Está a terminar a contagem dos votos nos Estados Unidos e Joe Biden prepara-se para vencer a Casa Branca, por margem mínima, talvez com irregularidades à mistura. Esta vitória parece ser o triunfo da máquina sobre a emoção. Trump representa uma rebelião de eleitores que se consideram vítimas do sistema, desencadeou devoção e ódios na mesma proporção, foi torpedeado sem contemplações. Biden é um político profissional que usou de forma habilidosa as ferramentas ao seu dispor. As manifestações nunca passaram certos limites de violência, a politização da pandemia foi a grande oportunidade, a tudo isto somou-se o voto por correspondência, mecanismo pouco seguro, onde o aparelho político terá sido decisivo. O Partido Democrático tem agora de pagar as facturas e esta pode revelar-se a parte difícil, pois parece que os dirigentes não aprenderam e vão preferir o ajuste de contas com a era Trump e com os deploráveis que votaram no presidente derrotado. Se Biden venceu, tem uma enorme dívida com os afro-americanos, mas não se vê como pode satisfazer esta comunidade. É também interessante verificar (e não é só Trump a dizer isto) que o Partido Republicano pertence agora aos trabalhadores e o democrático é o das elites, a América virada ao contrário. Se o processo não descarrilar na fase judicial, tudo indica que os americanos terão um líder idoso, com passado sem brilho, que fará avançar interesses não eleitos: o poder financeiro, a comunidade de espiões e diplomatas, o negócio das novas tecnologias, os barões da globalização desenfreada e os ideólogos e propagandistas da contracultura. Biden não entusiasma ninguém e o mais certo é não completar o mandato. O que estas eleições também revelam é um problema mais profundo da América: será o quinto presidente consecutivo com escassas qualidades pessoais. A intervenção de Trump, ontem, só confirmou a crise institucional: nunca se viu nada assim, um presidente tratado como se fosse líder da oposição numa ditadura, a acusar os adversários de fraude em larga escala. Se for verdade, a democracia está em perigo; se for mentira, isto é uma trapalhada sem nome.
Trapalhada e perigo
Luís Naves,

Não é só a América que está virada ao contrário. Na Europa e mesmo em Portugal, os papéis vão-se invertendo. Lembro-me de uma sondagem feita há uns meses, que deu resultados interessantíssimos. Nas tendências de voto no Alentejo, por exemplo, a esquerda está a perder terreno. Nas grandes cidades, perde para zonas de classe média, com a particularidade para o facto de perder cada vez mais funcionários públicos. Ganha nos jovens até aos 24 anos, principalmente na comunidade estudantil e ganha, por incrível que pareça, nas comunidades de classe alta.
Em França foram mais longe. Le Pen ganha na classe média trabalhadora, perde nas elites e volta a ganhar nos funcionários públicos, polícias e militares.
Incrível foi a análise de um professor universitário francês a estes números. Segundo ele, tal se deve ao facto de a classe média ser iliterada, de os militares e dos polícias serem de baixo nível intelectual e ético e a esquerda ganhar nas classes altas, por serem pessoas de mais elevada cultura e com valores mais incutidos.
Enfim, está tudo ao contrário.
O Trump não é”…um presidente tratado como se fosse líder da oposição numa ditadura…” é um presidente tratado como o mentiroso compulsivo que comprovadamente foi durante todo o seu mandato.
Biden será o presidente da violência política organizada, do racismo institucionalizado contra asiáticos e brancos e outros a jeito como os latinos, da continuada destruição das Universidades, do ataque à Liberdade de Expressão e à Constituição.
Mesmo assim a parte Democrata mais extremista não conseguiu ver a Proposta 16 aprovada, que queria acabar com a proibição de discriminação racial na Califórnia. Ainda há gente sensata nos Democratas.
“Se Biden venceu, tem uma enorme dívida com os afro-americanos”
Apesar de ter a maioria, esta reduziu-se, Trump foi o Presidente Republicano recente com mais apoio das minorias, e o apoio aumentou da primeira eleição para a segunda ao contrário dos brancos onde diminuiu.
A Democracia começou a estar em perigo a partir do momento em que só a Esquerda tem autorização para ir para as ruas fazer violência.
Ou seja, desde há uns 15 anos atrás.
