
Parece que uma das brilhantes propostas da conferência “Pensar o Futuro” é a reintrodução do serviço militar obrigatório. Estes conferencistas têm excelentes ideias sob a forma como dar resposta às expectativas dos nossos jovens. Depois de Passos Coelho lhes ter proposto a emigração como solução para a ausência de saídas profissionais em Portugal, os conferencistas têm agora a brilhante ideia de os enfiar nos quartéis. Mas infelizmente como os nossos quartéis já foram quase todos desactivados, qual será o destino dos jovens incorporados no exército? Mandá-los combater os tuaregues no Mali?
Com ideias destas, não admira que a conferência tenha sido sujeita à lei da rolha, agora muito modernamente denominada de Chattam House Rule. Depois de um relatório do FMI chamado Rethinking the State, que era uma fraude monumental, surge agora outro relatório disparatado intitulado Pensar o Futuro. Parece-me sinceramente que este Governo anda a fundir os fusíveis com tantos relatórios sobre pensar e repensar, de que só chegam ao público as versões autorizadas. Quando acabar o mandato, terá produzido um monte de papéis inúteis sem ter feito uma única reforma que se visse. E que tal se se deixasse de encomendar relatórios e conferências a terceiros e aparecesse com medidas de reforma concretas? Não é isso o que se espera de um Governo?

Mesmo que o serviço militar obrigatório (SMO) seja reintroduzido, apenas uma minoria de jovens encontrará “saída” nele (a começar pela exclusão de 50% dos jovens, as mulheres). O SMO nunca absorverá, na prática, mais do que uma parte dos homens.
De qualquer forma, a reintrodução do SMO será para poupar dinheiro em salários a militares, e não para ocupar os jovens.
Tenho a dizer que, desde a guerra do Iraque, em que os americanos muito discutiram a fundamental diferença com a guerra do Vietnam (incluindo o facto de nenhum filho das elites políticas ter ido para lá misturar-se com a populaça), que passei a ver o serviço militar obrigatório de outro modo. Mas não numa óptica de contenção de custos, claro.
Excelente comentário, Isabel PS.
O Serviço Militar Obrigatório tem, e sempre teve, uma componente democrática: ele permite que o povo escrutine a guerra, porque todo o povo terá os seus filhos nela. Todo o povo fica a saber como é a guerra e pode então decidir se a quer fazer. E, muitas vezes, não quer.
É muito mais difícil fazer uma guerra com militares por obrigação do que com militares profissionais (que são, tipicamente, oriundos das classes mais pobres da sociedade).
Grandes comentários. Subscrevo integralmente…
Analise-se o que se passou na Áustria no domingo passado.
Reintroduzir o serviço militar obrigatório?! Esta gente droga-se…
Recordo que, em referendo recente, os austríacos recusaram o serviço militar profissional e vão manter o obrigatório.
Creio que os suíços também têm serviço militar obrigatório.
Sou contra o servico militar profissional. Fiz a tropa e detesto mercenários.
Estes “reformistas” de meia tigela deixam-me banzado. Desde os anos 80, para quem está atento a estas coisas e por lá andou, que se sabe terem sido introduzidos cursos nas FA (Forças Armadas), em particular na Força Aérea e Marinha, nas mais diversas áreas de especialização. Especializações estas que dota(va)m os instruendos de firmes conhecimentos e competências.
Todavia, nesta questão da reforma do estado, não compreendo como o estado ainda contrata serviços e especialidades a privados e não é capaz de contratar estes mesmos serviços e especialidades aos diversos ramos das Forças Armadas. Eu sei porquê, mas perguntar não ofende.
Se o estado usasse, quer no domínio da segurança quer noutros domínios, desde a saúde, informática – incluindo desenvolvimento de software – (antes designado por serviços mecanográficos), electrónica, electromecânica e mecânica, abastecimentos, manutenção, engenharia etc., estes recursos pouco aproveitados tenho a certeza que encontraríamos uma poupança significativa e menos desperdício que a todos beneficiaria.
