava o país, sem tirar nem pôr porque assinou o memorando e ao assiná-lo, ficou a saber tudo e quando lá chegou, não só não fez nada do que disse, como disse ir além da troika.

      1. Depois do que se passou nos últimos dias antes do Natal, é preciso ter muita fé para acreditar neste 1º ministro e nesta maioria. Bastaram 30 dias de governo para a “maioria de esquerda para quatro anos” colapsar.
        A discussão da legitimidade deste governo é conversa de parvos. É óbvio que a partir do momento em que passou no Parlamento o governo passa a ter toda a legitimidade. Se tem apoio suficiente para governar, é outra conversa.
        O PSD, depois de ultrapassada a natural má disposição inicial, resolveu e bem, deixar o Costa juntar a lenha toda que o vai incinerar a ele e ao PS dos esquemas que regressou em força. É apenas uma questão de tempo.
        Costuma dizer-se que o ódio cega; este post é apenas um pequeno exemplo disso.

    2. Passos em 2011 fez uma campanha baseada na afirmação de que o governo de Sócrates exagerava na austeridade.

      Também não cumpriu e não foi por isso que se demitiu.

  3. O país não se ralou com a golpada e ele, Passos Coelho, percebeu isso. Na próxima vez que for a jogo vai estar em causa o desempenho do actual governo e não o método utilizado para o conquistar. O Costa no governo e esta decisão sobre o BANIF evidenciaram, mais depressa do que se esperava, a demagogia com que foi duramente atacado durante os quatro anos de PM; e permitiram-lhe, mais rapidamente ainda, apresentar-se como um político responsável, em claro contraste com os que lhe fizeram oposição. Quando quiser ser implacável com o governo vai ser mais difícil acusá-lo de ressabiado, revanchista, irresponsável, etc. Afinal, não foi essa a metodologia que aplicou ao Sócrates? Resta saber qual o impacto do caso BANIF na credibilidade dele.

  4. Para quem não aprecia o modo de fazer politica africano ou latino (tudo o que são eles é mau) e gosta mais do estilo dos países bem organizados, estilo não do sul, dou os parabens a posição de P.Coelho; tal como na justiça mostra que é doutra tempera.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *