Um acto de cidadania


Pedro Correia,

A crise e o chamado “acordo ortográfico”, conjugadamente, relançaram o circuito de venda de livros usados. Há cada vez mais procura desses livros entre nós. Por isso, e também para sacar uns cobres fáceis, herdeiros vendem a peso bibliotecas inteiras de pais e avós. Invoco, a título de exemplo, um escritor de que gosto muito: Vergílio Ferreira. Ainda há pouco descobri uma primeira edição do romance-chave deste escritor, Aparição (com data de 1959) por apenas cinco euros. Quem vende ao desbarato nem faz ideia do que está a vender: só quer ter o dinheiro na mão, tão cedo quanto possível. E alguns alfarrabistas de circunstância que fazem essas compras por atacado também não: só querem revender os livros, quanto mais cedo melhor. Recusar ler na grafia analfabetizante adoptada nos últimos meses pela generalidade dos editores nacionais é um acto de cidadania. Não o sugiro a ninguém, não critico quem procede de maneira diferente, mas imponho-o a mim próprio.
Há milhares e milhares de livros disponíveis em ‘fundos de armazém’ que vêm agora à superfície nas livrarias, ao encontro de leitores como eu, que preferem a “antiga” ortografia e estão disponíveis para adquirir essas obras impressas numa escrita sem erros. Certas livrarias têm já secções específicas para livros destes, pensando precisamente nos portugueses que recusam o “acordo”.
Sinto-me bem acompanhado – por jornalistas, tradutores, professores. Por editores como Nelson de Matos, Manuel S. Fonseca, Guilherme Valente, Francisco Vale, Zita Seabra e Manuel Alberto Valente. E por alguns dos nossos melhores escritores, pensadores, ensaístas e críticos – António Lobo Antunes, Manuel Alegre, Óscar Lopes, Mário de Carvalho, Manuel António Pina, Vasco Graça Moura, Pedro Tamen, Nuno Júdice, Eduardo Lourenço, Alice Vieira, Mário Cláudio, Eugénio Lisboa, Manuel Gusmão, António Emiliano, Baptista-Bastos, Miguel Esteves Cardoso, José Manuel Mendes, Gonçalo M. Tavares, Teolinda Gersão, Inês Pedrosa, Miguel Sousa Tavares, José Rentes de Carvalho, Gastão Cruz, Luísa Costa Gomes, Maria Alzira Seixo, José Gil, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa, Luísa Dacosta, Pedro Mexia, Ana Luísa Amaral, Fernando Venâncio, Helena Buescu, Fernando Pinto do Amaral, José Riço Direitinho, Desidério Murcho, Anselmo Borges, Rui Ramos, Vasco Pulido Valente, Vítor Aguiar e Silva, Maria do Rosário Pedreira, Rita Ferro, Teresa Salema, Casimiro de Brito, José Mário Silva, Helena Barbas, António Guerreiro  – pensam como eu.

Maria Lúcia Lepecki, Vitorino Magalhães Godinho e João Bénard da Costa, infelizmente já falecidos, eram também anti-acordo. No passado dia 2, ouvi o mais célebre escritor moçambicano, Mia Couto, dizer claramente em entrevista à SIC Notícias: «Não sou adepto do acordo ortográfico.»

Palavras que naturalmente aplaudo. Porque são um acto de cidadania também.

 

NOTA: acrescentei vários nomes à lista inicial

80 comentários em “Um acto de cidadania”

  1. Com este acordo perde-se parte da alma portuguesa. É uma pena.

    Para disparates deste género há celeridade e eficácia, no seio do Estado; não tardou a aplicação nas Universidades, da reitoria às secretarias. Relativamente às reformas que urgem fazer (e.g., Justiça), não se assiste ao mesmo empenho.

    A. F.

    1. Contra o acordo, objecção de consciência. Até porque, tanto quanto sei, não existe qualquer norma sancionatória para quem o desrespeitar, em nome do património cultural português em geral e da língua portuguesa em particular.

      1. Caro Pedro Correia: a objecção de consciência aplica-se a comandos e normas lícitas.
        O acordo ortográfico simplesmente não está em vigor, pelo escrever como aprendemos é cumprir a lei.
        Quem a está a infringir é a dita “resolução do conselho de ministros” e quem acata tal dislate.
        Se alguém recusar escrever em português mutilado está a desobedecer a uma ordem ilícita. Dado Portugal apenas nominalmente ser um estado de direito, é preciso ter cuidado para não sofrer represálias.
        O que se passa é que, se um grupo de pessoas não obedecer à ordem ilegal, o estado ver-se-á obrigado a discutir, nas instâncias nacionais e internacionais a validade do 2º protocolo modificativo bem como questões de substância referentes ao direito à língua, diversidade cultural, limites dos poderes do estado, aculturação etc…
        Se não se pensassem totalmente impunes e Portugal como uma sua propriedade particular, quem estaria preocupado seriam os autores de tanto atropelo aos mais elementares direitos.

    2. Nunca comprarei um livro até que se mantenha este acesso de magalomania sebastiânica – e faço questão de o dizer nas livrarias.

  2. Seria uma bela manifestação da sociedade civil, procurar sempre que possível esse critério, de modo a afectar expressivamente a tendência das vendas dos livros. Eu estou nessa 🙂

  3. Duas notas sobre este “post”.

    Vasco Graça Moura também subscreveu a ILC e autorizou a publicação do seu perfil (http://ilcao.cedilha.net/?p=2123). Alguns outros dos nomes citados são igualmente subscritores da dita ILC mas não autorizaram expressamente a respectiva divulgação. E há mais escritores/as além destes na “galeria” (http://ilcao.cedilha.net/?page_id=832).

    Mia Couto mudou de “ideias” a este respeito, infelizmente (http://www.rm.co.mz/index.php?option=com_content&view=article&id=2495:mia-couto-diz-que-governo-qfez-bemq-ao-ratificar-acordo-ortografico&catid=3:breves&Itemid=370).

    1. Sim, há mais nomes (não quis acrescentar mais para não abusar da paciência dos leitores), das mais diversas tendências políticas e/ou estéticas. A amostra que aqui deixo parece-me suficientemente significativa. Dos nomes que transcrevo, todos com hiperligação de texto para que não restem dúvidas, ignoro quem possa “não ter autorizado”. Mas estarei disponível, naturalmente, para qualquer rectificação.
      Tanto quanto sei, em Moçambique o acordo ainda não foi ratificado. O Governo aprovou-o mas a ratificação é um acto do Parlamento, que ainda não reuniu para o efeito:
      http://www.africa21digital.com/culturas/ver/20000239-governo-mocambicano-decide-apresentar-ao-parlamento-ratificacao-do-acordo-ortografico-da-lingua-portuguesa
      Mia Couto diz que o Governo “fez bem” em aprovar o acordo, uma semana depois de ter dito que não é adepto do mesmo. Talvez as duas posições sejam compatíveis. Prometo reflectir sobre o assunto, mas agora não: está muito calor.

      1. Não, caro Pedro, as duas posições não são compatíveis. E Mia Couto limitou-se, quando muito, a capitular, a render-se, a fazer o que lhe mandaram. Ninguém o podia obrigar a escrever em «acordês». Ele preferiu alinhar pelos que são – ou lhe parecem – mais fortes.

        1. É lá com ele, meu caro. Não sei se passará ou não a escerever em acordês. Se o fizer, adoptará uma grafia da qual disse não ser adepto (palavras dele, textuais). Uma espécie de quadratura do círculo.

          1. Mas ele já (se) passou! O último livro dele, «A Confissão da Leoa», está em «acordês»! E na entrevista que ele deu à revista Tempo Livre (siga a ligação que eu indico no mais recente texto do meu blog Octanas), ele tenta explicar, precisamente (ou não), essa «quadratura do círculo».

  4. Muito bem.
    O Estado não tem legitimidade para mandar em tudo da vida das pessoas. Como se vê a Democracia sem Republica é um desastre.

    1. Em Espanha, a Academia traça as regras neste domínio e o estado segue-as. Aqui o estado fixa as regras e a sociedade adopta servilmente as regras estatais, com alguns académicos a funcionar como avalistas “científicos”. Isto diz tudo sobre o que somos.

      1. O muito digno acordo da língua castelhana, celebrado entre 19 Academias, modifica 9 ou 10 palavras e é facultativo – por respeito para com os utentes.
        Assim se percebe a violência que constitui este a imposição da ortografia brasileira.

    2. Democracia e República também me parecem substantivos um pouco antagónicos, pelo menos pelos exemplos que temos tido ao longo de 100 anos.

      1. A Republica limita o Poder Político. Se o Poder Político se rege pela Democracia limita a Democracia.
        Neste caso limita a maioria, que na maior parte dos casos nem é maioria mas a apenas a maior minoria.
        É bom lembrarmos o extraordinário poder que os 30-40% que são muito menos % da população votaram em Sócrates tiveram: 80 mil milhões de euros de nova dívida em 4 anos. Ainda não há Republica Económica.

  5. Considerar a ortografia pos AO90 “analafabetizante” é o mesmo que dizer “desconheço profundamente a ortografia anterior à reforma ortográfica unilateral portuguesa de 1911, assim como desconheço o fundamento filológico das regras ortográficas que uso diariamente e que considero sagradas e muito respeitadoras da etimologia”.

    Se não tiver nada contra o alargamento de horizontes – francamente, acho mesmo que não tem – sugiro-lhe a leitura de originais de Eça e, muito especialmente, de Camilo e Garrett, assim como a leitura do parecer técnico que fundamentou a reforma unilateral de 1911 da ortografia portuguesa, a mesma que, basicamente, usamos antes e depois do AO90.

    Da conjugação das duas leituras concluirá, necessariamente que a perda das consoantes mudas do AO90 é uma gota de água comparada com a perda das consoantes mudas e as outras simplificações trazidas pela reforma ortográfica unilateral portuguesa de 1911, todas elas de enorme impacto na ortografia e que vieram separar, pela primeira vez, as ortografias portuguesa e brasileira.

    A este respeito convém lembrar que as consoantes mudas que sobraram nessa reforma não ficaram na ortografia por questões etimológicas mas sim por imaginadas questões fonéticas. Se não tivesse sido assim, o Pedro teria aprendido a escrever “tatear” em vez de “tactear” e acharia que, numa ortografia simplificada, um ‘c’ mudo faz tanto sentido em “actual” como em “occaso” ou “occidente”.

    Depois disto, parece-me que se pretende continuar a usar a classificação de “analfabetizante” para a ortografia, terá que a aplicar precisamente à ortografia que usou para escrever o seu post.

    O comentador JPG repôs, e muito bem, a verdade sobre a opinião de Mia Couto acerca do AO90. Como é óbvio, outros se seguirão. Se o amor pela verdade fosse sempre assim proclamado, a polémica ortográfica em Portugal não seria entre o AO90 e a situação imediatamente anterior, mas sim entre a reforma ortográfica unilateral portuguesa de 1911 e a situação imediatamente anterior.

    Refiro-me agora à lista de personalidades evocadas no seu post. Fica ao critério de cada um a avaliação da sua classificação “melhores”, e não mexo mais no assunto porque a tentação do uso de obscenidades sobre uma parte delas é grande. Pergunto apenas, porque não incluiu na sua lista o mais habilitado e conhecedor dos opositores ao AO90, António Emiliano e, sobretudo, o que ele pensa sobre o valor dos argumentos etimológicos para fundamentar a oposição ao AO90?

    Como nota final; conheço alguém que no início do ano visitou quatro alfarrabistas de Lisboa na tentiva de vender cerca de duzentos livros do início do século 20, todos eles em ortografia clássica, muitos deles de Eça e Camilo. Ninguém os quis porque todos têm disso aos montes e não vendem. Comprei-os mais caros que os alfarrabistas comprariam, e mais baratos que os alfarrabistas vendem e aumentei a bom preço a minha coleção livros antigos portugueses.

    1. O seu proselitismo é digno de alguma admiração. Noto-o, no entanto, muito isolado em defesa da sua dama. Julguei que me trouxesse uma lista de fervorosos adeptos do AO no mínimo tão vasta, tão variada e tão ilustre como a que eu deixei aqui.

      P. S. – Tem inteira razão quanto ao professor António Emiliano. Lapso meu, já corrigido.

      1. Caro Pedro

        O meu proselitismo comparado com o seu, é o mesmo que comparar as consequências na ortografia do AO90 com as da reforma unilateral portuguesa de 1911: uma gota de água.

        Esqueceu de mencionar a posição de António Emiliano sobre o valor “analfabetizante” dos argumentos etimológicos contra o AO; estou seguro que não se opõe a que eu o faça:
        http://emportuguezgrande.blogspot.pt/2012/04/20120427b.html

        1. Está a comparar o incomparável. Nada de falsas modéstias: você vale por cem. Sendo um, quase faz parecer que são muitos em defesa do “acordo”. Disponha desta caixa de comentários e deixe aqui as hiperligações que entender. Já agora, deixe também a lista dos escritores portugueses que aplaudem entusiasticamente o AO. Estamos todos sempre a tempo de aprender com quem sabe.

          1. Ok, Pedro, csg dá gosto “discutir”. sobretudo pelo fairplay. Tenho alguma coisa a aprender csg a esse respeito.

            Voltando à sua lista dos opositores, não consigo perceber como o Pedro pode (num comentario seu acima) vir ainda classificar como “ilustres” algumas das figuras que menciona. A menos que queira dizer “ilustres” plagiadores ou “ilustres” nababos ou “ilustres” nulidades. Naturalmente que escapam uns tantos a estas classificações, mas o problema mantém-se.

          2. A frontalidade tem pouco a ver com esta gente. A insinuação torpe coaduna-se-lhes melhor.

        2. Acho piada citar um site todo acordista mas que tem como titulo uma palavra que era escrita assim antes de 1911, um bocado contraditório, não?

          E esse site é o expoente máximo da histeria acordista, que chega ao ridiculo de recusar comentários que não estejam em “portuguez grande” como se o português o autor desse site achar que está a escrever igualzinho aos que escrevem os brasileiros. E já nem falo dos conteúdos que é o costume dos acordistas, vazios de conteúdo.

          1. Fui tentar perceber o que escreveu e parece-me que se referiu ao endereço de internet e não ao título do site.
            Agora, se vc considera que é contraditório para eles, então com certeza que também é para si, uma vez que vc acha “sagrado” e “intocável” escrever, por exemplo “português” ou “igreja”, ambos uma castelhanização trazida pela reforma unilatreral portuguesa de 1911 do identitário “portuguez” e do mais etimológico “egreja”. O meu amigo ficou contente com a nódoa na manga do outro e nem reparou que tem a camisa toda suja.

          2. Sim, porque esse AO de 90 é um autêntico anúncio do Tide, todo transparente, desde a sua criação, á sua forma e a sua implementação, branco mais branco não há, certo?

          3. “Man”, é mais transparente que as regras ortográficas que vc usa e acha que são sagradas e imutáveis.

          4. sim, totalmente transparente, então as facultatividades (espectador/espetador; recepção/receção) e as hifenizações (como manter o hifen em cor-de-rosa e retirar no cor-de-laranja), claro como água, é por isso que tem havido tanta “aderência” e “amor” a esse AO 90 por parte das pessoas.

            Pois, realmente, coitada das crianças que aprendem inglês, terem que saber quando se mete um ph ou F, porque soam o mesmo som, essas regras tão pouco transparentes, que tem causado um grande analfabetismo nos países da Commonwealth e no resto do mundo.

            E isso de ser sagradas e imutáveis, amigo, sagrado para mim é a familia, tudo o resto é secundário, eu não teria problemas em alterar a minha forma de escrever e falar a minha língua nativa se verificasse que essa fosse de encontro às minhas caracteristicas como falante nativo, o que não é o caso deste acordo ortográfico (eu ao ler direto, leio dirêto, da mesma forma como leio coreto e não diréto, porque não existe nenhum elemento que indique que tenho que abrir aquela vogal) Mas isso já está mais que batido e comprovado que ao contrário que a seita acordista afirma, isso irá criar uma aceleração na forma como iremos dizer as palavras, isso é inevitável. E não venha com o “occidente” e com o “occaso”, sabe porque foram alteradas essas palavras? porque essas estavas abrangidas nas regras das consoantes duplas que foram eliminadas com o acordo de 1911, (curiosamente o connosco ainda se mantém com dois nn, aí a etimologia já conta para a seita acordista, muito transparente indeed) por uma questão de coerência, essas palavras até deviam voltar a ter a consoante dupla, já que também servem como consoantes diacríticas, e não, não é imaginário como disse noutro comentário, está escrito no próprio AO de 45 essa função das consoantes mudas.Aliás, preferia 1000 vezes mais escrever como se escrevia antes de 1911 do que estar a escrever aberrações como espetadores e receção e adoções (deve ser do açúcar) e setores (de que disciplinas?) pelo menos teria o prazer de escrever a mesma ortografia que Eça, Fernando Pessoa, Garret (e não tenho problemas nenhum em ler essa ortografia, nem teria problemas em escrevê-la) tal como hoje tenho prazer em escrever o mesmo inglês que Dickens, H.G.Wells, Tolkien, Arthur C.Clarcke escreveram ou o francês que Jules Verne escreveu. Mas pelos vistos para si, escrever o acordês da Margarida Rebelo Pinto e todo esses escritos que se venderam ao acordês como se achassem que os brasileiros irão perceber o que é uma receção, um aspeto, um espetador ou uma exceção, para si, deve-lhe dar muita satisfação, para mim, dou-lhe os meus pêsames.

          5. Man, vc está zangado, e isso é bom sinal: é sempre bom sinal quando os que puxam para trás estão zangados.

            Vou ao substantivo dos seus erros.

            As suas dificuldades em ler aspeto (com e aberto) dentro de algum pouco tempo serão as mesmas que tem hoje em ler abeto, neto, feto, veto e algumas outras naquilo que o man considera ortografia sagrada e intocável da LP.

            As suas dificuladades em distinguir espetador/espetador serão as mesmas que hoje tem em distinguir cor/cor, pregar/pregar pelo/pelo e muitas, muitas outras porque homógrafas que não são homófonas é coisa que não falta naquilo naquilo que o man considera ortografia sagrada e intocável da LP.

            A pena que o man tem das crianças que aprendem inglês deve ser transferida para as que aprendem francês, uma vez que, em inglês, por regra as correspondentes mudas em português são muito audíveis “aCtion”, “percePtion”, além do que as duplas têm, aí sim, por regra, influência na pronúncia da vogal anterior (ex: super/supper, diper/dipper).Já agora, os ignorantões dos miúdos suecos, italianos e finlandeses aprendem uma ortografia bastante fonética; desses não tenha pena, que me parece que eles também não têm.

            Ao contrário do que imagina, as duplas caíram exclusivamente porque não tinham influência fonética, e não porque fossem duplas. Em 1911 ficaram apenas as mudas que se supunha terem influência fonética. Não tinham, nunca tiveram, como as palavras “especular” ou “inflação” e tantas outras sem consoante muda e uma átona aberta, também servem para comprovar. Pode não gostar, mas a verdade não se compadece com preconceitos ou conveniências.

            Quanto a gostar de ler em ortografia anterior a 1911, penso que tem bom gosto. E é para aí que deve deslocar a sua atenção, e não para a perda do pechisbeque pseudofonético ou pseudoetimológico que sobrou da reforma ortográfica unilateral portuguesa de 1911.

            E agora em portuguez classico; se quizer comprar livros desses diga-me, que eu tenho uns tantos, inclusive um magnifico diccionario de portuguez-francez em orthographia classica portugueza e, imagine, DATADO DE 1912.

          6. Acho que a minha assumpção estava correcta, aposto que deve ter levado mesmo reguadas na primária por escrever sem as consoantes diacriticas.

            “Man, vc está zangado, e isso é bom sinal: é sempre bom sinal quando os que puxam para trás estão zangados.”

            Eu não estou zangado, ao contrário que pensa, como já disse, tenho pena de si da sua ignorância e ginástica que tem feito para apresentar algum argumento credivel e como já era de adivinhar ou dispara para outras direcções ou dispara para si próprio como foi este exemplo

            “As suas dificuldades em ler aspeto (com e aberto) dentro de algum pouco tempo serão as mesmas que tem hoje em ler abeto, neto, feto, veto…”

            Para já, não tenho dificuldade nenhuma em ler, ao contrário de si, não tenho que fazer a ginástica de” bem, aqui nesta palavra vou imaginar que existe ali um acento imaginário, já que não existe lá nada que me indique que tenho que abrir aquela vogal” mais uma vez pergunto, porque é irei ler aspeto com o E aberto e em espeto tenho que ler como espêto? queres ver que é o A que faz abrir a vogal E? hmm. E a sério, estás a comparar palavra dissilabas e graves como beto, neto que sendo palavras graves, a vogal da silaba é sempre aberta? really?! E depois eu que dou erros…

            “As suas dificuladades em distinguir espectador/espetador serão as mesmas que hoje tem em distinguir cor/cor, pregar/pregar pelo/pelo”

            para já, sempre escrevi côr com o ^ tal como em flôr, pêra, vôo, e nunca fui reprimido por isso, sei que aqui no teclado, é chato ter que carregar no shift + ^, o pregar/pregar, mais uma vez à boa maneira acordista, está a pegar em excepções, como se essas fossem as regras, e o pelo/pêlo, sim frases como “agarrar o cão pelo pelo” fazem do português ser uma lingua tão avant garde, não é

            “além do que as duplas têm, aí sim, por regra, influência na pronúncia da vogal anterior (ex: super/supper, diper/dipper).”

