Catarina Martins propõe saída do euro.
Evidentemente, e não obstante a demagogia com que abordam estes assuntos ser igualzinha à do presidente norte-americano ou de Marine Le Pen (podiam ou não ser declarações de Catarina Martins?), ninguém os classifica como tal – afinal são simpáticos para os imigrantes e nem chamam terroristas aos terroristas. Por cá, raros se atrevem sequer a afirmar serem precisamente as políticas da Geringonça a empurrar o país para uma situação de insustentabilidade – e os que o fazem são corridos a acusações de ressabiamento e derrotismo. Todos sabem, porém, que ao nível da dívida pública e respectivas taxas de juro o último ano e meio poderia ter sido muito diferente, abrindo perspectivas mais optimistas para um futuro sem (tanta) ajuda por parte do BCE. António Costa, por exemplo, sabe-o perfeitamente. Os pedidos, cada vez menos subtis, para mudanças de política ao nível da União Europeia (o que representa a sanha contra Dijsselbloem senão uma tentativa para facilitar a abordagem de pontos como a mutualização e a renegociação?) constituem reconhecimento cabal de que também ele acha a dívida insustentável – sem que isso o impeça de continuar alegremente a aumentá-la (perdido por cem, dir-se-á…). Talvez um dia fique demonstrado que Costa, a mais frontal Catarina (e o mais «ortodoxo» Jerónimo) estavam certos. Mas quando alguém tem o poder para fazer cumprir uma profecia, e faz quase tudo nesse sentido, não admira que ela se concretize. Infelizmente, esse dia, como é habitual nas vitórias do populismo, não ficará para a história como um dia feliz.

Orgulhosamente sós!
https://www.youtube.com/watch?v=WjcNjph-r WE
Diga-me lá onde é que, no seu discurso, a Catarina Martins propôs a saída do euro; o que ela disse foi “é urgente preparar o país para o cenário de saída do euro ou mesmo de fim do euro”, o que me parece diferente.
não é merda mas gaga o cão
Eheheheh. Nem mais.
Uma queixa estranha: que as pessoas prefiram anti-democratas assumidos a gente que acha que pode mandar nos outros, porque os outros só querem p… e vinho verde.
Quando está lá Passos Coelho, tudo é feito certo, a Europa aplaude de pé a descida dos salários e as vendas de setores inteiros ao desbarato, só não descem os juros nem sobe a notação da dívida, nem se cumprem os limites do défice, nem o emprego aumenta. Mas são “peanutes” porque está tudo no caminho certo, resta saber para quê.
É espantoso ver esta Europa liberal e anti-Estado tão preocupada com a falta do investimento público que andou a diabolizar nos últimos quatro anos.
Entretanto sonham poder aplicar a Portugal a receita que aplicaram à Grécia: forçar a seguir o seu plano de austeridade. Não resultou para ninguém – vem aí outro resgate -, mas é preciso afagar uns egos calvinistas.
É curioso esta redução a Le Pen. Será por ser racista e xenófoba que ela está a ter tanto sucesso, ou por se apresentar como uma alternativa a este Euro e a esta UE que manifestamente não consegue sair do seu labirinto?
o último ano e meio poderia ter sido muito diferente
“poderia” é condicional. É uma adivinha, uma coisa que se supõe que talvez pudesse ter acontecido, mas não se tem a certeza nem se sabe como.
É claro que o último ano e meio poderia ter sido muito diferente. Resta saber como é que poderia ser diferente, e se teria mesmo sido diferente. Nem o José António nem eu sabemos, portanto só nos podemos deitar a adivinhar, e as nossas adivinhas têm o (pouco) valor que têm, porque nunca serão verificadas pela experiência.
Para além das políticas do governo, outras coisas poderiam ter sido diferentes, como por exemplo o BANIF e o BES poderiam não ter desabado, ou então o Banco de Portugal poderia não ter empurrado algumas obrigações do BES para o “banco mau”, condenando Portugal aos olhos de certos poderosos detentores dessas obrigações.
Provavelmente, o autor deste post poder-me-á confirmar ou desmentir aquilo que sempre li e ouvi ao longo de todos estes anos:
– Portugal sempre foi um contribuinte líquido da União.
Se isto é verdade, então tenho de concluir que UE não tem sido muito mais do que uma gigantesca máquina de lavagem de dinheiro.
Explico:
1. a nossa contribuição só poderá ser com dinheiro dos impostos de todos nós;
2. de volta, grande parte dos milhares de milhões (200 mil milhões?) de fundos europeus ficou nas malhas da corrupção (será preciso explicar?!…);
3. logo…!
E adivinhem quem mais defende a UE e a nossa permanência!
Ele há coisas!
João de Brito
Na realidade Catarina não propõe a saída do euro, mas da preparação do país para uma eventualidade. inancas-publicas/detalhe/portugal-garant e-um-dos-maiores-excedentes-sem-juros-da-z ona-euro
Uma coisa é saber-se que a dívida é insustentável, pois os juros se encarregam de retirar valor ao andamento da economia. Por exemplo, sem juros, Portugal apresenta excedente de 2,2% do PIB:
http://www.jornaldenegocios.pt/economia/f
Significa isto, meu caro JAA, que qualquer política de torneiro, como a que ocorreu anteriormente, só servirá para se equacionar uma saída do Euro. Apesar de pessoalmente não advogar para já esta possibilidade.
Por outro lado, Le Pen propõe a saída da União e Catarina propõe cautelas e caldos de galinha relativamente a qualquer pressão absurda.
Posto isto, é de interesse para mercados especulativos que a dívida suba.
Estas coisas de dinheiro não é uma questão “querer”… prosseguir na velocidade mais alta da UE.. É, sim, e apenas, uma questão de “poder”, ter meios para ….
Um PM de um País que tem esta dívida soberana pode dizer que quer muita coisa, lá isso pode. Demagogia por “épater” o eleitor, ou falta de tino ?. O resultado vai ser o mesmo.
PS- Sair, ou ser corrido, e/ou ter uma outra “moeda concomitante”, também, essa, fraquinha, para pagar a funcionários e reformados …
É como a descolonização. Não queriam descolonizar a bem, acabaram corridos a pontapé. Provavelmente vai ser parecido com o euro.