Para amansar o peso do decreto de Outono e a loucura que tomou os relógios, fui para a outra banda, encafeinar-me ao final da manhã.
Gosto deste mosteiro, 300 anos esquecido, que nos foi devolvido com um brio invulgar e que tem vida, energia, programação constante (e um belo auditório).
Um caso de gestão de património histórico que se segue a uma gigantesca obra de recuperação e que depois conseguiu ganhar outro desafio ainda mais difícil: ser gerido com alma por gente irrequieta e indiferente às profecias.
Da esplanada do bar-restaurante, para lá do espelho de água, ali está ele, teimosamente afundado numa cota inferior ao rio, finalmente enquadrado, gracioso e nosso.
Gosto de conversar aqui. Inspiram-me a gravidade das pedras e a sobriedade elegante do edifício românico ou, dizem, do gótico experimental.
E é como se nunca tivesse a certeza absoluta de que, de repente, uma horda de clarissas palradoras não invadisse o relvado em sentido a nós, directamente saídas do século XIII e com uma alegria de agora, ao contemplarem o exterior liberto da tirania das águas.
Vamos… isto ainda é do efeito-woody (pensei). Mesmo assim, é melhor não dizer o que me vai na cabeça, ainda meio ensonada, quando me perguntam porque é que eu hoje não estou ali. Estou, estou: aliás, nunca estive tanto.
Se elas – as freiras mendicantes – aterrassem, de facto, nos dias de hoje, encontrariam imenso que fazer à sua volta.


Café em Santa Clara, bela ideia, Laura.
Gostei da imagem da “horda de clarissas”. Quantas vezes na vida eu não disse “São rosas, senhor” sem fazer a mínima ideia do que me sairia do hábito.
E afinal a história era da tia húngara! (São Rosas é um nome de um pub não muito longe dali, vê lá tu a heresia…)
Um colega de um dos meus irmãos uma vez fingiu que estava a copiar só para chatear um professor que tinha a mania de gritar “Contrabando! Contrabando!” nessas ocasiões: sacou um ramo de rosas de debaixo da carteira e exclamou com ar extasiado “Milagre, Sôtor!”
Não sei o que me faz rir mais, Isabel: se a premeditação, se as rosas a sair da carteira ou se o grito de alerta “contrabando!” ;))
Obrigado, Laura, pela imagem de um local que eu adoro em Coimbra – a minha cidade – e do qual tenho tantas saudades, caramba!
Que bom, A.Luís, ainda bem. A foto não está boa, mas foi tirada de facto hoje, com o meu telemóvel: só vale por isso. Há bem melhor na net.