            Engraçado, aqui já concorda que as duplas tenham influência na pronúncia mas depois no parágrafo seguinte diz

            “as duplas caíram exclusivamente porque não tinham influência fonética” Então, têm ou não têm?! eu como disse, até seria engraçado voltar ás consoantes duplas, mas apesar de terem sido retiradas essas foram substituidas pela introdução de acentuação ou por novas regras a nivel de acentuação e tonalidade das palavras nas palavras graves, como por exemplo palavra vacca/vaca.

            E mais uma vez, continua a usar exemplo que desconhece porque razão existem como tal, inflação provem de INFLATIO no latim, e não inflactio, tal como especular, que provem de SPECULATIO e não SPECCULATIO, aprenda a saber a origem das palavras, antes de apresentar exemplo desta ou daquela palavra, palavras são como as notas de dinheiro, deixam sempre rasto e é sempre bom saber de onde vem e o seu caminho até cá.

            É essa a diferença entre os acordos anteriores e este, enquanto nos outros substituiram-se certos elementos por outros, como ph para f, ch para C ou qu, entre outros, com o acordês, substitui-se por… nada!! É a lei de menor de esforço, é á vontade do freguês, tudo elementos necessários para uma unificação e uniformização. (ainda estou para perceber essa fórmula mágica como é se quer unificar ortografias pelo uso da fonética com palavras que se pronunciam de forma diferente nos mais diferentes países e regiões) é simplesmente impossivel, só uma ortografia etimológica como o inglês, francês e de uma certa maneira o castelhano, apesar de ter sido alterado (mas mantendo a etimologia) em que há só uma forma de escrever correctamente e mais nada e não, existirem várias formas de escrever a mesma palavras ou a mesma frase, lembro de uma frase do Dr Emiliano em havia 32(!!!) formas de escrever uma frase com o acordês. Onde é que está a uniformização que os acordistas apregoam,

            O belo exemplo dos suecos, italianos, que apontou, que seguiram o caminho da fonética como ortografia, só demonstra bem que esse não é o caminho, indique lá mais um país que tenho adoptado o italiano ou o sueco só porque são ortografias fonéticas e como tal mais “simplistas”?

          7. Man:

            “mais uma vez pergunto, porque é irei ler aspeto com o E aberto e em espeto tenho que ler como espêto”

            Já lhe respondi, tem de ler; vai fazer como faz hoje em acordo/acordo, sede/sede, bola/bola e uma quantidade grande de homógrafas que não são homófonas em uso na ortografia antes e pós AO.

            “Engraçado, aqui já concorda que as duplas tenham influência na pronúncia mas depois no parágrafo seguinte diz
            “as duplas caíram exclusivamente porque não tinham influência fonética” Então, têm ou não têm?!”

            Já lhe respondei, tem de ler; em inglês, por regra, têm; em português, não têm.

            Sobre o que acrescentou; ninguém sabe que inflação vem de “inflatio”, especulação de “especulatio”, actual de “actualis” nem isso condiciona a pronúncia num país em que a mesma palavra pode ter três pronúncias diferentes apesar de ser escrita da mesma maneira e em que imensa gente confunde “contornar” com “controlar”m “hemorroida” com “almorroidas” e outros mimos respeitosos que os portugueses reservam às raízes etimológicas.

            As vogais átonas são pronunciadas abertas por herança oral, porque é assim que são ouvidas quando se aprende a falar e depois são pronunciadas a menos que, conscientemente, alguém decida alterar a pronúncia que aprendeu inicialmente. De outro modo como poderíamos todos dizer sede e sede (diferença na pronúncia da tónica) ou pregar e pregar (diferença na átona) se não existe diacrítico para as diferenciar? Ora se aqui não fazem falta para uma pronúncia, porque fariam falta consoantes mudas? Também pode observar isto pela negativa; se as mudas abrem átonas, então porque pronuncia fechadas as átonas em actual, exactidão, tactear? Em português, as mudas não interferem com a abertura de vogais átonas.

            “O belo exemplo dos suecos, italianos, que apontou, que seguiram o caminho da fonética como ortografia, só demonstra bem que esse não é o caminho, indique lá mais um país que tenho adoptado o italiano ou o sueco só porque são ortografias fonéticas e como tal mais “simplistas”?”

