O silêncio do mundo ocidental perante a luta que os habitantes de Hong Kong têm travado, para escaparem ao totalitarismo do Partido Comunista Chinês pode ter diversas explicações. Não pretendo elaborar nenhum ensaio sobre as várias dimensões que podem explicar o “olhar para o lado” do mundo que se diz defensor da liberdade. Mas há uma que salta à vista e que é a fragilidade financeira do nosso país, com especial relevo para com o estado chinês.
Há mais de duzentos anos, David Hume alertou que o endividamento a longo prazo dos países, além de imoral para com as gerações futuras, poderia colocar em risco a sua própria soberania. Os exemplos disso são inúmeros. Basta lembrar que o Canal do Suez foi vendido pelo Egipto ao Reino Unido exactamente como forma de pagar a dívida contraída pela sua construção.
No passado recente o mesmo aconteceu no nosso país, quando diversas empresas com participação pública, foram entregues à China em troca de uma ajuda para pagar dívidas contraídas. O mesmo repetiu-se na Grécia, quando tiveram de vender o Porto do Pireu e exemplos idênticos seguem-se pelo mundo fora.
E é esta fragilidade, de quem está na posição mais fraca, de mão estendida, que nos coíbe de alinhar no lado certo da barricada. Os mais incomodados com a “injustiça do mundo” – como se a nossa situação não resultasse de decisões legítimas e validadas eleitoralmente – poderão aliviar a consciência assinando uma qualquer petição on-line, indo em seguida ao frigorífico à procura de qualquer coisa para fazer uma bucha.
Quando estiverem no sofá, a saborear um qualquer petisco, convido-vos a todos a ver este vídeo.

No surprise there — é a falsa moralidade da esquerdalhada que agora se alambaza no poder e nos privilégios do Estado. Porque no fundo como não sabem criar nem ser livres, o que desejam é uma tirania em que todos sejam escravos menos os “secretários” e os familiares do poder que fornece as regalias e as excepções. O que os move não é um sentimento honesto de igualdade mas sim a mais pura das invejas: a inveja original da escrava de Abraão.
Lamentavelmente, V. .
E alguns figurões capricham no alambazar. Chega a ser ofensivo.
Mas é a fragilidade de quem está na posição mais fraca que nos coíbe de alinhar no lado certo da barricada?
Porque é que concordámos todos de livre vontade com as medidas draconianas de limitação da liberdade nesta gestão da pandemia?
Porque é que concordámos todos numa prisão domiciliária “voluntária”?
Porque é que concordámos todos em censurar os negacionistas?
Porque é que o mundo inteiro olhou para o lado quando a China começou a fazer os testes covid pelo cu?
Menorizar as pessoas, tirar-lhes a liberdade, tirar-lhes a capacidade de decisão não é exclusivo do totalitarismo chinês, infelizmente, nós, no mundo ocidental somos os próprios a concordar que nos suspendam a liberdade e os direitos.
Nao vi o video,mas sei que a globalização e identidade do genero foram inventadas e impostas ao mundo pelos chineses.
“do mundo que se diz defensor da liberdade. “
Onde é esse mundo ?
O extremista Presidente Americano fez um ataque directo à Liberdade e Democracia com a proposta de imposto único mundial para as empresas. Atacando a Liberdade.
Em Inglaterra estamos aqui, ver o vídeo: s/1389180850080735239
https://twitter.com/TitaniaMcGrath/statu
Lindo video. Eu avisei: quando os mulás e os monhés forem em maioria, vamos ter de fugir para a Rússia. Aquela gente onde aterra já não larga nunca mais e vão proibir tudo, sobretudo as tradições de liberdade. Aliás, já estão a proibir tudo com a complacência das estúpidas das catarinas martins nas universidades. Nunca vão aprender que não há convivência possível até os fanáticos lhes caírem em cima, as violarem todos os dias e atirarem os maricas dos telhados para o meio da rua. Que é o que eles fazem lá nos buracos onde os filhos da escola pública até fretam barcos para os irem buscar. Gente estúpida, estúpida. Tudo o que lhes acontecer seria bem feito se não tivesse de acontecer também aos que já estão a ver o filme todo.
Se a cultura anglo-saxónica entrar em modo neo-Marxista totalitária , pode esperar uma separação entre a Europa e os EUA e o fim da NATO.
