Um aniversário


escafandro,

A indústria da electrónica está cheia de guerras de formatos. No final da década de 70, o nascimento do CD pareceu ir dar origem a mais uma. Em 1974, com base num projecto ainda mais antigo, a Philips começara a desenvolver um disco de leitura óptica a que planeava chamar compact disc, para seguir a lógica de outra invenção sua, a compact cassette. Em 1976, a Sony anunciou um projecto similar. Após um período em que a guerra pareceu iminente, em 1980 as duas empresas chegaram a acordo, tendo-o anunciado num evento apadrinhado por Herbert Von Karajan. A presença do maestro tem alguma piada porque se conta que o diâmetro do CD está relacionado com a música clássica. A Sony, cujo projecto original previa um disco com 10 cm de diâmetro, menos 1,5 que o diâmetro proposto pela Philips, terá exigido que a Nona Sinfonia de Beethoven coubesse num único disco. Na altura, a gravação mais longa existente era de Furtwängler, em Bayreuth, 1951, pertencente ao catálogo da Polygram, então propriedade da Philips, a qual tinha 74 minutos, demasiado para o disco de 11,5 cm. Claro que esta é a versão benigna. Na versão menos romântica, a Sony insistiu na mudança porque a Philips já estava preparada para fabricar os discos de 11,5 cm enquanto a Sony ainda não tinha capacidade para produzir quaisquer discos. Isto é, a mudança só atrasava a Philips. Seja a verdade qual for, foi a Sony que acabou por ter a honra de apresentar o primeiro leitor de CDs. Aconteceu no Japão, no dia 1 de Outubro de 1982. Fez hoje trinta anos.

3 comentários em “Um aniversário”

  1. Esse limite de 74 minutos, inspirado por uma sinfonia de música clássica europeia, teve consequências funestas. Ainda hoje muitos concertos de música clássica hindustani são gravados com esse limite, que para essa música é frequentemente demasiadamente estreito – porque uma só raga pode, tocada ao vivo, demorar bem mais do que 74 minutos.

    1. Luís: é verdade mas convenhamos que teria de existir sempre um valor-limite. No projecto original da Philips, com os discos de 11,5 cm, só se previa cerca de uma hora de música. E os discos da Sony eram ainda mais pequenos. Sendo que nenhuma das empresas desejava aproximar demasiado o tamanho dos discos dos de vinil ou lá se ia o argumento de que eram compactos. Por outro lado, desconfio que em nenhuma das empresas se pensou na música hindustani – ou então acharam que não havia muito dinheiro a fazer com ela, pelo que não tinha grande importância…

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