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Devem ser todos amigos. Pois os locutores da tv agoram tratam os candidatos presidenciais pelo primeiro nome. A alguns: que é o João, o Vitorino, o André, a Marisa, o Tiago. E eles também se tratam assim, uns aos outros. Debatem e depois devem ir conviver (“mamar uns copos”, diria a Temido da Saúde).
Vá lá que aos velhos se dá tratamento diferente. Pois não ouço “ó Ana” nem “ouça lá Marcelo”. O respeito pelos idosos é muito bonito.

É uma cópia dos hábitos americanos, em particular nos EUA e no Brasil. Parece-me saudável. As pessoas em geral gostam de ouvir o seu nome próprio, de ser tratadas por ele.
Quando trabalhei na Pensilvânia, tratava o meu chefe (que tinha mais 40 anos de idade que eu) por “professor” e ele ria-se muito, dizia-me que eu era a única pessoa que alguma vez o tinha tratado assim, porque todas as outras pessoas (incluindo todos os subordinados dele) o tratavam pelo nome próprio.
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” todas as outras pessoas (incluindo todos os subordinados dele) o tratavam pelo nome próprio.” Como será o tratamento entre os esquimós ou entre os ameríndios do Amazonas? Cada terra tem seu uso e cada roca tem seu fuso.
Em português causa-me desagrado o tratamento pelo nome próprio como se faz na TV. Como a mania de os jornalistas se tratarem por tu uns aos outros mesmo quando não são conhecidos entre si. Só o fazem quando estão no ar. Já vi alguns tratarem-se assim e esquecerem-se regressando ao tratamento habitual, denunciando desse modo que estão só a armar. Desagrada-me, gosto da delicadeza, e o que os americanos fazem não me impressiona por aí além.
Quanto ao tratamento de aluno para Professor já assisti a uma cena mais avançada do que o que vai pela América: vi um aluno tratar um professor por tu e mandá-lo à merda. Não gostei. Mas admito que cada um come do que gosta.
Essa do aluno mandar o professor à merda não deixa de ser interessante. Não terá validade universal mas não também não será universalmente descabido.
Quanto ao que diz do tratamento entre jornalistas: há semanas vi uma entrevista feita por Clara de Sousa (que muito aprecio) a Araújo Pereira (de quem sou grande admirador). Ele a fazer o número do engraçadismo, que lhe é habitual, e a tratá-la por “tu”. Ela impávida a dar-lhe a “terceira pessoa”. Belíssimo. E no fim ele lá se desmanchou e reconheceu isso, até lamentando-se da distância que ela mantinha. Pode ser que o episódio tenha uma qualquer história pessoal por detrás mas assim visto, sem mais, foi uma delícia.
Araújo Pereira (de quem não sou grande admirador)
Venho aqui só para reafirmar a minha condição de membro de longa data da claque de Clara de Sousa. 56232.html
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/9
Realmente, por cá temos o celebre respeitinho é muito bonito ou o contrário como acontecia hás uns anos atrás, no tempo da boa educação dizem. Nesse tempo era frequente um polícia tratar por tu qualquer cidadão, qualquer não seria bem com o sr.dotor ou o engravatado. Então os médicos era tu prá ali tu prá acolá e quanto mais idoso mais era a confiança para descontrair diziam eles.
No caso destes debates parece ter havido aquela do perucas tratar por tu e ó João e ser elogiado por tiás e tiós o ser doutra classe, mas quando o Tino calceteiro lhe mandou com ó André sentiu que as tiás, tiós e sabe-se lá mais quem ficaram possessos.
“celebre respeitinho é muito bonito”
O respeitinho do antigamente era outra coisa. Que não me desperta simpatia nenhuma e, suponho, que nem ao autor do post. Não confundamos
Obrigado António, é exactamente isso que penso.
jpt (e alguns comentadores) confunde neste post duas práticas diferentes: o tratar as pessoas pelo nome próprio, e o tratá-las por tu. São coisas bem distintas. Ontem por exemplo, no debate presidencial ente João Ferreira e Tiago Mayan, os adversários trataram-se um ao outro pelo nome próprio, mas sempre na terceira pessoa (tipo “o João disse” ou “eu não concordo com o Tiago”). Não se trataram por tu.
Tratar as pessoas pelo nome próprio é, além de amigável, económico (omite os tradicionais títulos e apelidos complexos, tipo “o engenheiro Marques da Costa”). Tratá-las por tu é de uma familiaridade injustificável.
Balio, V. julga mesmo que eu, nos meus já vetustos 56 anos, confundo o tratamento pelo nome próprio com o tratamento na segunda pessoa?
Não somente julgo como tenho mesmo a certeza. Repare: no título deste post escreve “tu cá, tu lá” (referindo-se portanto ao tratamento na segunda pessoa), e logo no começo dele escreve “os locutores da tv agora tratam os candidatos presidenciais pelo primeiro nome”.
Então mas o tratamento por tu, filosoficamente falando, não é um sinal de que o falante atingiu a idade adulta?
Será que essa hierarquia na fala não estará a disfarçar uma forma da pedantismo?
As frases ” tenho idade para ser seu pai ” ou ” o menino sabe com quem é que está a falar? ” não estarão a confundir o respeito com frustração ou incapacidade de adaptação aos tempos actuais?