Há três anos que destaco um livro aqui no DELITO, todas as manhãs, sem nunca falhar. O que começou por mero acaso, como recomendação de duas dúzias de obras a adquirir na Feira do Livro de Lisboa em 2013, acabou por transformar-se numa rubrica diária: também destes acasos é feita a imprevisível vida de um blogue.
Já mais de mil títulos passaram por este espaço, que regista cerca de 150 mil visualizações por mês. Ao fim de todo este tempo as reacções que me chegaram de editores e autores contam-se pelos dedos das mãos – e sobram dedos, exceptuando naturalmente os casos de colegas de blogue e alguns amigos mais próximos. Não foi certamente para receber agradecimentos que lancei e mantenho esta janela de divulgação quotidiana de alguns dos melhores títulos que vão sendo impressos ou reimpressos por cá. Mas não deixa de ser significativo que na era da comunicação a generalidade dos escritores comunique tão pouco e tão mal, preferindo levantar muralhas em vez de estender pontes. Ao contrário do que sucede noutras latitudes. Nem precisamos de ir mais longe do que Espanha: repare-se na reacção espontânea e calorosa da grande escritora Rosa Montero, que aqui deixou uma merecida palavra de saudação à nossa Ana Vidal.
Se dependesse dos ecos que chegam ou não chegam, há muito que a série do DELITO teria acabado. Mas vai continuar porque faço gosto nisso – receba as reacções que tiver, haja o silêncio que houver. De qualquer modo, passados três anos, julguei ser tempo de deixar aqui este desabafo antes de seguir em frente.
Já fui.

Esta é uma das séries de posts que sigo antentamente no DO, assumo que já me levou a seleccionar obras, outras anoto mas não me decidi, mas considero importante que continue.
Eu pessoalmente não tenho muito feed-back de escritores de que falei, mas felizmente os que falaram foi em favor da oportunidade de eu divulgar as obras que li e postei.
Alguns escritores gostam de ser promovidos mas não mexem um dedo nesse sentido, Carlos. Ficam à espera que seja o editor a tratar disso. O editor, por sua vez, fica à espera que seja o autor a encarregar-se dessa tarefa. Acontece muitas vezes que ninguém faz nada.
Mas todos se queixam de vender pouco.
Completam-se hoje 90 anos sobre o golpe militar de 28 de Maio de 1926, que esteve na origem da ditadura autodenominada “Estado Novo”, que pôs fim às liberdades políticas e individuais.
Teve à frente o general Gomes da Costa.
Completam-se hoje 32 anos, 1 mês e 3 dias sobre a Revolução de 25 de Abril de 1974, que restabeleceu as liberdades políticas e individuais.
Teve como um dos relevantes obreiros o general Costa Gomes.
Interessante inversão de nomes e de valores. 🙂
32 anos? Olhe que não. São mais.
Pois é, a Revolução dos Cravos ocorreu há 42 anos e não há 32, pelo que me penitencio da minha fraca aptidão em cálculo mental. E tinha ao lado uma calculadora eletrónica. O algoritmo utilizado é que falseou a resposta. 🙂 Obrigado.
Que importa. Foi há tanto tempo e ainda não se libertaram disso. Libertem-se. Desapareçam.
Vou usar uma palavra muito na moda: esta tua série é muito estruturante para o blog, ainda bem que continuas. Pronto, já disse.
Sim, Teresa, vou continuar. A minha relação com o DELITO não depende de estados de alma.
(Obrigado pelas tuas palavras)
Não é segredo para ninguém que sou leitora atenta desta rubrica diária.
Pena é que não possam aqui aparecer excelentes livros (como o último da Rosa Montero) devido ao famigerado acordês, mas claro que compreendo e apoio o espírito destas sugestões.
Pois é, Pedro, de Espanha vêm bons ventos, bons casamentos (verdade!) e também gestos lindos como o da Rosa Montero de quem tanto gostamos.
🙂 Antonieta
Obrigado pelo seu incentivo contínuo, Antonieta. E por algumas sugestões que já aqui tem deixado.
De facto essa é uma regra de ouro: só divulgo livros que estejam escritos na grafia pré-AO90.
Assim tem sido, assim vai continuar a ser. E como se nota não faltam títulos – de todos os géneros.
Leio a rubrica desde que frequento este espaço fascinante que é o Delito de Opinião.
Muitos títulos, talvez mais apelativos que outros, me ajudaram na escolha de outros tantos companheiros de viagens, de férias, ou simplesmente de fim de dia.
Obrigada 🙂
Ainda bem, Dulce. Esse é o objectivo principal desta rubrica: dar pistas de leitura a quem por aqui passa.
Leitura variada, de vários estilos e géneros. Portuguesa ou estrangeira – sempre bem traduzida, nestes casos.
Nunca faltam bons títulos para divulgar. O problema, quase sempre, é o inverso: seleccionar apenas um por dia.
Excelente, Pedro!
Ainda bem que desabafou 🙂
Está feito, Cristina. Não gosto de deixar as coisas por dizer.
Danke!