Tu cá, tu lá …


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Devem ser todos amigos. Pois os locutores da tv agoram tratam os candidatos presidenciais pelo primeiro nome. A alguns: que é o João, o Vitorino, o André, a Marisa, o Tiago. E eles também se tratam assim, uns aos outros. Debatem e depois devem ir conviver (“mamar uns copos”, diria a Temido da Saúde).

Vá lá que aos velhos se dá tratamento diferente. Pois não ouço “ó Ana” nem “ouça lá Marcelo”. O respeito pelos idosos é muito bonito.

13 comentários em “Tu cá, tu lá …”

  1. É uma cópia dos hábitos americanos, em particular nos EUA e no Brasil. Parece-me saudável. As pessoas em geral gostam de ouvir o seu nome próprio, de ser tratadas por ele.
    Quando trabalhei na Pensilvânia, tratava o meu chefe (que tinha mais 40 anos de idade que eu) por “professor” e ele ria-se muito, dizia-me que eu era a única pessoa que alguma vez o tinha tratado assim, porque todas as outras pessoas (incluindo todos os subordinados dele) o tratavam pelo nome próprio.

    1. ” todas as outras pessoas (incluindo todos os subordinados dele) o tratavam pelo nome próprio.” Como será o tratamento entre os esquimós ou entre os ameríndios do Amazonas? Cada terra tem seu uso e cada roca tem seu fuso.
      Em português causa-me desagrado o tratamento pelo nome próprio como se faz na TV. Como a mania de os jornalistas se tratarem por tu uns aos outros mesmo quando não são conhecidos entre si. Só o fazem quando estão no ar. Já vi alguns tratarem-se assim e esquecerem-se regressando ao tratamento habitual, denunciando desse modo que estão só a armar. Desagrada-me, gosto da delicadeza, e o que os americanos fazem não me impressiona por aí além.
      Quanto ao tratamento de aluno para Professor já assisti a uma cena mais avançada do que o que vai pela América: vi um aluno tratar um professor por tu e mandá-lo à merda. Não gostei. Mas admito que cada um come do que gosta.

      1. Essa do aluno mandar o professor à merda não deixa de ser interessante. Não terá validade universal mas não também não será universalmente descabido.

        Quanto ao que diz do tratamento entre jornalistas: há semanas vi uma entrevista feita por Clara de Sousa (que muito aprecio) a Araújo Pereira (de quem sou grande admirador). Ele a fazer o número do engraçadismo, que lhe é habitual, e a tratá-la por “tu”. Ela impávida a dar-lhe a “terceira pessoa”. Belíssimo. E no fim ele lá se desmanchou e reconheceu isso, até lamentando-se da distância que ela mantinha. Pode ser que o episódio tenha uma qualquer história pessoal por detrás mas assim visto, sem mais, foi uma delícia.

  2. Realmente, por cá temos o celebre respeitinho é muito bonito ou o contrário como acontecia hás uns anos atrás, no tempo da boa educação dizem. Nesse tempo era frequente um polícia tratar por tu qualquer cidadão, qualquer não seria bem com o sr.dotor ou o engravatado. Então os médicos era tu prá ali tu prá acolá e quanto mais idoso mais era a confiança para descontrair diziam eles.
    No caso destes debates parece ter havido aquela do perucas tratar por tu e ó João e ser elogiado por tiás e tiós o ser doutra classe, mas quando o Tino calceteiro lhe mandou com ó André sentiu que as tiás, tiós e sabe-se lá mais quem ficaram possessos.

    1. “celebre respeitinho é muito bonito”
      O respeitinho do antigamente era outra coisa. Que não me desperta simpatia nenhuma e, suponho, que nem ao autor do post. Não confundamos

  3. jpt (e alguns comentadores) confunde neste post duas práticas diferentes: o tratar as pessoas pelo nome próprio, e o tratá-las por tu. São coisas bem distintas. Ontem por exemplo, no debate presidencial ente João Ferreira e Tiago Mayan, os adversários trataram-se um ao outro pelo nome próprio, mas sempre na terceira pessoa (tipo “o João disse” ou “eu não concordo com o Tiago”). Não se trataram por tu.

    Tratar as pessoas pelo nome próprio é, além de amigável, económico (omite os tradicionais títulos e apelidos complexos, tipo “o engenheiro Marques da Costa”). Tratá-las por tu é de uma familiaridade injustificável.

    1. Balio, V. julga mesmo que eu, nos meus já vetustos 56 anos, confundo o tratamento pelo nome próprio com o tratamento na segunda pessoa?

      1. Não somente julgo como tenho mesmo a certeza. Repare: no título deste post escreve “tu cá, tu lá” (referindo-se portanto ao tratamento na segunda pessoa), e logo no começo dele escreve “os locutores da tv agora tratam os candidatos presidenciais pelo primeiro nome”.

  4. Então mas o tratamento por tu, filosoficamente falando, não é um sinal de que o falante atingiu a idade adulta?
    Será que essa hierarquia na fala não estará a disfarçar uma forma da pedantismo?
    As frases ” tenho idade para ser seu pai ” ou ” o menino sabe com quem é que está a falar? ” não estarão a confundir o respeito com frustração ou incapacidade de adaptação aos tempos actuais?

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