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Há um mês, durante a campanha publicitária do seu novo livro, o jornalista e escritor José Rodrigues dos Santos falou com leviandade sobre a “Solução Final” nazi, o extermínio dos judeus (e ciganos, etc.). Gerou-se um coro indignado – ver por exemplo o artigo de Irene Flunser Pimentel; e as respostas de JRS às críticas recebidas (também eu botei sobre o assunto) – com aquela leveza, a medíocre incapacidade de perceber a especificidade de Hitler e seus milhões de sequazes, a sua “normalização” que JRS assim promovia.
Leio agora, pois basto partilhado nas redes sociais, um texto do renomado sociólogo Boaventura Sousa Santos, “maître à penser” de vastos feixes da intelectualidade portuguesa: “Trump não tomará cianeto“. Que surge imensamente mais leviano, indo muitíssimo mais longe nessa “normalização” do nazismo, na sua “banalização”. No artigo vem o habitual (no autor) ditirambo contra os EUA, e para isso ali se compara – em retórica de “analogia” – Hitler e Trump, Himmler e Pence, os passos ocorridos no final do regime nazi com este final da presidência americana.
Nem vale a pena comentar o conteúdo. Mas é interessante, pois relevante, notar o silêncio crítico que uma “coisa” destas colhe. Tantos contestaram José Rodrigues dos Santos e todos se calam diante de algo muitíssimo mais intenso nesta “naturalização” do nazismo. Um silêncio que é muito significativo deste “pensamento crítico” em voga: há quem não possa espirrar que logo é apupado. E há quem diga as atoardas que quer, que logo é louvado (e “partilhado”). Chama-se a este seguidismo apatetado “epistemicídio“. Pois trata-se do genocídio da análise crítica.
Adenda: A ligação entre EUA e a Alemanha nazi é um tópico nos escritos de Sousa Santos. Veja-se este texto de 2019: “Os EUA flertam com o direito názi” (sic).
Já agora, e porque este vem a talho de foice, não deixa de ser notável que o consagrado académico escreve sobre este “flertar” (de novo, sic) entre EUA e o nazismo a propósito das invenções de “inimigos internos” e não surja agora no mesmo molde a associar António Costa ao nazismo – pois também este cultor da imagem do “inimigo interno”, assim tratando os sociais-democratas que lhe são críticos. É notável mas não surpreendente …

Esse boaventura é a reencarnação dos coimbrões lentes queirosianos…
Em português corrente, uma besta.
O
Ó jpt a volta que foi dar para chegar à questão do Costa.
Tá bem agora vai ser esta durante os tempos, calhava os fogos por estar frio ou tancos tal e coisa. Pode já começar a ensaiar a rebaldaria do Natal e o agravamento da pandemia, já que a rapaziada do comércio/restauração vai ficar caladinha.
Anónimo não dei qualquer volta para chegar a Costa – sobre a bacorada do PM (relativa à forma como o seu governo procura colocar um homem de confiança na procuradoria europeia, que venha a ser filtro relativo no olhar sobre a “acumulação primitiva de capital” que o partido socialista prepara no que diz respeito aos fundos que virão, como é cerne do seu exercício de poder desde a administração de Macau) já botei, sem rodeios, neste blog: https://delitodeopiniao.blogs.sapo.p t/o-fascismo-12202717
Mas é evidente que os execráveis adeptos deste sindicato de crime não captam essa coisa de falar directo. E de assinar o que se escreve. Passar mal, é o que lhe desejo, francamente.
Se assinar zé da silva é a mesma coisa de querer saber lá do costa & cia. , apenas constato aparecerem uns factos “com este é que os vou tramar” e flop.
Parece aquela do rangel ir apoiar o guaidó e agora como a ue não quer saber do rapaz, muda a agulha para o juiz e tal.
Anónimo, não deve habitual por aqui, pois essa questão do “zé da silva” está mais do que discutida, ene vezes, ao longo dos anos. Mas eu resumo: se você vier aqui mandar bocas (porque o seu comentário é “mandar bocas”) e assinar “zé da silva” não o sendo é tão indigno como “mandar bocas” de modo anónimo. Se você vier aqui “mandar bocas” assinando “zé da silva” por ser José da Silva então é tão digno como “mandar bocas” assinando-as.
Quanto ao resto que avança. Tenho a perfeita noção que não consigo “tramar” alguém com o meu teclado. E assim sendo não é isso que anima a minha mania bloguística. Mas, que fique bem claro, lamento essa minha incapacidade. Pois gostaria de a ter. E se a tivesse dedicar-me-ia, em exclusividade, a tramar os tipos que “mandam bocas” de modo anónimo. Os indignos.
jpt percebi a sua incompreensão: tem dificuldade em perceber a diferença das ‘bocas’ e da ironia.
