Eu só tratava avós e tios na terceira pessoa. Pais, irmãos e primos, sempre por tu. Há quem trate filhos por você. E até os cônjuges, algo que me soa muito mal.
E de ouvido bem afinadinho, não vá, a meio do atletismo de cama, sair à senhora um quase inaudível “não”, cujas modulações semânticas serão, passada uma década ou mais, basta, profunda e largamente debatidas num tribunal perto de si.
Hipótese avolumada, por mera coincidência, no caso de o “molestador” em causa ser milionário
Este mundo, ultimamente, anda cheio de coincidências, prezado Pedro Correia…
A terceira pessoa sempre é menos dolorosa do que “senhor”…
Mais gente a tratar por você? com esta coisa do “a querida está boa” deve ser medida maisómenos, mas iá, topei e ’tá fixolas 🙂
E as gentes que nos trataram por tu e passados uns tempos nos espantam tratando-nos por você? Teremos envelhecido por igual?
Achas? Pelo que ouvi, pareceu-me ficar contente; de tal forma que prometeu acrescentar dados aos “desvendados” pelo você-você-você Cavaco. Mas nunca se sabe muito bem o que sairá da mente de Passos Coelho, contrariamente ao que se espera daquele que parece ter sido tratado por você logo à nascença.
Eu sou a Tia há uma data de anos. Poucos , muito poucos mesmo, me tratam por tu. Outros é Menina, o que me deixa bem mais taciturna… Outros, D. Dulce, a maioria a Senhora, o que , não sei porquê me traz à ideia as guardas femininas de Auschwitz. Curiosidade: os espanhóis tratam-me todos por tu. Os Brasileiros por você. Os franceses por madame. Os Ingleses por Miss.
Dulce, estas coisas valem o que valem: são mesmo muito relativas. Se me chamassem “menina” (algo que nunca aconteceu) confesso que me sentiria muito incomodado.
Como sou arcaica, possidónia e antissocial não gosto de intimidades. Só uso o tu para o mais do que tudo, os amigos e as crianças (e neste último caso foi um passo difícil de dar).
Trato todos os outros na 3ª pessoa (sem o enervante você).
… ou quando dizemos a idade e ouvimos “ah”. só “ah”. quase um murmúrio. e continuam a olhar-nos nos olhos. são breves mas estranhos momentos, ao início.
Eu diria que, ao notarmos tal generalizada mudança semântica, começamos a sentir-nos velhos e irremediavelmente fora de moda: ainda não há muito tempo, aos estranhos dava-se o tratamento de “senhor” ou de “senhora” e ao indivíduo que, sem o conhecerem de lado nenhum, se colava a familiaridade a meio do caminho de um “você”, saia-lhe imediata e invariavelmente da boca um bem conhecido e vernáculo dito que referia habitação para gado e sua farta alimentação.
Eu trato todos os estranhos por você. Uso tu só mesmo para crianças.
Eu costumo tratar os estranhos por tu. Só trato por você quem conheço bem, como sucede consigo.
Sabemos que estamos mais velhos, quando quem não é nosso sobrinho, nos começa a tratar por tio!
Um abraço
Leão do Fundão
Gostei
Ainda sou do tempo em que era obrigatório tratar o pai e a mãe por você. Estou mesmo a ficar velho. Ó nostalgia!
Eu só tratava avós e tios na terceira pessoa. Pais, irmãos e primos, sempre por tu.
Há quem trate filhos por você. E até os cônjuges, algo que me soa muito mal.
É verdade, Pedro. Imaginemos cônjuges durante a acto amoroso, com f, a tratarem -se por você. Soa ridículo
– Dá-me licença?
– Faça o obséquio.
Hum… acho que sim.
E de ouvido bem afinadinho, não vá, a meio do atletismo de cama, sair à senhora um quase inaudível “não”, cujas modulações semânticas serão, passada uma década ou mais, basta, profunda e largamente debatidas num tribunal perto de si.
Hipótese avolumada, por mera coincidência, no caso de o “molestador” em causa ser milionário
Este mundo, ultimamente, anda cheio de coincidências, prezado Pedro Correia…
A terceira pessoa sempre é menos dolorosa do que “senhor”…
Mais gente a tratar por você? com esta coisa do “a querida está boa” deve ser medida maisómenos, mas iá, topei e ’tá fixolas 🙂
E as gentes que nos trataram por tu e passados uns tempos nos espantam tratando-nos por você? Teremos envelhecido por igual?
Um dos Pedros parece-me melindrado
Achas? Pelo que ouvi, pareceu-me ficar contente; de tal forma que prometeu acrescentar dados aos “desvendados” pelo você-você-você Cavaco. Mas nunca se sabe muito bem o que sairá da mente de Passos Coelho, contrariamente ao que se espera daquele que parece ter sido tratado por você logo à nascença.
Verdade.

Maria
Cada vez mais. É a vida, como diria o outro. Estava cheio de razão, fosse lá o que fosse.
Eu sou a Tia há uma data de anos. Poucos , muito poucos mesmo, me tratam por tu. Outros é Menina, o que me deixa bem mais taciturna… Outros, D. Dulce, a maioria a Senhora, o que , não sei porquê me traz à ideia as guardas femininas de Auschwitz.


Curiosidade: os espanhóis tratam-me todos por tu. Os Brasileiros por você. Os franceses por madame. Os Ingleses por Miss.
Dulce, estas coisas valem o que valem: são mesmo muito relativas.
Se me chamassem “menina” (algo que nunca aconteceu) confesso que me sentiria muito incomodado.
Também penso que deveria ficar incomodado, Pedro.
Porquê? Ser menino ou menina resume-se a um pequeno detalhe
Pedro, o tamanho não importa mas, enfim…
Como sou arcaica, possidónia e antissocial não gosto de intimidades.
Só uso o tu para o mais do que tudo, os amigos e as crianças (e neste último caso foi um passo difícil de dar).
Trato todos os outros na 3ª pessoa (sem o enervante você).
Eu sou mais “espanhol” que “brasileiro”: antes um sonoro tu do que um periclitante e omnipresente você.
… ou quando dizemos a idade e ouvimos “ah”. só “ah”. quase um murmúrio.
e continuam a olhar-nos nos olhos.
são breves mas estranhos momentos, ao início.
… ou quando dizemos a idade e ouvimos “ah, mas não parece nada, não lhe dava mais que x anos”
E nós a não acreditarmos…
🎼🎼🎼
Maria
essa é a fase anterior à que descrevo, Maria…
Mas as meninas, seguramente, ainda não têm idade, condição social ou habilitações literárias para ouvir coisas dessas.
Eu diria que, ao notarmos tal generalizada mudança semântica, começamos a sentir-nos velhos e irremediavelmente fora de moda: ainda não há muito tempo, aos estranhos dava-se o tratamento de “senhor” ou de “senhora” e ao indivíduo que, sem o conhecerem de lado nenhum, se colava a familiaridade a meio do caminho de um “você”, saia-lhe imediata e invariavelmente da boca um bem conhecido e vernáculo dito que referia habitação para gado e sua farta alimentação.
Eheheh… isso mesmo. Viva o vernáculo.