Tragédias


Ana Vidal,

 

Parece incrível, mas a publicidade já foi assim. Mulheres penitentes, maridos magnânimos. Tragédias domésticas de proporções bíblicas, e… a salvação numa cerveja.

24 comentários em “Tragédias”

  1. Mais incrível ainda, se pensarmos que de toda essa penitência e magnânimidade, resultaram famílias felizes, de cujos filhos se recordam com imenso amor e saudade…
    Parece que nos dias de hoje, salva-se, somente a cerveja…
    Ou então… a míopia agravou-se-me.

    1. Meu caro Bartolomeu, isso é verdade (sem que seja uma verdade universal). Mas toda essa felicidade conjugal que os filhos recordam “com amor e saudade” teve, muitas vezes, um preço altíssimo para as mães deles.

      1. Nem todas as mães, cara Ana Vidal… a muitas, assistiu-lhes o amor que levava a que o magnânimo as abraçasse e as tratasse por darling… coisa a que hoje… nem no teatro se assiste…
        Mudam-se os tempos… muda-se a forma de amar.
        😉

        1. Claro que nem todas, Bartolomeu! Mas nas que tiveram essa felicidade genuína não podia haver a relação de forças que está neste anúncio. E é isso que eu critico, mais nada.

          Talvez tenha mudado a forma de amar, mas não necessariamente para pior. Pelo menos no ponto de vista das mulheres, porque há maior equilíbrio no que uns e outros podem decidir. Para os homens é mais incómodo? Claro que é, mas já era tempo de perderem o estatuto de “magnânimos”, não?
          Enfim, hoje estou muito feminista, está visto. 🙂

          1. Não vejo o seu comentário pelo ângulo do feminismo, cara Ana. E compreendo muito bem qual o ponto de vista que está a expressar.
            É obvio que concordo consigo no aspecto em que no tempo deste anúncio, muitas mulheres viam os seus direitos civis e políticos totalmente cerceados, não tanto pela ditadura dos maridos (que a esses, sempre as mulheres foram dotadas de predicados capazes de os levar ao ponto desejado) mas sobretudo pelos preconceitos sociais e religiosos, dependendo também muito, da zona geográfica onde viviam.
            Quanto à forma de amar… é minha opinião que mudou para pior, dado que, nos tempos actuais, tenho a sensação que as relações não assentam em bases sólidas de objectivos comuns. Parece-me que, fundamentado na prevalência da liberdade individual, as relações não atingem pontos de efectiva vontade de estar junto, de usufruir do outro, de partilhar e de atingir um estado de cumplicidade.
            Vejo deste modo, mas admito que não esteja a ver bem…
            😉

          2. E nisso tenho de concordar consigo. Mas mudou também, creio eu, o próprio objectivo das relações. É certo que os votos iniciais que fazemos continuam a ser para a vida inteira (é natural que se pense assim quando se está apaixonado, e ainda bem) mas o fim de uma relação já não é necessariamente o fracasso de uma vida, nem a sua preservação, a qualquer preço, o único objectivo. A sociedade também já não penaliza tanto quem “falha”, com os tais preconceitos sociais e religiosos. Tudo é mais incerto, é verdade, mas em certa medida tudo é mais honesto.

          3. Gostaria sinceramente de acreditar tanto como a Ana, na segunda metade da última frase do comentário antecedente.
            No entanto, independentemente das nossas crenças, no amor e nos seus cotovêlos apertados, e também nas suas amplas rectas, parece-me sensato crermos ambos na sofisticada influência da proximidade e do afastamento dos astros que influênciam e definem os que serão ardentes, os que serão mornos e ainda, os glaciais.
            Se formos por aqui, concluímos que nada decorre da vontade humana…
            😉

  2. Se esta publicicidade fosse contemporânea, a leitura seria outra: não havia penitentes (uma fingida que queria ir jantar fora) nem magnânimos (um safado que sabia que dava futebol na televisão).

  3. Ainda há. A Ana já reparou que publicidade aos automóveis é sempre feita com homens a conduzir, excepto aqueles que vêm equipados com um “sistema de estacionamento”? Aqueles que supostamente estacionam sozinhos… Esses são conduzidos por mulheres. Publicitários inteligentes, não há dúvida.

    1. Nunca tinha reparado nisso, Zélia. Mas isso só prova que as mulheres não gastam tempo nem energias com o que uma máquina pode fazer por elas… 😉

  4. De facto, não se percebe este anúncio. Por que raio estaria o fulano de fato escuro, apertadinho e engravatadinho, dentro de casa? Seria para condizer com a comida esturricada?

  5. Agora é o “contrário”. A mulher decidida e inteligente e o homem estúpido, desastrado. O homem claro – pun intended -com uma ressalva. Tem de ser branco.

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