Mas comparar o nazismo ao que se passa no nosso país nem sequer pode ser considerado ‘bocas’ ou ironia.
Não tenho dificuldade em apartar “bocas” de ironia (quer dizer, com toda a franqueza, poderá acontecer isso). Mas não consigo ver a ironia anónima.
(e já agora, não me passa pela cabeça insinuar que haja qualquer similitude entre nazismo e o que se passa neste país e com os seus governantes. Se ler com placidez o meu postal, e a sua adenda em particular, o que digo é diferente: se BSS encontra similitudes entre o nazismo e Trump devido a “instaurarem” “inimigos internos” então, por silogismo que seja, que aplique tal extremado raciocínio ao que se passa, agora, nesta nossa casa. Ou seja, o objecto da adenda não é António Costa – goste-se ou não dele e do seu governo – mas BSS. Não me parece que isso seja difícil de perceber.)
O link “Trump não tomará cianeto” não está correcto.
Lamento o meu lapso. Obrigado pelo aviso. Já corrigi.
António Costa um nazi???
Nada mais disparatado!!!
É, estou de acordo consigo. Mas é uma declaração que é um corolário lógico das atoardas que Boaventura Sousa Santos bota sobre os EUA.
Vamos lá ver como se processa a situação de manipulação:
A partir de um acontecimento – o nazismo, o holocausto e a Solução Final – tem sido construída não uma memória útil mas uma memória de medo. Sabem os antigos e os modernos que o medo é a componente mais forte para poder amordaçar consciências e manipular, desvirtuando, as realidades. Na impossibilidade de se encontrar uma realidade semelhante, tsto é, material, procura-se associar pessoas e situações a uma realidade que muitas vezes de conhecimento só se poderá dizer que faz parte de um imaginário colectivo. E quando se entra em matéria de imaginação tudo aparenta ser válido.
Trump, cuja opinião já botei ali no texto do João André (procurando também subentender que se pretende transformar condições e situações em matérias ideológicas e programáticas, com recurso a um nazismo legal – sim, também posso fazer associações que vinculam tudo e todos -), converte-se, assim, no protótipo de um gajo que deve tomar uma atitude sanitária que se assemelhe a uma ordem democrática, ingerir cápsulas de cianeto, para concretizar as teses de associação.
Em tema de conclusão desta dissertação, os democratas da nova era e da nova ordem parecem pretender sugerir que as teses e políticas que se lhe opõem devem ser conduzidas através de uma nova regra sanitária que se assemelhe a uma espécie de eutanásia voluntária mas sem apoio associado à atitude.
Eu sei, em matéria de morte por eutanásia, certos democratas aparentam, só aparentam, não pretender participar do processo. Mas ele deve avançar.
Viva Trump e viva por muito tempo.
A sociedade americana, pela sua visibilidade, que lhe é atribuída pela democracia, tem sido um excelente laboratório daquilo que o mundo deve seguir. Trump, ao dar voz e vez a quem não a tinha, torna-se assim uma espécie de veículo a abater. Mas também referência para o que deve prosseguir e ser feito. Assim os povos o desejem. É isto a democracia, a expressão popular das diferenças, mesmos que estas, absurdamente, se expressem em capitólios que deveriam e devem dar voz também a estes; e não só aos que presumem ter “ganho”.
Sejam felizes e deixem-se de merdas.
Sim, é uma banalização do nazismo e a comparação entre os EUA e a Alemanha nazi é obscena. Nada disse, porque não li. Onde escreveu BSS isso?
Bastar-lhe-á “clicar” em “Trump não tomará cianeto”, que está no segundo parágrafo do meu postal, e acedará ao artigo.
“jpt”, teria sido interessante perceber porque, para si, o tal «texto do renomado sociólogo Boaventura Sousa Santos», alvo deste seu “post”, «surge imensamente mais leviano, indo muitíssimo mais longe nessa “normalização” do nazismo, na sua “banalização”» (do que as idiotices “ditirâmbicas”, também agora “habituais”, do JRS) mas “prontos”, «Nem vale a pena comentar o conteúdo»… fiquem apenas com «o habitual (no autor) ditirambo contra os EUA, e para isso ali se compara – em retórica de “analogia” – Hitler e Trump, Himmler e Pence, os passos ocorridos no final do regime nazi com este final da presidência americana.»