            Ninguém adota línguas porque são etimológicas ou fonéticas ou hieroglíficas; adotam-se línguas porque são úteis e a utilidade não advém da etimologia. De outro modo ninguém quereria aprender português ou espanhol, e o latim e o grego seriam “lingua franca”

          8. “Já lhe respondi, tem de ler” É o ler porque sim, bravo, excelente resposta, já fiquei convencidissimo, como é que consigo contra-argumentar após essa resposta tão brilhante? xD fique lá com os seus “acentos imaginários” e quando encontrar uma palavra acordizada que desconheça que detinha uma consoante mudaa, tenho 100% porcento que irá fechar a vogal anterior á consoante muda que estava lá, a não ser que tenha adoptado a pronúncia brasileiro e abrir todas as vogais que apareçam…

            “ninguém sabe que inflação vem de “inflatio”, especulação de “especulatio”,” pois, é o problema quando ignorantes apresentam exemplos sem saber o que estão a apresentar, é como o argumento comum que desertificação = aldeias vazias, quando desertificação não tem nada a haver com despovoamento das populações.

            “As vogais átonas são pronunciadas abertas por herança oral, porque é assim que são ouvidas quando se aprende a falar”

            Sim, é por isso que os analfabetos detém um vocabulário oral tão riquissimo, não é? E quer ver que todas as palavras que conhece foi aprendida em termos orais e não porque as leu?

            “a menos que, conscientemente, alguém decida alterar a pronúncia que aprendeu inicialmente.”

            Que é o que se calhar vou passar a fazer para trollar os acordistas como você, não é o que tá escrito na biblia acordista o 11º mandamento do profeta Malaca “aquilo que se pronuncia-se, escreve-se” então se eu passar a pronunciar as ditas consoantes “mudas”, nesse caso irei-las escrever, já que posso escrever espectador com C ou sem C mesmo que não o pronuncie, nesse caso não me podem dizer que não estou a seguir as regras do acordês, se as pronuncio, logo as escrevo.

            “Também pode observar isto pela negativa; se as mudas abrem átonas, então porque pronuncia fechadas as átonas em actual, exactidão, tactear?”

            Conheço muita gente que abre as vogais nessas palavras, (aliás é muito frequente até ouvir os jornalistas dos vários noticiários abrirem bem alto o A de actual) eu até pronuncio o c de tactear, como o P de Egipto, contracepção, recepção (se calhar no fundo sou brasileiro e não sabia, eh eh eh xD ) Mas mesmo que no caso elas não se abrirem, mais uma vez é o que da não fazer pesquisa antes de debitar disparates, no AO de
            1945 está lá bem explicito a manutenção das “malvadas” consoantes mudas, por uma questão de coerência (que é algo que não existe no acordês de 90) mantém-se para ficar em conforme com as restantes palavras da família, tal como óptimo, o que faz todo o sentido e lembro que até ajudava na primária quando aprendi a escrever essas palavras, mas agora os miúdos de agora deve ser engraçado, isso é se fazem esse tipo de exercicios, mas com o eduquês de hoje, em que não sabem distinguir quando é que se mete a cedilha ou não antes de certas vogais, tenho pena dos putos de hoje.

            De outro modo ninguém quereria aprender português ou espanhol, e o latim e o grego seriam “lingua franca”

            senão fosse o latim e o grego (que foram linguas francas mas que foram ramificadas por várias linguas, isso sim evoluções naturais da lingua e não imposições fascizóides como agora) hoje continuavas a falar com grunhidos como os homens das cavernas, que com o acordês não fica lá muito longe.

            A cena do sede/sede, acordo/acordo, são esse tipo de exemplos de várias palavras homógrafas, que com o acordês multiplicaram estupidamente, as principais dificuldades que os estrangeiros têm quando aprendem português, não são as “malvadas” e “horrorosas” consoantes mudas, que aliás até ajudam para eles entenderem o que estão a ler, porque associam à palavra na sua lingua.

            Mas nããããõoo, na “infinita sabedoria” acordista, multiplicar palavras que se dizem de forma diferente é que é simplista e “proj’tar” a lingua portuguesa a nivel internacional, hordas de estrangeiro estão agora a vir para Portugal e Brasil aprenderem português, as escolas em todo o mundo estão a deitar fora os livros de francês, inglês, e adoptar o acordês porque havia umas consoantes alienígenas que não existia em mais nenhuma ortografia no mundo e que estavam a bloquear o proj’ção do português, mas agora retiraram e de repente tudo tornou-se claro. Até na Lua, Marte, Plutão, Tattoine, Coruscant, Caprica, Volcano até em Namek está tudo a adoptar o acordês, viva o acordês, hip hip hurra

          9. Porto acha que recusar escrever com a ortografia brasileira de 1920/30 ( mas não estava ela adaptada à fonética brasileira?) e continuar a escrever no português de hoje, o usado por escritores portugueses de projecção universal, como Saramago é “puxar para trás”.
            A questão não é tanto a doidice e nescidade do “argumento”, mas o tomar os outros por parvos.

          10. Quanto ao papel diacrítico das consoantes ditas mudas, escreve o Prof. António Emiliano em nota ao afirmado na nota explicativa do «acordo» que é «a negação do óbvio. Como se pode ignorar algo que vem descrito em gramáticas, prontuários, e manuais da língua portuguesa?»
            in “O Fim da Ortografia” Ed. Guimarães, pg 66.
            Mas há quem, em Portugal, viva da negação do óbvio…