Nunca esteve em cima de mesa que Hong Kong se tornasse independente. Só alguém muito distraído ou muito ingénuo poderia pensar que a China não ia tentar incorporar o território no país e fazer valer aí as suas leis. Não acredito que quem negociou a entrega de Hong Kong (e a de Macau) não tivesse previsto este desfecho. Enfabularam uma solução de um país dois sistemas para doirar a pílula à população. Esta foi dormir com a fábula do país dois sistemas e agora está a acordar. É só isso.
Se o problema fossem as dívidas, estávamos bem, mas o problema é que ninguém quer entrar em guerra com a China por causa de territórios que não se querem manter.
No tempo de Trump foi dita muita coisa, até que, ao contrário dele, Putin era previsível e a China era respeitável nas relações internacionais. Mas parece que muita coisa mudou em pouco tempo. O Trump desapareceu do mapa, Putin continua a fazer surpresas e a China a não cumprir o combinado com HK. Com Macau acontecerá o mesmo, embora numa escala mais ténue e com menor oposição.
Algo não mudou, e não mudará. A China não tem aliados, apenas parceiros comerciais.
Paulo Sousa, o aparecimento dos “separatistas” (https://en.wikipedia.org/wiki/Localist_ groups_(Hong_Kong)) em Hong (e não Honk, corrija sff) Kong – ah, e não os confundir com os chamados “pró-democracia” – obrigaram a (ou facilitaram à) China (por acaso, governada pelo PCC… porque se fosse governada por um qualquer outro regime, também a acabaria em) a levar a questão da região a um outro patamar. E não, não só não houve o tal «silêncio do mundo ocidental» com que, aparentemente, justifica o seu “post”, como até houve (muitas) acções, na forma do agora tão estafado recurso a sanções. ich-countries-drained-152tn-from-the-glo bal-south-since-1960?fbclid=IwAR1NIVy27g lzC92DwTeL1BKOloWr2pXlmBEZUZEXOLgC-wF7y1 _sq7e3Kas) não o fazem, infelizmente só nos resta os “bandidos” do “sul” – mas mesmo assim convém esclarecer que, até nem tanto como investem na (“frágil financeira”) Suíça.
Portugal? Bom, na verdade, na escala dos interesses vários da China, Portugal até está (ligeiramente) abaixo da importância que dedicam à Guiné-Bissau, o que até é natural: somos conhecidos por não nos predispormos a humores diplomáticos. É claro que eles investem muito na nossa economia/finança – se os nossos supostos “parceiros naturais”, do «mundo ocidental» (https://www.aljazeera.com/opinions/2021/5/6/r
Li algures que «Entre 2000 e 2017, Portugal ocupou o décimo lugar no Top10 dos países que a China mais investiu»: “graças a deus” somos apenas os 10.os a sofrer da tal «fragilidade financeira».
Sobre o resto do seu “post” o que tenho para dizer, quando ele parte do exemplo de que «o Canal do Suez foi vendido pelo Egipto ao Reino Unido exactamente como forma de pagar a dívida contraída pela sua construção» é que a História que conheço, mesmo apesar de poder estar errada, ensinou-me que em 1875, Isma’il Pasha, o então governador, da dinastia Muhammad Ali, dessa parcela do império Otomano, devido a dificuldades financeiras várias, em resultado das suas supostas “extravagâncias” de tentar trazer o Egipto para arena das potências imperiais de então («a ironia da situação foi a de que o Egipto tendo adoptado os seus esquemas de desenvolvimento para garantir a independência da dominação otomana e europeia. No entanto, a cada nova concessão, o governo do Egipto tornou-se ainda mais vulnerável à usurpação europeia.» – Eugene Rogan, The Arabs: A History), acabou por ter de vender os 44%, que detinha na original francesa “Compagnie Universelle du Canal Maritime de Suez”, ao Reino Unido…
Na verdade, só em 1888, em Constantinopla, Império Otomano, depois de uma reunião das principais potências imperialistas de então, o Egipto passa a, legalmente, ser “responsabilidade” do RU e, mesmo apesar da oposição de França, a também administrar oficialmente o canal do Suez; Os franceses acabariam por se contentar com o domínio (e a maioria dos lucros) da companhia que administrava o canal.
