Um chairman para o Novo Banco.


Luís Menezes Leitão,

Sempre que oiço falar em administradores não executivos, lembro-me do filme Wall Street, uma verdadeiro ícone da década de 1980, como marco do capitalismo triunfante desses tempos, em que não se pedia ajudas estatais em caso algum. Nesse filme Gordon Gekko, um tubarão da alta finança, tinha acabado de comprar parte de uma empresa e nessa qualidade dirige-se à assembleia geral de accionistas. Na assembleia o presidente do conselho de administração pede aos restantes accionistas que não sigam as posições do novo accionista. A resposta dele é demolidora: “O seu conselho de administração tem 33 vice-presidentes e a empresa deu 110 milhões de prejuízo no ano passado. Tenho a certeza que grande parte dos prejuízos podem ser eliminados, eliminando a troca de papéis entre os 33 vice-presidentes. Os accionistas são os donos da empresa e eles é que vão decidir“.

 

No caso do Novo Banco tivemos uma situação única a nível mundial com uma resolução decretada pelo Estado, tendo-se criado um “banco bom” com a ajuda de dinheiro emprestado ao Fundo de Resolução, que o Estado nos tentou convencer de que irá ser recuperado. Pois não só esse “banco bom” não pára de dar prejuízos, tendo até conseguido este ano que os mesmos subissem para mais de 362 milhões de euros, como agora descobriu a urgente necessidade de um “chairman”, ou seja de um presidente não executivo. 

 

Falar em administradores não executivos é estabelecer uma contradictio in terminis. O que faz falta aos nossos bancos são accionistas a sério, que elejam administradores a sério. Deixar o Estado entrar neste negócio, ainda mais distribuindo administradores não executivos por todo o lado, só serve para destruir o dinheiro dos contribuintes. E este faz muita falta noutros lugares.

0 comentários em “Um chairman para o Novo Banco.”

  1. Vejo com satisfação que , no universo SUCIAlista , o termo “tacho” continua vivo (“do” costa…) e de invejável saúde.
    A incompetência e a bandalheira, idem.

  2. Eu não sei o que é um administrador não executivo. Será um sujeito quer não faz nada e ganha muito?
    Será que eu (que não percebo nada de Bancos) poderia ser nomeado administrador não executivo (executivo, sei que não era capaz)? Se poderia, por que é que não me nomeiam?

  3. Para quem está realmente interessado em perceber coisas, trata-se apenas uma forma agradável -para os “the power that be”- de aumentarem a dívida nacional e, consequentemente, a estratégica dependência nacional.
    Quanto a dívida privada, eles mesmos, continuam imunes.

    “…As only the European Central Bank, an EU institution, can create euros, those countries so foolish as to accept the euro as their currency no longer have the power to create their own money in order to finance budget deficits.
    The countries that joined the euro must rely on private banks to finance their deficits. The result of this is that over-indebted countries can no longer pay their debts by creating money or expect their debts to be written down to levels that they can service. Instead, Greece, Portugal, Latvia, and Ireland were looted by the private banks….”.

    http://www.zerohedge.com/news/2016-07-31/europe-doomed-vassalage-washington

  4. Inteiramente de acordo – veja-se as nomeações previstas para a CGDepósitos.
    10 milhões de accionistas é o mesmo que nenhum, ou seja, ficamos à mercê da classe política.
    Estamos lixados.

  5. Lembro-me mais ou menos dos comentários que houve por aqui, aquando da solução original encontrada.
    Tantos foram os que disseram maravilhas, que nada tinha a ver com o BPN, que não iria ao bolso do contribuinte, etc.
    Esquecendo esse detalhe típico dos que falam por clubite ou simples inconsciência, e que nunca se precisam de retractar, “porque sim”… este problema acumulado revelou-se ainda bem pior do que as piores expectativas.

    Afinal, sejamos claros, não estamos ainda a falar de indemnizações resultantes da separação entre banco mau e banco bom. Essa enorme fatia ainda há-de ser resolvida em tribunal.

    Estamos apenas a falar do completo disparate, ou crime, que foi a ideia de injectar 4 mil milhões de euros num banco descredibilizado, chamando-lhe Novo Banco.

    As razões para investir quase um orçamento ministerial num Elefante Branco são desconhecidas, mas fariam mais sentido no “night club” lisboeta, que certamente proporcionaria divertimento de melhor qualidade à população.

    Mas não são assim tão desconhecidas, se pensarmos na clientela de chulos que era preciso manter viva. Porque afinal de contas, o BES era uma fonte de receitas para clientela seleccionada de prostituição desavergonhada, a céu aberto, que era vendida como a grande pujança da economia, e dos empresários nacionais.

    Agora a questão de ter administradores não executivos, é uma questão de ter mais ou menos prostitutas velhas na direcção do bordel.

    Continua a ser minha opinião que faz mais sentido investir no verdadeiro Elefante Branco, mas compreende-se perfeitamente que é difícil mudar de vida a tanta prostituta que depende do Novo Banco, tal como dependia do BES… e isso não corresponde apenas a empréstimos/oferendas à clientela, vai desde a publicidade à comunicação social, já que não foi por o banco ser um destroço velho que se parou de anunciá-lo como uma nova donzela cheia de charme.

    Portanto, o deboche parece ainda continuar alegremente, e os contribuintes vão ser chamados a pagar um fartote de fornicação, de que estiveram completamente arredados.

  6. Sinceramente, estou convencido que essa do administrador “não-executivo” é mais uma campanha de marketing que propriamente um cargo.
    Vejamos. A ruina no sistema bancário mundial revelou-nos que os administradores executivos executaram muito bem a tarefa. Hillary até afirmou: “The party is over”.

    Como tal, creio que para evitar sobressaltos à população, para imprimir credibilidade na gestão, e fazer acreditar que o barco navegará melhor sem capitão, surgiram os novos MBA’s não-executivos.
    Se bem reparou, esta função também é adoptada por instituições estrangeiras. E nós temos exemplos de vários excelentes não-executivos que dão cartas até mesmo lá por fora. Mas são produto nacional. Por todos saberem que eles não andam por lá, o negócio prospera.

    Estou em crer que pretendem evitar o que aconteceu ao país nos últimos anos, optando por não-executivos em toda a linha.

    Um dia destes vou candidatar-me a um fundo estrutural e delinearei no plano de negócios que nomearei para CEO, CFO, CIO, COO, CTO, CPO, CHRO, CCO, CLO, CKO e CMO não-executivos. Tenho a certeza que o organograma garantirá a aprovação do projecto. Sem esquecer de incluir que eu serei um administrador-delegado. Dá sempre bom aspecto um gajo fazer-se humildezinho. Depois, é só deixá-los não executar.

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