O problema das Forças Armadas não reside na sua estrutura mas, isto sim, na inutilidade que os diferentes governos, por conveniências pouco claras, lhe têm atribuído.
A reforma do estado passa tão somente por colocar ao serviço da nação aquilo que o estado não usa e não quer usar.
As FA deixaram de ter o apoio popular a partir em que passaram a ser voluntária …
Profissão muito… muito bem paga… Lá para os lados das Bosnias e Libanos!
Não faltam milhares à chamada!
Concordo plenamente com o serviço militar obrigatório. Para além de muitos benefícios para a Nação, introduziria em certa camada de jovens as noções mínimas de direitos ,deveres e disciplina.
Quando os tuaregues lhe baterem à porta, diga-lhes quão amigo deles sempre foi!
A abolição do SMO foi uma das raras medidas decentes que foram tomadas pelo poder político em muitos anos. Diga-se o que se disser das vantagens e desvantagens da coisa, obrigar todos os jovens, independentemente da sua vontade, das suas convicções ou dos seus planos de vida, a ingressar no Exército por alguns meses é tudo menos democrático.
ora aqui está mais uma situação a repensar… a falta de aderência entre as rodas e os carris…terá sido tratada na tal conferência da falta de aderência à realidade?
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interio r.aspx?content_id=3015115
a parvoíce é só quererem que SMO dure apenas no máximo quatro meses!!??? deve ser no mínimo por volta de um ano e espero que seja introduzida tal medida o mais rapidamente possível…com os jovens a caírem no desemprego é necessário mante-los ocupados a fazer coisas uteis…principalmente os das grandes cidades…essa medida devia ser para ontem!!!
Olá a Todos…
Os militares não são mais que simples peças baratas, por exemplo tachas daquelas que se compram aos quilos, e que servem apenas e só para gerarem LUCRO! O único senão é que só geram LUCRO se estiver a decorrer uma GUERRA, caso contrário só dão DESPESA e da verdadeiramente inútil…
O principal objectivo de todas as GUERRAS é a geração de LUCRO seja de forma directa ou indirecta.
Mas mesmo dentro deste grupo de populaça que se farda, a divisão social está presente, e bem presente!
Uma coisa é certa… Todos os que mais desejam e ambicionam as Guerras são aqueles que não irão participar nelas, pois são estes os que irão LUCRAR com elas… E não se pode gozar os LUCROS se se estiver MORTO!
Quanto a estas tachas (militares)… Se tivessem dois dedos de testa bastava interrogar o Superior que determina que vá para a GUERRA sobre “Quais os verdadeiros motivos para esta GUERRA?”.
Claro que isto na prática não acontece pois a tropa é formatada para “não questionar” e é-lhe enfiada pela goela abaixo uma série de dogmas que apenas servem para o condicionar, e mais importante que tudo, para impedir que pense e raciocine.
Desde “Amor à Pátria”, “Fazer todos os Sacrifícios”, “Não discutir as ordens que recebe”… et cetera!
Concluindo… Sociedades que apregoam coisas do género “A vida humana é inviolável.” e “Em caso algum haverá pena de morte.” e “A integridade moral e física das pessoas é inviolável”, são completamente hipócritas pois todas elas possuem forças armadas… O único caminho lógico para se ser coerente, é se estas Sociedades abdicarem das forças armadas…
Abraços para Todos…
E se em vez de Serviço Militar Obrigatório ou SM Violuntário fosse introduzida a expressão FACULTATIVO?
Ou seja: os mancebos iam à inspecção e era-lhe perguntado se estavam interessados em servir nas Forças Armadas. Estou em crer que as FA tinham sempre candidatos em número suficiente para os quadros e acabava-se com a obrigatoriedade e o serviço semi-mercenário.