Já corrigi. Obrigado. 7068498543841288
Ao chamar separatistas a quem apenas quer fazer cumprir um acordo assinado válido por 50 anos, é algo que aquele moço de rabicho que fazia parte do governo espanhol diria. As escolhas dele já as conhecemos. Viu esta?
https://twitter.com/dlacalle/status/138
Caro PS, não querendo abusar da sua paciência, gostaria de lhe dizer, já que até a despropósito foi buscar um “nuestro hermano” que, deles (mas agora, a propósito) só me lembrei daquela frase (de Miguel de Cervantes) do “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay” e acredite-me – já que não acredita na, por mim citada, Wikipedia (na volta, são um dos muitos braços do marxismo cultural, não?) – quando lhe digo que, por lá, mesmo até Eu não acreditando neles, que os separatistas existem, existem sim: eu quando os vi a acenar a “Union Jack” e a bandeira colonial, a única coisa que me veio à cabeça é que pretendiam convencer-nos de que estavam a sofrer de uma espécie de amnésia colectiva… os “kwai lous” até deixaram de o ser, naqueles momentos!
Ah, e se julga que eles são «quem apenas quer fazer cumprir um acordo assinado válido por 50 anos» é porque (1) V. não só não os conhece (não, eles não são “liberais” – eles exigem uma HK “ariana”! Sim, sem os “cães chineses” (os do continente) mas também onde as “cadelas” filipinas e indonésias sejam no máximo possível, conduzidas à sua condição natural, a de escravidão) como (2) demonstra desconhecer que o tal acordo que V. evoca, até acabou materializado numa coisa chamada “Basic Law” que passou a ser uma espécie de constituição para a ex-colónia mas que, ó problema dos problemas, só pode ser interpretada por um organismo superior da RP da China (logo no seu artigo 1 ficou escarrapachado que «The Hong Kong Special Administrative Region is an inalienable part of the People’s Republic of China.») O tal “acordo” é História! História que deu origem à tal lei básica!
Sim, eu sei que há o tal mantra do “Um país, dois sistemas” mas isso é apenas o resultado de uma manhosa leitura do dito que, evidentemente, tenta subverter a verdadeira mensagem inscrita na “Basic Law” que apenas diz que um, é o “The socialist system” e o outro, o “the previous capitalist system” (artigo 5, da Lei Básica). Insistir que se deveria ler o “2.o” como “sistema democrático” não deixa de ser uma tortuosa via que só pode ser desavergonhadamente adoptada, por exemplo, por um tal de Chris Patten que, entre 1992 e 1997, resolveu abandonar de vez a tradicional práxis colonial de considerar os chineses como dignos pares dos melhores amigos do Homem, para os considerar como pares dos restantes pares dos melhores membros da Commonwealth, todos eles eternamente ex-caninos mas não, nunca, britânicos: ele foi dos que viu ou defendeu que, na atribuição do nosso (meu, seu e de qualquer tuga) único passaporte* aos “nossos” chineses, havia o perigo iminente de uma “invasão chinesa” da Europa.
Deduzo, lendo a História, que o Patten é um adepto incondicional da Democracia versão Pimenta no dito dos outros é refresco, ou não tivesse sido ele mais uma daquelas habituais personagens mitológicas do colonialismo britânico em decadência: o “The Last Governor” (https://vimeo.com/144476802)!
* O RU, ainda hoje, mantém um sistema de vários passaportes “democraticamente hierarquizados” de acordo com princípios rácico-sociais coloniais: há os “sirs”, os “outros e os restantes, como um amigo meu que tem garantida a sua residência na Austrália, Canadá e EUA mas no RU é um dos “overseas”.
Sim, entendi o seu ponto. A RPC quer acelerar o corte das ligações deste território com a ditadura britânica, e avançar assim mais rapidamente com a democratização. Faz sentido.
O “lado certo da barricada” não é, em minha opinião, imiscuirmo-nos nos assuntos internos de outro país. Muito menos tratando-se de um país do qual Portugal é amigo há já cinco séculos.
Timor é um país bem mais recente e por isso, nessa lógica, deve merecer o quê? O nosso desprezo?
Quem diz isso, aplica regras diferentes para com outros países.
Ah! E esqueceu-se assinar.
É difícil escolher o lado certo da barricada quando ainda não se sabe quais e quantos vão ser os lados.
Depois de 1945 os americanos asseguraram a liberdade de navegação e de comércio enquanto ao mesmo tempo também dispensavam a moeda que permitia esse comércio; em troca apenas exigiram o alinhamento contra a URSS. É difícil de aceitar a certas trincheiras ideológicas mas é uma verdade primária que sem os 70 anos de “pax americana” o desenvolvimento dos tigres asiáticos e da China não teriam sido possíveis.
