Três medidas urgentes (I)


Pedro Correia,

 

Redução do número de ministérios

 

Portugal já teve um  Ministério da Qualidade de Vida. Um Ministério da Comunicação Social. Um Ministério do Mar. Um Ministério do Equipamento Social. A nossa capacidade para inventar nomes de ministérios tão pomposos quanto inúteis é inesgotável.

A grave crise financeira em que mergulhou o país força-nos desta vez a usar a criatividade no sentido oposto: reduzir o número de ministérios, mantendo só os estritamente indispensáveis. Em época de apertar o cinto, quando pede ainda mais sacrifícios aos portugueses, José Sócrates tem o imperativo ético e político de alterar a orgânica do seu governo, sacrificando alguns ministérios e secretarias de Estado. E Pedro Passos Coelho, como líder do principal partido da oposição, tem a obrigação de exigir que esta medida se concretize sem demora.

Que ministérios suprimir? Quatro sugestões imediatas, correspondentes a 25% do total: Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas; Ciência, Tecnologia e Ensino Superior; Cultura; e Assuntos Parlamentares. António Serrano, Mariano Gago, Gabriela Canavilhas e Jorge Lacão são certamente pessoas estimáveis, mas as funções que desempenham parecem um luxo desnecessário numa administração pública agora forçada aos maiores constrangimentos. Desgraduar estes ministérios, passando-os a secretarias de Estado, daria um sinal adequado aos portugueses.

Não basta pedir sacrifícios aos outros: é necessário que o Governo dê o exemplo.

32 comentários em “Três medidas urgentes (I)”

  1. Extinção dos municípios. A câmara municipal da capital de distrito pode fazer o serviço e ainda sobra tempo. Extinção das Câmaras mas permanece o serviço de lixos e águas nas juntas.

    1. Percebo a sua proposta não tem qualquer viabilidade prática. E ameaçava provocar intermináveis guerras de campanário de norte a sul do país. Mas concordo consigo: Portugal precisa de um pacto de regime que possibilite uma reforma administrativa.

  2. Muito bem. Várias Secretarias de Estado também são dispensáveis. E é mais do que tempo de acabar com os Governos Civis.

    Igualmente parece razoável acabar com algumas pontes. Desde já, as que ainda não estão construídas.

    1. Acabar com os Governos Civis, com alguns Ministérios e Secretarias de Estado… e já que se está com a mão na massa, por que não repensar o mapa autárquico? Talvez tenhamos um número, vá, um bocadinho excessivo de Concelhos e Freguesias… mas há tachos, há tachos para dar…

      1. Suprimir concelhos e freguesias seria uma excelente medida mas jamais poderá ser uma medida urgente. É necessária uma lei-quadro, com maioria qualificada no Parlamento, implicando negociações a nível nacional com todos os interessados. Etc, etc. Demorará anos.
        Suprimir ministérios e respectivas secretarias de Estado, numa rápida remodelação governamental, isso sim, será exequível. Medida barata e emblemática.

          1. E no Alentejo temos Municípios com populações entre os 1500 e os 2000 habitantes (Monforte, Alandroal, etc.). Também não faz sentido.

  3. Reformular o mapa autárquico é a única solução para modernizar o País de forma séria – mas é comprar uma guerra dos diabos. Aqui sim, seria importante que as pessoas se mentalizassem do que é verdadeiramente Interesse Nacional em vez de puxarem cada um pelos seus santinhos.

    O ideal seria isto:
    http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/8/8f/PortugalNumbered.png/180px-PortugalNumbered.png

    Mas temos isto:
    http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7f/LocalLisboa.svg

    1. Vale a pena lançar o debate. A reformulação do mapa administrativo, como salienta, é fundamental para modernizar o País. Outra medida indispensável é a alteração da lei do arrendamento urbano.

  4. Acho que sim. Concordo com o principio… Mas qual o critério para a eliminação?

    Acabar com o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, penso que está bem. Como já praticamente não temos nada disso… Mas se esse é o critério, porque é que não eliminamos todos os ministérios que tutelam sectores que estejam de rastos, a começar pelo da Economia?

      1. É ! Fala-se muito e não se diz nada! É um silêncio com outra forma. Melhor seria se ficassem calados, porque quando abrem a boca não entra mosca. A Maria Guinot , cantava e era agradavel.

  5. Aproveitando a oportunidade, reduzir o número de deputados seria uma boa medida. São demasiados e alguns nem se dá por eles.

  6. Caro Pedro Correia:
    Admitamos como boa a solução que propõe e, pessoalmente, até nem me custa a aceitar. O que não vejo é qual o contributo dessa medida na resolução da grave crise financeira. A manterem-se os serviços que dependem desses ministérios, qual a diferença ? O salário dos ministros ? É pouco para tanto trabalho. Sim porque extinguir ministérios dá trabalho e, por sinal, até custa muito dinheiro. Saudações.

    1. Caro Francisco:
      Não me refiro ao impacto financeiro, mas ao carácter emblemático da medida. Não basta o Governo dar ordens para uma drástica dieta orçamental: é fundamental o próprio Governo emagrecer. Com os reflexos óbvios em número de assessores, adjuntos, secretárias, motoristas, etc.

      1. Ora Pedro, sabe como é terrível e exige uma força de vontade sobre-humana, e vontade de fazer força, emagrecer. Eu que o diga, que faço sempre dieta amanhã, sim, amanhã, citando o Sr. Nogueira.

  7. A ideia é capaz de ser boa, mas dos 4 que menciona, os 3 primeiros Ministérios têm a seu cargo serviços e estruturas bastante significativas que não podem simplesmente ser suprimidas ou reduzidas.
    Por outro lado, passar estas estruturas para a dependência de outros Ministérios acaba por ser pior a emenda que o soneto: na prática fica tudo na mesma, mas perde-se tempo e dinheiro na reorganização.

    O Ministério dos Assuntos Parlamentares é o único que poderia ser “facilmente” suprimido — ou então sou eu que desconheço totalmente a sua função.

    1. Qualquer dos ministérios que menciono, com excepção do Ministério da Agricultura, já foi secretaria de Estado. Não haveria, portanto, qualquer problema em ser desgraduado a esse nível. A Agricultura, essa, já foi desgraduada na vida real – infelizmente, se passasse a ministério ninguém notaria.

  8. Todos eles têm imensas funções e imenso que fazer, no entanto algo falha, pelo estado em que está o país até admira que não lhes tenha ainda acontecido nada.

  9. Em 2003, na Escola Naval (universidade da Marinha), foi feito um exercício pelos cadetes cursando Administração Militar sobre qual seria a melhor organização que devia ser adoptada por um governo português, para cumprir as mesmíssimas funções e objectivos que o governo real tinha, de forma a ser o mais funcional e eficiente possível.

    O número de ministérios era de… seis. 🙂

    É claro que quem propuser um governo de seis ministérios faz figura de lunático.

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