Um governo de direita nunca poderá governar em Portugal com políticas de direita a não ser que tenha uma maioria que chegue aos 60%. A esquerda ao invés pode implementar políticas de esquerda com minoria simples.
lucklucky
Cortar a palavra a um candidato é próprio de uma ditadura. A comunicação social tinha o dever de transmitir o discurso de Trump. Os Americanos que fizessem depois o juízo que lhes aprouvesse. Quando todos são unânimes em vilipendiar um dos lados eu desconfio. E muito. Se calhar o Trump sempre terá alguma razão… 🤔
Eu desconfio é que só haja fraudes,como ele diz nos democratas. Então nos que votaram nele está tudo certinho?? Pois…
Trump é o que é (e é, de facto, mau), mas gostava de saber o que diriam as “boas gentes”, se fosse Biden a ganhar no voto preenchido e depositado nas mesas de voto, com controlo público da identidade do votante e das condições em que preenche o boletim, e, depois, fosse derrotado por uma enxurrada de votos quase todos a favor de Trump, depositados no correio, sem qualquer controlo quanto a quem, efectivamente, preencheu os boletins e em que circunstâncias os mesmos foram preenchidos (sendo que qualquer dirigente de uma concelhia partidária portuguesa sabe como converter moradas e cartões de cidadão em eleitores).
É isto!
Não, não é!
“talvez com irregularidades à mistura”. Bravo, o senhor sabe mais a milhares de quilómetros, que os observadores internacionais in loco.
Há imensos jornalistas e comentadores americanos a falar de fraude. O presidente dos EUA falou nisso e seguem casos para a justiça. Nas próximas semanas vamos ouvir falar no assunto. Se for verdade, é gravíssimo, motivo de destituição do futuro presidente Biden (se foi ele a dar a ordem).
Caro Luís, vai aí uma grande confusão: como se destitui alguém que não tomou posse?
Toda a verificação do acto eleitoral é efectuada antes da tomada de posse. Quando as eventuais irregularidades estiverem corrigidas, tomará posse quem estiver em condições de o fazer.
Esse facto inquina todo o seu texto: só há ilegalidades quando estas forem provadas. Até agora, nada. Mas vem aí – e bem – o escrutínio.
Além disso, fazer do Trump um coitadinho… olhe que ele não gosta disso, veja lá se ele o lê. Eu não quereria tê-lo à perna (livra!).
E essa das elites, dos poderes financeiros, da comunidade de espiões (a SPECTRE? a KHAOS?) e diplomatas, etc etc e etc, serem virtuosos na alçada dos republicanos, que de repente passam a vilões que obedecem às ordens dos democratas, esses grandessíssimos filhos do demo… faz lembrar aqueles livros que eram vendidos a 2$50.
E os republicanos que, do coche das elites, de repente passaram à abóbora do povo… a sério? Quem faz de fada na história? A Kellyanne?
A intervenção do Trump foi um monólogo sem direito a perguntas: o “nunca se viu nada assim” foi da sua total responsabilidade. E concordo consigo: nunca se viu nada assim.
Concordo realmente consigo num ponto: o Biden é fraquíssimo, e provavelmente não completa o mandato.
Melhores cumprimentos.
Já ouviu falar em Kompensan? O amigo revela a sintomatologia de quem está a precisar e em dose elevada.
😂😂😂😂😂👏👏👏👏
“Se for verdade, a democracia está em perigo; …”
A democracia não é um princípio e nem devia ser um valor; devia apenas ser um utilitarismo. Tal como a lei – desde que a lei natural foi abandonada como única fonte – é um utilitarismo para permitir a convivência sem permanentes conflitos, a democracia é um método para eleger os melhores.
Desde logo se conclui que as regras da democracia não têm nem devem ser universais, porque não são únicos os percursos históricos e as composições humanas das diferentes unidades políticas.
O que está em risco na América não é a democracia mas a república, e a ameaça não vem do lado de Trump. Do lado deste pode vir, isso sim, o incremento da conflitualidade até ao limite extremo – mas muito improvável – da guerra civil.
Se Biden que já deve um ano à estatística – 76 anos para homens – e já deu ligeiros sinais de demência senil – baralhar-se na identificação de filhos e netos – morrer antes de completar o mandato, com Kamala Harris na presidência a violência por desordem civil vai instalar-se. Aliás há a possibilidade de se iniciar ainda antes, porque vejo Biden muito rodeado da ala esquerda dos democratas e se a constituição do seu governo for muito influenciada pelos apoiantes de Bernie Sanders – os mais activos na campanha eleitoral – isso será provável.
Tenho para mim que esta trapalhada toda é culpa do Parlamento Europeu. Sempre que há eleições por esse mundo fora lá vai uma comissão de observadores para fiscalizar as mesmas e outurgar ou não os resultados. Sem o selo de garantia da dita comissão as eleições são garantidamente fraudulentas, daí que estranhe não ter visto nenhuma comissão para verificar o acto eleitoral nas terras do Tio Sam. Decididamente Paulo Rangel está a perder qualidades, não só não o vi deslocar-se como também não o vi pronunciar-se.