          11. É o que o ditado diz: o pior cego é aquele que não quer ver.
            E os acordistas conseguem ser exímios nisso. Nunca vi tanto sectarismo e fanatismo ao defenderem algo tão mau, tão mediocre, algo que se fosse uma tese de mestrado ou doutoramento era logo chumbado e deitado para o lixo com a data de erros, incongruências que contém. E a questão é que muitos deles reconhecem esses erros, mas continuam a defendê-lo como se fosse uma questão de vida ou de morte (a mitica frase, se Portugal não aderir ao AO90 vai perder o barco da lusofonia vai ficar pobre e só, sniff sniff) Estão tão agarrados ao AO que quase chega a ser psicóticos. Só porque dizem que uma coisa é evolução, não quer dizer que seja mesmo, e evolução nem sempre é sinónimo de ser bom, e continua-se a confundir as mudanças ortográficas como se tivessem a mudar de telemóvel ou de um Dvd para Blu-ray, embora nesse caso está-se a mudar de dvd para um vhs de 22 anos com a fita toda estragada. Faz-me lembrar a cena do 3D, já não é novo, é caro, provoca dores de cabeça, faz a imagem do filme ficar 1/3 mais escura, distrai, quase ninguém gosta e em 99% dos filmes projectados até agora em 3D, o 3D foi completamente desnecessário e os malditos estúdios de hollywood estão a ali a tentar impingir ás pessoas que o 3D é o futuro, a evolução do cinema, blá blá, quando no fundo é mais um esquema para ter bilhetes mais caros,

            Com o acordês é precisamente a mesma coisa. é tudo um esquema para vender dicionários, fazer novas edições de livros escolares, mandam bitaites de verdadeira publicidade enganosa como “unificação”, “evolução e simplificação da lingua”, e as pessoas comem a lenga-lenga, incrivel como numa época onde se tem acesso a todo o tipo de informação, continue a existir tanta ignorância neste mundo.

          12. @c.
            A.Emiliano está enganado, mas apenas sobre isso, sobre o mais está muito correto.
            Refiro-me ao facto de ele considerar que são de valor nulo os argumentos etimológicos para manter as consoantes mudas.

          13. @ c.
            Em 1920/30 no Brasil usava-se a ortografia clássica portuguesa.

            Muito mais importantes que Saramago são Camilo ou Eça.
            Porque não usa esse seu argumento para se recusar a escrever com as regras ortográficas de 1911?
            E porque não usaram Eça ou Camilo esse mesmo argumento para se recusarem a escrever na etimologia estrita e usarem a ortografia que Camões usou?

            Mas nada disto importa verdadeiramente na “projeção” internacional de autores portugueses; não sei se já reparou, mas lá fora leem os livros de Saramago traduzidos, é-lhes irrelevante a ortografia original.

      2. Trata-se de trabalhar a partir do que há e que tem valor próprio, desde logo no que representa de estabilização ortográfica, o factor mais relevante para aquilatar do estado da alfabetização. De facto, quanto melhor o nível cultural de um país, menos alterações ortográficas. Por isso, as grandes línguas da cultura (inglês, francês) não “evoluem” e mantêm a mesma grafia há séculos…

    2. Isso é tudo muito bonito, mas só uma pergunta: algum de nós existia em 1911? Ou já alguém tem por aí um protótipo de uma máquina do tempo e ainda não disse nada?

      1. Exactamente, João. A crítica de que a oposição devia ter sido feita às imposições de 1911 não se dirige já a gente viva… os opositores ao actual massacre da língua só podem manifestar-se agora, como é evidente. Não eram nascidos nem capazes de opinar em 1911!

    3. “as consoantes mudas que sobraram nessa reforma” – eis uma frase elucidativa, que ajuda a vislumbrar a raiz do problema: brutalidade, provincianismo, atraso e subdesenvolvimento

  6. Não percebo por que motivo a esquerda, e em especial o PC e o BE, não se insurgem contra mais esta capitulação ao Capital.

  7. Não, não está sozinho. Há muitos, muitos portugueses anónimos que também pensam assim. Este ano, nas feiras do livro de Lisboa e Porto tivemos, o meu parceiro e eu, algum trabalho a verificar cada livro que nos apeteceu adquirir para termos a certeza de que não compraríamos nada em “acordês”. E não comprámos, por mais que o livro em causa fosse tentador. Temos livros, muitos livros, à nossa volta. Os livros são amigos, são liberdade, são fuga. E não vamos permitir que tolham a nossa liberdade de ler em português correcto. Sempre. É um voto nosso. Jamais compraremos livros editados noutro português que não seja o nosso.

  8. Muito bem. Também ouvi Mia Couto dizer isso nessa entrevista, mas, curiosamente, foi por causa dele que engoli um sapo e rompi pela primeira vez uma promessa parecida com a tua: para poder ler “A confissão da leoa”, o último romance de Mia Couto, tive de comprar o livro em acordês. Não há alternativa, infelizmente, e eu não vou deixar de lê-lo mesmo que tenha de tropeçar em palavras tão mutiladas como as vítimas dos leões.

    Mas fico bem contente por saber que vãos sair dos armazéns das editoras muitos livros em bom português, ainda por cima a preços baixos!

    1. Só agora li os comentários anteriores ao meu, sobre Mia Couto. Suponho que Mia Couto não é defensor o AO mas também não se lhe opõe militantemente, como é o caso de outros escritores lusófonos.

      1. Há graus diferentes de oposição ao AO. Mas os escritores que o contestam são substancialmente mais (e melhores, na minha subjectivíssima opinião) do que aqueles que o aplaudem.

    2. Acho que não se deve ceder nunca, mesmo que seja para comprar um autor favorito. Aliás, é bom que esses autores saibam que estão a perder leitores antigos. Isto se não se estiverem perfeitamente nas tintas (passo o trocadilho) como provavelmente estão. As opções que tomamos têm de ter um preço – caso contrário nem vale a pena ler ou escrever, porque estamos a ler ou a escrever sobre quê?

