Anteontem, Belzebu deixou Washington e entrou o Arcanjo Gabriel, com hino de Lady Gaga, sob comedido aplauso local e entusiástico entre nós. Excepto pelo amor do cozido à portuguesa, sinto-me muito pouco irmanado com a maior parte dos meus concidadãos. Por isso, tencionava deixar consignada neste canto a minha opinião, que naturalmente respeito. Mas calhou ler um texto que apreciei e que por isso, a benefício dos leitores que não sabem inglês, traduzi. O autor chama-se John Hinderaker, e são dele portanto os méritos da opinião; e as deficiências da tradução minhas.
TRUMP LUTOU CONTRA O PÂNTANO, E O PÂNTANO GANHOU
Donald Trump foi facilmente, na minha opinião, o nosso melhor presidente desde Ronald Reagan. As suas realizações são impressivas: as leis sobre Cortes nos Impostos e do Trabalho, o maior esforço de desregulamentação desde sempre, a melhoria dos acordos de comércio, a baixa recorde do desemprego, o aumento substancial pela primeira vez em décadas dos salários para as famílias operárias e da classe média, o encorajar do desenvolvimento dos recursos de petróleo e gás, o recuo do politicamente correcto e da teoria crítica do racismo das instituições, etc. E, no fim, a Operação Alta Velocidade, baixando as barreiras regulamentares para acelerar o desenvolvimento de vacinas contra a Covid em tempo recorde.
O registo da política externa de Trump é igualmente impressivo: enfrentando tanto a China como a Rússia, revigorando a OTAN, destruindo o ISIS, tratando Israel como um aliado e não como um pária, e dando largos passos a caminho da paz no Médio Oriente. Tudo enquanto evitava com sucesso operações militares no exterior.
As realizações de Trump são ainda mais notáveis tendo em conta a incansável hostilidade e obstrucionismo a que foi sujeito desde o dia em que tomou posse. A peça de resistência foi, claro, a aldrabice do conluio com a Rússia, paga pela campanha de Hillary Clinton, adoptada pelo FBI e outras agências governamentais, e institucionalizada sob a forma de um procurador especial. Nunca nenhum presidente foi sujeito a nada de parecido, muito menos com bases tão ténues.
Mas isto não foi tudo: Além da aldrabice – acolitada, deve-se notar, pela comoção ucraniana e as destituições de ópera-cómica – Trump defrontou-se não apenas com oposição, mas ódio não-stop da imprensa, Grandes Tecnológicas e grandes empresas em geral, a Academia, Hollywood e o resto da indústria do entretenimento, as escolas públicas, a quase totalidade da burocracia federal (incluindo a porta giratória do burocrata/”perito”), o lobby chinês, em suma, o resto do Pântano.
Por que teve sucesso Trump tantas vezes, enfrentando tão incansável, e muitas vezes enlouquecida, oposição? Porque representava o povo americano, e as suas políticas faziam sentido. Quando Trump disse “América primeiro”, o mundo oficial desmaiou de horror. Mas, por outro lado, a maior parte das pessoas pensa que isso é a descrição da função de presidente. É um sinal dos tempos que o compromisso de um candidato presidencial de defender o povo americano, e promover os interesses da América, fosse visto por muitos como radical.
E todavia, no fim o Pântano ganhou. Há para isso, penso, duas razões. A primeira é o vírus de Wuhan. Para os Democratas, era um maná dos céus – más notícias, quando durante anos tinham sido esmagadoramente boas. A doença apresentava oportunidades sem fim para demagogia, e os Democratas aproveitaram-nas todas. No fundamental, a Covid, ou os confinamentos resultantes, privaram Trump da capacidade de concorrer com o programa de maior sucesso para todas as reeleições: paz e prosperidade.
A segunda razão tem a ver com a personalidade de Trump. Como um herói da tragédia clássica, foi derrubado em boa parte pelos seus próprios defeitos de carácter. Está muito bem dizer que Trump era um lutador e que nunca poderia chegar onde chegou se não estivesse disposto a combater a imprensa e, para repetir, os Democratas. Mas cometeu demasiados erros, e a sua combatividade impressionou demasiados eleitores como beligerância e egomania. Foi o que, no fim, o afundou.