O artigo do BSS começa logo por afirmar que «Trump não é Hitler, os EUA não são a Alemanha nazi (…)» e vai por aí fora, apontando “semelhanças” («não é possível evitar uma comparação entre Trump nestes últimos dias e os últimos dias de Hitler. (…) Os dois, tendo perdido o sentido da realidade, dão ordens que ninguém cumpre e, quando desobedecidos, declaram traições, e estas vão chegando até aos mais próximos e incondicionais») que, em nada “normalizam” ou “banalizam” o nazismo, mas apontando também os limites dessas comparações: «Tal como Hitler se recusou a acreditar que o Exército Vermelho soviético estava a dez quilómetros do bunker, Trump recusa-se a reconhecer que perdeu as eleições . Terminam aqui as comparações» e passa às diferenças: «Ao contrário de Hitler, Trump não vê chegado o seu fim político e muito menos recolherá ao seu quarto para, juntamente com a mulher, Melanie Trump, ingerir cianeto, e ter os seus corpos incinerados, conforme testamento, no exterior do bunker, ou seja, nos jardins da Casa Branca.»
E não é por mero acaso (seja ele de que ordem V. queira rebuscar) que a Irene Flunser Pimentel não se indignou com o artigo do BSS… e não, ela não é uma esquerdista – antes pelo contrário!
“seguidismo apatetado “epistemicídio” é também o recorrente tom dos comentários sobre o personagem Trump, o Presidente dos EUA, durante os últimos 4 anos.
Ele não meteu os EUA em mais uma guerra, como o seu antecessor, o Prémio Nobel da Paz Obama. Ele estragou o desequilibrios comerciais EUA/R.PopulardaChina.Ele não aceitou a China, durante mais uma dúzia de anos, a poluir com as suas infindávei centrais a carvão.
Ele obrigou a Alemanhã a despender 2,5%(!) com a NATO.
Internamente, num País com 60% de caucasianos (a óbvia supremacia branca), 18% de hispânicos e 12% de afros, o desemprego de estas duas minorias diminuiu significativamente….
Aclarou quem é a “Bigfarma”, a panfletária comunicação social, o lápis azul IT ao serviço do partido democrata. Uma CIA e o FBI em roda livre …
Ontem uma senhora -com a luz ainda acesa- chama todos nomes ao fulano porque foi apanhada uma gravação em que ele mencionou o óbvio, o que toda a gente sabe, quanto a ocurrências em privado entre duas criaturas humanas. Será uma relação taõ importante entre a actividade de um política e a vida intimidade de alguém?.
O homen não é nem nunca se apresentou como padre, minha senhora!. Não há pachora.
A questão nato/trump teve a ver com o não haver compras de material aos usa.
O homem só vê negócios em tudo que surja. Ele não é um presidente de um país, ele funciona como um presidente de uma empresa ‘usa corporation.’. Provavelmente pensa ser um sultão, mas os usa não são uns emiratos,
«Internamente, num País com 60% de caucasianos (a óbvia supremacia branca), 18% de hispânicos e 12% de afros, o desemprego de estas duas minorias diminuiu significativamente….» as-done-for-black-people
Dados de Set/2019(a), Jan/2020(b) e Set/2020(c) (em %):
– “caucasianos”: 3.2 / 3.1 / 7.0
– “afros”: 5.5 / 6.0 / 12.1
– “hispânicos”: 3.9 / 4.3 / 10.3
Variações entre períodos seleccionados (b-a / c-b / c-a):
– “caucasianos”: -0.1 / +3.9 / +3.8
– “afros”: +0.5 / +6.1 / +6.6
– “hispânicos”: +0.4 / +6.0 / +6.4
Fonte: https://www.vox.com/21524499/what-trump-h
Os “significativamente” são todos positivos e não negativos…
O Anónimo a 09.01.2021 às 21:47 era eu, Irene Flunser Pimentel. Não sei porquê mas apareci como “anónimo”. Nada disse, porque não li BSS, mas agora vi o que ele escreveu no contexto. Nem sou esquerdista, embora seja de esquerda, nem fã de BSS, mas o que ele disse tem de ser colocado no contexto do que ele próprio disse, como já foi assinalado aqui num comentário. E sou completamente contra a banalização da Shoá e do nazismo, seja à direita como à esquerda.
Obrigado pelo esclarecimento. E concordo consigo, o que o autor escreveu tem que ser contextualizado. Não serei juiz em causa própria mas não me parece que eu tenha descabeladamente descontextualizado o conteúdo do artigo (mas posso estar errado e ter sido particularmente incompetente enquanto leitor). Pois as analogias, mesmo que explicitamente limitadas (como o são no texto) têm um sentido. E, muito mais do que tudo, a recepção textual promove essa “banalização”.