Tudo aparentemente


oanonimoanonimo,

Aparentemente, a Unidade de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária foi criada para combater a corrupção. Aparentemente, a Unidade de Combate à Corrupção da PJ está a ser alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária. Aparentemente, porque há suspeitas de violação de segredo de Justiça e de segredo profissional por parte de alguns dos seus membros. Aparentemente, os indícios surgiram quando foi encontrado um papel com timbre da PJ entre o material que foi apreendido em busca a Armando Vara. Aparentemente, não há almoços grátis. Logo, aparentemente, o que pode estar em causa é mais do que a violação do segredo de Justiça e do segredo profissional. Aparentemente, o país está do avesso. Aparentemente nada disto é novo na PJ, já foi assim em 1986, aquando do "Sãobentogate", uma história que, como jornalista, fiz deslizar meses a fio nas páginas de "O Comércio do Porto", em que também uma parte da PJ investigou outra parte da PJ. Houve presos e condenados. Mas, pelo que vejo, nada de substancial mudou desde então. Porque, em Portugal, nada do que é essencial muda. E, honestamente, começo a aceitar que já não há muito em quem se possa confiar. Sim, para concluir com o pessimismo que tenho vindo a revelar: este regime está podre. Cheira mal. Faz de cada um de nós um desistente.

19 comentários em “Tudo aparentemente”

  1. Razão tinha Lampedusa, no Leopardo. E há um ror de anos,alguém disse que a Pátria estava doente…depois viu-se. Faites vos jeux…e depois aguentemo-nos.

      1. …mas é 1 doença fraquinha!Ou o doente é bem resistente!Há quanto se prediz a doença e morte de portugal? Desde… 1143?

  2. Não vejo o que é que isto tenha a ver com o “regime”. Tem a ver com pessoas venais, é tudo.

    Em qualquer “regime”, seja ele qual fôr, há polícias e magistrados que investigam possíveis crimes e que, no quadro dessas investigações, obtêm informações que devem manter-se confidenciais. E em qualquer “regime”, seja ele qual fôr, há pessoas que oferecerão dinheiro (ou “fruta”) a esses polícias ou magistrados no sentido de obter algumas dessas informações. E em qualquer “regime”, seja ele qual fôr, haverá polícias ou magistrados venais que aceitarão vender as informações que tinham a obrigação de manter secretas.

    1. «Não vejo o que é que isto tenha a ver com o “regime”.» A não ser que o regime seja permissivo e a podridão se vá instalando paulatinamente, não é? Aparentemente.

      1. Talvez isto não tenha realmente a ver com o regime, mas sim com a qualidade da ‘fruta’, que parece estar toda podre. “Aparentemente”, quem talvez pudesse dar alguma ajudazinha nisto, seria aquele simpático restaurante serrano que aqui nos trouxeste há dias, que no r/c servia refeições para todos os regimes e no 1º andar ‘fruta’ do campo que ‘aparentemente’ ainda estaria sã. Mas isto é só aparentemente, claro está…

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