O contraste com Reagan é instrutivo, acho. Como Trump, Reagan era detestado pelos Democratas e a maior parte do mundo oficial. Até que Trump chegou, julgava que nunca veria outro presidente sujeito a um ódio tão incessante. Também como Trump, as políticas do primeiro mandato de Reagan foram altamente bem-sucedidas. Para ser justo, os sucessos de Reagan foram argumentavelmente mais espectaculares, uma vez que começou com o país num buraco mais fundo no que toca à economia e política externa. E Reagan não teve de se defrontar com uma epidemia que descarrilou o crescimento económico.
Mesmo assim: quando Reagan se recandidatou em 1984, ganhou com uma das maiores viragens da história, vencendo em 49 estados. Os Democratas chamavam a Reagan “o presidente Teflon”, a maneira deles se queixarem de os seus ataques não pegarem. De facto, falharam espectacularmente. Uma grande parte da razão era o feitio de Reagan. A sua equanimidade nunca falhava. A sua patente razoabilidade envergonhava os ataques histéricos dos Democratas. Era evidente para a maior parte dos eleitores que ele era simplesmente melhor homem, e mais sintonizado com os seus valores, do que os dos que o queriam atirar abaixo. No fim, vulneráveis como estavam os Democratas o ano passado, e por pouco atraentes que fossem os seus candidatos, a maior parte dos eleitores não tiraram a mesma conclusão a respeito de Donald Trump.
Assim, para resumir, dou a Trump um B+. Fez um excelente trabalho para o povo americano, cumpriu as suas promessas num grau notável, tendo em conta uma completa falta de cooperação dos seus rivais políticos. Mas no fim o Pântano ganhou, e Trump carrega alguma da responsabilidade pela sua própria queda.

Identifico-me plenamente com esta análise. Acrescentaria apenas: embora ainda vá demorar para se fazer clara luz sobre o episódio da invasão do Capitólio, este foi na verdade o tiro que afundou o porta-aviões. Tornou impossível que Trump possa criar um partido alternativo ou pense a sério em recandidatar-se. Foi tão culpado como vítima por ter permitido que uma franja enlouquecida da sua base de apoio se revelasse mais papista que o papa e tomasse conta dos acontecimentos.
Eu acho (acho mesmo) que “impressive” não deve ser traduzido por impressivo — é um anglicismo metido à força nos dicionários, que vem do jargões da internet e dos jornalismos menos informados e não tem um fundamento semântico na nossa língua (terá no Brasil, mas no Brasil.. enfim…).
A tradução correta é “impressionante”.
Sim, estaria correcto. Muito próximo do sentido (e do tom) do texto original, “extraordinário” também seria uma boa opção.
O registo da política externa de Trump é igualmente impressivo
Não concordo inteiramente com isto. É verdade que Trump fez um excelente trabalho ao evitar meter-se em guerras ou fomentá-las. Mas tomou atitudes inaceitáveis contra o comércio livre, nomeadamente com boicotes a empresas chinesas e russas, sanções inaceitáveis ao Irão, e a instrumentalização do dólar e da justiça extraterritorial ao serviço disso tudo.
Existe uma enorme diferença entre quem segue o que se passa na América, através dos canais convencionais e quem observa diretamente o que lá se passa.
Sobre o texto que aqui traduziu, e muito bem, permita-me uma breve análise.
Comecemos pelo princípio. A eleição. A ala democrata sempre viu com maus olhos a chegada de personalidades de fora do sistema. Penso que em Portugal acontece o mesmo.
Para o democrata, a política é para os políticos. A história de Reagan é um perfeito exemplo, Trump é a confirmação.
Por tradição, o candidato democrata é alguém que já vem com passado político, o democrata protege a casta.
Já do lado republicano, temos vários exemplos de presidentes sem cargos políticos prévios, como Eisenhower, Ulysses S. Grant e agora Trump. Mas também temos, por exemplo Reagan, que apesar de se ter candidatado com a experiência de governador, nunca teve carreira política antes disso.