      1. Vasco, aí já não estamos de acordo. Por muito que me custe engolir algumas palavras em acordês no deslumbrante “idioma” do Mia Couto, ainda assim lê-lo é sempre uma mais-valia. Não quero alinhar nessa atitude de “castigo” aos escritores que são a favor ou simplesmente não contestam o AO, é um direito deles e eu respeito-o. Não é por ler esses autores que deixarei de levantar a minha voz contra a atitude abusiva e precipitada das editoras que os publicam. Se a decisão foi política, é pelos políticos que deve ser resolvida. E a contestação tem sido tanta e tão consistente que eu acredito venha a ter alguma atenção, mais cedo ou mais tarde.

        1. Ana, não é uma atitude de castigo – ou pelo menos não é assim que a entendo; é apenas não ceder no princípio que decidi seguir – o facto de eu respeitar uma opção (outro princípio) não significa ter de ceder naquilo em que essa opção que me é antagónica se materializa. Neste caso, se eu decidi “Não compro livros grafados de acordo com o AO porque isto e aquilo”, a primeira excepção que eu faço destrói o princípio a que me dispus. A continuar assim, qualquer dia começava a ler o Expresso por piedade.. 😉

  9. Apesar do Estado me obrigar a escrever com o AO escrevo exactamente como aprendi. Façam-me o que quiserem. Quando tiver de escrever em acordês fa-lo-ei sob protesto.
    Quanto ao livros, nada a fazer. Os últimos Mia Couto e Agualusa já estão em acordês. O que não entendo é este afã das editoras e do Estado evidentemente que mandou directivas obrigando os funcionários públicos a escrever em acordês nos documentos oficiais.

    1. Serei só que acho isso de obrigar as pessoas a escrever de uma forma diferente algo inconstitucional? é como se de repente obrigassem a eu ser católico só porque 90% da população é católica, acho que obrigar as pessoas a mudar a forma de escrever é um completo atentado á liberdade das pessoas, da sua expressão e de imprensa (não a imprensa = jornais, imprensa no sentido de escrever)

      1. Pode não ser inconstitucional, mas é um disparate completo. O que é muito pior. Felizmente a grande maioria das pessoas está-se nas tintas para o AO, como bem se comprova pelas reacções dos escritores que enumero aqui, e também na blogosfera e nas colunas de jornais, incluindo naqueles que começaram a ser escritos em acordês contra a vontade de grande parte dos jornalistas que lá trabalham.

      2. Concordo com o ‘algo insconstitucional’ mas esta é a realidade. E por considerar absurdo, porque não admito que ninguém regulamente a minha escrita, continuo a escrever como sei e quero.

      1. Não, caro Pedro, chama-se “viver no seu tempo”. e atualmente ‘actualmente’ é “viver no passado”.

        E por falar em “viver no seu tempo”, a Alice Vieira também usa o AO (veja o blog dela).

        Enfim, deixe passar um ano e a sua lista terá mais mortos que vivos.

        1. Você leva o seu fanatismo acordês ao ponto de desejar a morte de quem pensa de maneira diferente? Porque não ‘apenas’ a prisão perpétua ou o campo de concentração?

          1. Espere, Pedro, nada disso, não desejo nada a morte de ninguém e a provar aqui fica um “muitos a bons a todos”, escrevam eles em ortografia atual ou antiga.

            O que quis dizer é que, como bem reparou, os vivos têm tendência para para perceber que o AO não morde, que numa ortografia simplificada não se usam mudas, e que não adianta virar costas à realidade, logo, deixar-se-ão de bizantices; é preferencialmente por essa via que a sua lista de vivos deve diminuir, e não pela outra.

          2. Pois, e então se vc continuar a manter na lista pessoas que já não usam a ortografia antiga, como está a fazer, acredito que sim, que continue a aumentar.

  10. Aliás, aqui está um bom acto de cidadania, desta vez de um escritor estrangeiro recusou que o seu livro fosse abastardado pelo acordês

    http://bibliotecariodebabel.com/geral/quando-um-autor-estrangeiro-repudia-o-acordo-ortografico-portugues/

    É a “projecção internacional” do acordês no seu melhor.

  11. Viva,

    Alguém respondeu ao meu comentário afirmando que basta abolirmos o Acordo para que a alma não padeça. Ora, não me parece que isso seja suficiente, pois temo que as próximas gerações já não conheçam outra coisa. Há alguma razão para acreditar que o Ministério da Educação desistirá do Acordo, entretanto?
    Espero bem que sim.
    Cump., AF

      1. “O Ministério da Educação comprometeu-se a rever o AO” Isto é daquelas frases que me deixa num terror fininho: um Ministério a rever o acordo – ou seja, uns técnicos e uns especialistas vão decidir como TÊM de escrever os rebentos da Pátria. Se isto não é fascismo, é pelo menos um filme de terror.

    1. Fui eu que defendi a abolição imediata do AO. Imediata e definitiva. Mas… As novas gerações já não conhecem outra coisa? Ora ora, se conseguiram esquecer a nossa ortografia em 6 meses, com toda a certeza que a tornam a aprender no mesmo espaço de tempo. Ou ainda menos, porque é mais fácil e bonita.

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