Logicamente, desde o colapso soviético em 1991 que os EUA estavam não só a gastar biliões sem contrapartida como estavam a proteger os seus próprios competidores económicos, isto é, a agir contra os interesses americanos. Completamente inaptos em política externa, Bush pai e os que se seguiram, não definiram uma política face à nova situação. Trump também não o fez mas, ao menos, reagiu pela negativa: não se meteu em guerras, retirou ou diminuiu forças americana por todo o lado. Desiludam-se todos os que pensam que a retirada do Afeganistão e Iraque, o acordo com a Coreia do Norte, a entrega da contenção à China no Pacífico ao Japão, Coreia e Taiwan, o Médio Oriente (a jóia da coroa da política externa da administração Trump) a diminuição de forças na Europa e mesmo o corte do financiamento e afectação de navios à NATO, foram loucuras de Trump. Com “nuances” iriam acontecer sem Trump e irão ser continuadas depois dele. Quer para Trump quer para Biden é curial a frase – cunhada por José Meireles Graça – olhem para o que faz e não oiçam o que diz (de memória).
Dos lados da barricada, apenas se sabe com segurança que a China estará num e os EUA no outro. Não se sabe que a inevitável competição EUA/Rússia evoluirá para inimizade. Trump tentou impedi-lo não hostilizando directamente a Rússia, Biden apontou directamente à inimizade, parecendo agora provável que Moscovo alinhe com a China (a presença de navios chineses no Atlântico à boleia da Rússia e que até alarmou o nosso ministro Cravinho é sintomática).
Por outro lado, a Alemanha afrontou os EUA na questão do Nordstream2 e na Huawei (mais uma vez sem diferenças entre Trump e Biden) e está muito envolvida economicamente com os chineses (Merkel deslocou-se várias vezes à China). Considero também sintomático que a propaganda hipócrita de Biden com as vacinas tenha merecido um comunicado e declarações “soft” da UE no Porto mas uma declaração clara e inequívoca de Merkel (que não foi ao Porto).
Pessoalmente “cheira-me” que o novo desenho do mundo vai ser decidido no eixo Índia/Paquistão e que tanto poderá vir a ser uma nova guerra fria entre China+Rússia e outros contra EUA e outros como uma reedição de Bandung, agora com a Índia a liderar uma terceira aliança de não alinhados.
P.S.1 Uma nova guerra fria é o cenário optimista. O catastrófico seria uma guerra nuclear; o muito mau seria uma guerra generalizada mas sem utilização de armas nucleares (o pior da 1ª Guerra foram os gases mas na 2ª ninguém utilizou armas químicas nem biológicas e existiam). O mau seriam conflitos regionais diversos para definir as áreas de influência, com disrupção de comércio e fornecimentos de energia. Conflitos localizados serão inevitáveis, quase certamente no Médio Oriente, possívelmente no Cáucaso entre países da ex-URSS.
P.S.2 Nada digo sobre a Europa porque seria demasiado extenso.
Foram os Americanos que colocaram/deixaram os Comunistas Chineses controlar a China sabotando os nacionalistas.
Sines, o porto europeu de águas profundas virado para o atlântico sul, calhou-nos na rifa. Logo a nós, os endividados de mão estendida. Esta peça da linha da frente do tabuleiro para que lado irá cair? Isso será um tema bom de seguir.
Transcrevo de um meu comentário no Observador em 26/3 e em resposta à pergunta:
“E Portugal já está nas mãos dos chineses?”
Portugal tem muito mais capital chinês do que seria prudente mas, como o mesmo acontece com o capital espanhol o problema é mesmo Portugal e não os estrangeiros.
Brevemente teremos uma pedra-de-toque. Como se sabe as duas únicas empresas que apareceram no concurso para Sines 2 eram chinesas e o embaixador americano fez saber em entrevista ao Expresso quais as consequências da adjudicação aos chineses.
Passou despercebida uma visita ministerial ao Japão mas como não se conhecem resultados, provavelmente deu em nada.
Ora a equação tem de ser resolvida. Com o domínio sindical que temos, países democráticos dificilmente aceitariam gerir Sines o que evidentemente não afecta os chineses que lidaram com isso no porto do Pireu: nem sindicatos nem direitos sindicais nem nada.
Por isso aguardo a adjudicação de Sines 2 antes de oferecer uma resposta à pergunta.”