
O novo filme de Woody Allen, Midnight in Paris, é absolutamente brilhante. Ao contrário dos outros realizadores americanos, Woody Allen é um apaixonado pela cultura europeia, pelo que não admira que tenha decidido começar a filmar em cidades europeias. O seu filme é todo ele uma homenagem a Paris, uma das mais extraordinárias cidades do mundo, a meu ver só suplantada precisamente pela sua Nova Iorque. Mas temos a surpresa de encontrar no filme uma citação constante dos grandes vultos da cultura americana, que como ele também passaram por Paris. Mas a grande demonstração do filme é que a magnífica cidade de Paris suplanta todas as obras. Como uma personagem diz no filme, não há obra humana, seja sinfonia, romance ou pintura, que consiga suplantar uma grande cidade.

Tal como a nossa Ana Vidal escreveu mais abaixo, não gostei do mercantilismo e desrespeito dele pela cultura da nossa capital aberta ao oceano: “Filmar em Lisboa? Por que não? Desde que me paguem…”
De resto, não tenho grande dúvida sobre a Paris que ele viu e gravou. Há-de ser um regresso e tanto.
Tenho ouvido dizer o mehor deste filme. Estou muito curiosa.
E não me desagrada nada a onda europeia de Woody, simplesmente porque ele não consegue fazer um filme banal. Sendo também que não é preciso mergulhar naqueles complicados enredos, meio psicóticos, que sempre lhe associamos, para fazer um grande filme. Se calhar, o difícil até será precindir desses ingredientes.
Também gostei do filme, Luís, embora não partilhe do “brilhante”, porque o achei completamente despretensioso. Essa frase é de facto notável, e verdadeira. Embora a história seja relativamente banal, e cheia (propositadamente?) de clichés, chama a atenção para um aspecto interessante: o facto de a pessoa tender sempre a sobrevalorizar o passado em detrimento do presente….
De um modo geral, achei o filme genuinamente agradável, o que, não sendo eu um cinéfilo, é para mim sempre uma grande vantagem numa “fita” (para usar precisamente linguagem do meio).