Trova ao vento que passa (3)


Pedro Correia,

 

Sabemos que estamos a ficar velhos no dia em que reparamos que há mais gente a tratar-nos por você do que por tu.

31 comentários em “Trova ao vento que passa (3)”

    1. Eu só tratava avós e tios na terceira pessoa. Pais, irmãos e primos, sempre por tu.
      Há quem trate filhos por você. E até os cônjuges, algo que me soa muito mal.

      1. É verdade, Pedro. Imaginemos cônjuges durante a acto amoroso, com f, a tratarem -se por você. Soa ridículo

          1. E de ouvido bem afinadinho, não vá, a meio do atletismo de cama, sair à senhora um quase inaudível “não”, cujas modulações semânticas serão, passada uma década ou mais, basta, profunda e largamente debatidas num tribunal perto de si.

          2. Este mundo, ultimamente, anda cheio de coincidências, prezado Pedro Correia…

  1. A terceira pessoa sempre é menos dolorosa do que “senhor”…

    Mais gente a tratar por você? com esta coisa do “a querida está boa” deve ser medida maisómenos, mas iá, topei e ’tá fixolas 🙂

    E as gentes que nos trataram por tu e passados uns tempos nos espantam tratando-nos por você? Teremos envelhecido por igual?

      1. Achas? Pelo que ouvi, pareceu-me ficar contente; de tal forma que prometeu acrescentar dados aos “desvendados” pelo você-você-você Cavaco. Mas nunca se sabe muito bem o que sairá da mente de Passos Coelho, contrariamente ao que se espera daquele que parece ter sido tratado por você logo à nascença.

  2. Eu sou a Tia há uma data de anos. Poucos , muito poucos mesmo, me tratam por tu. Outros é Menina, o que me deixa bem mais taciturna… Outros, D. Dulce, a maioria a Senhora, o que , não sei porquê me traz à ideia as guardas femininas de Auschwitz.
    Curiosidade: os espanhóis tratam-me todos por tu. Os Brasileiros por você. Os franceses por madame. Os Ingleses por Miss.

  3. Como sou arcaica, possidónia e antissocial não gosto de intimidades.
    Só uso o tu para o mais do que tudo, os amigos e as crianças (e neste último caso foi um passo difícil de dar).

    Trato todos os outros na 3ª pessoa (sem o enervante você).

  4. … ou quando dizemos a idade e ouvimos “ah”. só “ah”. quase um murmúrio.
    e continuam a olhar-nos nos olhos.
    são breves mas estranhos momentos, ao início.

    1. … ou quando dizemos a idade e ouvimos “ah, mas não parece nada, não lhe dava mais que x anos”
      E nós a não acreditarmos…
      🎼🎼🎼
      Maria

  5. Eu diria que, ao notarmos tal generalizada mudança semântica, começamos a sentir-nos velhos e irremediavelmente fora de moda: ainda não há muito tempo, aos estranhos dava-se o tratamento de “senhor” ou de “senhora” e ao indivíduo que, sem o conhecerem de lado nenhum, se colava a familiaridade a meio do caminho de um “você”, saia-lhe imediata e invariavelmente da boca um bem conhecido e vernáculo dito que referia habitação para gado e sua farta alimentação.

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