Enfim, cria alguma confusão ser a esquerda a proteger a casta, mas é um facto e é apenas uma de muitas confusões e contradições que que surgem, quando analisamos o partido democrata.
Outro factor que o democrata não aceita bem, é o candidato empresário e rico. O fantasma da fonte da riqueza surge sempre, a inveja é dissimulada e a resposta mais habitual é corrupção. É assim em todo o lado, na América não é diferente.
Depois é a cultura. O democrata gosta do bem falante. Prefere uma boa oratória, do que um bom desempenho. Dá mais importância a convencer com histórias, do que com resultados.
A diferença entre Trump e Reagan é que Reagan viveu numa época de princípios. Os média, o entretenimento, a imprensa tinham gente de valor, ética e moralmente sólidos.
Hoje isso não acontece. A modernização das redes sociais e dos canais informativos trouxe facilidade de comunicação, mas também falta isenção, interesses e desinformação.
Na década de 80, a indústria do entretenimento não se metia em política, muito menos desrespeitava a figura do presidente, fosse ele quem fosse.
Hoje assistimos a um autêntico massacre. As coisas estão de tal modo politizadas à esquerda que figuras de proa e de reconhecido valor, se vêem ostracisados do mundo do showbiz, apenas por publicamente assumirem as suas orientações políticas.
Se reparar, não muito diferente do que se passa em Portugal.
Hollywood tem uma influência tremenda. E sim, foi Hollywood que tirou o tapete a Trump.
Não sejamos ingénuos e pensemos que foi a grande capacidade de Biden.
A América não vive numa euforia, como se tenta convencer. A América da classe trabalhadora e da classe média, vive expectante sobre se a qualidade de vida que viu ser-lhe aumentada, se vai manter.
E não nos esqueçamos que nos últimos 4 anos, a classe média aumentou. Mais pessoas passaram a ter rendimentos próprios e em mais quantidade, mais pessoas criaram os seus próprios empregos, a economia fluiu, pois as pessoas tinham mais dinheiro para gastar.
A pandemia foi um obstáculo, mas se na presidência estivesse um democrata, não seria um obstáculo, seria uma catástrofe. E como qualquer bom presidente democrata, a guerra seria a solução encontrada. A tal guerra que muito se prognosticou e nunca aconteceu.
A maravilhosa mulher (eu escrevi mulher e não feminista. Feminista é um produto de laboratório) e senadora da Geórgia, a Greene, há dias prometeu que faria um impeachment ao Biden logo que ele tomasse posse.
Como mulher, republicana e honrada que é cumpriu com o prometido.
Ontem a Greene avançou com o pedido do impeachment baseando-o nas seguintes verdades:
– Biden é um caloteiro que usou o seu cargo de vice-presidente para fazer as moscambilhas ucranianas e também ajudou que seu filho recebesse umas massas dos russos e chineses (os principais inimigos da américa) lá nos negócios energéticos;
Biden, que patrocinou esta situação e falsamente acusou o maravilhoso macho Trump de ter sido apoiado pelos russos, quer usar o seu cargo de presidente para se safar e safar seu filho.
Em resumo, a maravilhosa Greene, que certamente se atiraria para meus braços logo no primeiro encontro, não faz parte da nova ordem mundial patrocinada pelos filhos da puta do club de Bilderberg, onde os Clinton e Biden e Bush também foram recrutados, e é uma mulher com M, não se cala perante a avançada dos neofascistas e feministas reaccionários que pululam na América e no mundo.
Em Portugal estes neofascistas feministas reaccionários estão sediados no BE e no PS e andam mascarados por outros sítios.
Concordância absoluta.
JSP
Estou praqui a tentar perceber se isto é para rir ou para vomitar
Cumprimentos
Caro “Anónimo” das “17:47”, “isto é para rir E para vomitar” porque eles estão a falar a sério… tal como o autor do “post”.
Queridinhos anónimo e António, pode ser gravidez. E gravidez também pode provocar desejos.
Portanto, em nome do JMG e para saúde do nascituro, continuem a aparecer.
Aos leitores que encontraram no post propriedades eméticas desejo rápidas melhoras.