Que “post” mais descabido, Luís Naves… Todo ele recheado de meias-verdades («Joe Biden prepara-se para vencer a Casa Branca, por margem mínima» – “margem mínima”? Claro… nesta altura, é quase a de mais de 4 milhões e, se vencer, segundo o que li, os milhões de diferença até têm tendência para aumentar…), a habitual demagogia desavergonhada trumpista («talvez com irregularidades à mistura») ou da esfalhafatosa da Alt-Right («o Partido Republicano pertence agora aos trabalhadores e o democrático é o das elites» – deduzo que as “elites” – ou os tais “trabalhadores” – dos Republicanos são aqueles que em Charlottesville marcharam com archotes a berrarem palavras de ordem típicas das multidões nos anos 30… em Berlim), e revelações surpreendentes («será o quinto presidente consecutivo com escassas qualidades pessoais» – recuando como foi solicitado… e o último presidente com “qualidades pessoais” foi, é claro, o Ronald Reagan. Quem sabe, talvez por ele ter sido um delator de “comunas”, o “T-10” do FBI?!?).
Mas de facto, para mim, a cereja cristalizada em cima do bolo rançoso que é este “post”, até começa a partir de «A intervenção de Trump, ontem (…)»: «um presidente tratado como se fosse líder da oposição numa ditadura, a acusar os adversários de fraude em larga escala» – «tratado»? Mas não foi ele que discursou? Tratou-se a ele próprio? «Se for verdade, a democracia está em perigo» – É evidente que, para ele (e para os seus lunáticos exaltados), é a “verdade”: basta ver as provas que ele apresentou no tal discurso… já para não falar da atitude, de baratas tontas, dos seus apoiantes que ora berram que se pare a contagem dos “votos ilegais”, claro, num estado onde o Biden [que, segundo V., «não entusiasma ninguém (com 73 708 884 votos contados até este momento…) e (que) o mais certo é não completar o mandato»] vai aumentando os seus votos, ora berram que se conte todos os “votos legais”, onde até calha, julgam eles, o Trump estar a ganhar terreno.
Numa coisa V. tem razão: «isto é uma trapalhada sem nome» mas lá está, como todos os adultos até sabem, todos os miúdos mimados quando começam a aperceber-se de que o jogo não lhes está a ser favorável, a atitude normal neles é a de atirar o jogo ao chão, derrubar os peões e, em último caso, recorrer à birra de que os outros são batoteiros; mas isso até nem é uma novidade no lado Republicano: ver Bush v. Gore (2000).
Meu Deus! Eu que até simpatizava com a Tailândia desde o tempo em que me demorava sobre as fotografias nas revistas da rainha Sirikit.
Ou será que o mal já se tinha instalado em Luanda?
Este comentário vem de alguém que gosta de fazer estas provocações aos meus posts. É um problema seu, mas também uma chatice que me tira tempo e gasta a paciência. O senhor só consegue escrever asneiras e insiste neste tom irritante de especialista da treta. Não gosta das minhas opiniões, tem bom remédio, e pode ir ensinar outros que o aturem. Aliás, não levanta um único problema. Se soubesse alguma coisa sobre o método eleitoral americano, veria que em alguns estados decisivos a diferença entre os dois candidatos foi mínima. Percebe tão pouco do que comenta que, ao contar os maus presidentes na direcção do passado (sendo Biden o quinto consecutivo de má qualidade, temos de incluir Trump, Obama, Bush e Clinton), enfim, chegamos a George Bush pai, presidente com enormes qualidades pessoais, tal como Reagan. Todos os outros leitores, mais atentos, perceberam o que eu queria dizer: desde 1992 que não há um presidente de qualidade nos EUA.
… todos os miúdos mimados quando começam a aperceber-se de que o jogo não lhes está a ser favorável, a atitude normal neles é a de atirar o jogo ao chão, derrubar os peões e, em último caso, recorrer à birra de que os outros são batoteiros …
Este pequeno enxerto do seu texto descreve na mouche a atitude dos democratas desde que o Trump ganhou as últimas eleições.
Não há crise ! “Panta rhei” – sumulou, Heráclito.
https://ohomemlobo.blogs.sapo.pt/ve nto-7131
Problema deles, eles que o resolvem.
A fraude foi tanta que o melhor que a administração do Trump conseguiu fazer foi pôr o Rudy Giuliani (o tipo que foi enganado no filme do borat…) a falar sobre o assunto nas traseiras de uma pequena empresa, ao lado de uma livraria erótica… apresentando exatamente zero provas concretas….