
Por estes dias, ficámos a saber que a Câmara Municipal de Lisboa estabelecia ligação directa com a ditadura de Vladimir Putin, especializada em eliminar adversários políticos, jornalistas e activistas de direitos humanos. Dados pessoais de três organizadores de uma manifestação anti-Putin na capital, dois deles de nacionalidade portuguesa, foram fornecidos pela autarquia à embaixada de Moscovo. Num chocante atropelo à legalidade democrática.
As explicações improvisadas pelo presidente da Câmara, em vez de travarem inevitáveis danos reputacionais para a sua imagem a três meses de eleições autárquicas, só agravaram a questão. Fernando Medina invocou a Lei que regula o exercício do direito de manifestação – datada de 1974, e portanto pré-constitucional – para justificar a transmissão daqueles dados. Acontece que nada nesta lei força autarquia alguma a remeter ficheiros de cidadãos, naturais ou estrangeiros, a uma representação diplomática. De resto, os canais de comunicação com as embaixadas existem ao nível do Ministério dos Negócios Estrangeiros, não das câmaras ou juntas de freguesia.
O recandidato socialista ao mais emblemático município do País pediu desculpa, confessou só ter sabido do caso pela comunicação social e ordenou uma «averiguação completa» ao sucedido. Se foi mero expediente administrativo, em piloto automático, não deixa de ser grave. Como se a câmara andasse à deriva, gerida por burocratas, sem responsáveis políticos.
Medina, que há quatro anos venceu em Lisboa sem maioria absoluta, enfrenta agora vozes críticas na sua própria família política. Ana Gomes, na SIC Notícias, não poupou palavras: «O que está em causa é muito mais que um erro. É um crime.» Vital Moreira, no seu blogue, foi também contundente: «Demasiado grave para ficar impune.» Juristas vários concluem que aquela prática, aliás reiterada, viola a Lei da Protecção de Dados vigente em Portugal desde 2019.
É o momento mais complicado na carreira autárquica de Fernando de Medina Maciel Almeida Correia, nascido no Porto há 48 anos e presidente da Câmara de Lisboa desde 2015. Um dos políticos portugueses que exercem em simultâneo o papel de comentadores na televisão – genuína originalidade nacional.
Tudo agravado pelo silêncio de António Costa, seu antecessor na Praça do Município: bem à sua maneira, quando o tema queima, o primeiro-ministro só falou cinco dias depois, aproveitando uma deslocação a Bruxelas para a cimeira da NATO: «Seguramente ninguém me vai pedir explicações sobre processos administrativos e ninguém tem dúvidas sobre o papel de Portugal relativamente à Rússia.»
Restou a Medina, nesta semana politicamente tão incómoda, inaugurar um jardim inacabado para desviar as atenções. Enquanto recebia um inesperado alento de Pedro Nuno Santos: «Ninguém tem dúvidas da adesão incondicional de Fernando Medina à liberdade e à democracia.» Ele que se acautele: quando os rivais nos elogiam, nem sempre é bom sinal.
Texto publicado no semanário Novo

Esperava diferente desfecho. Que o “inquérito” se perdesse entre um reality show e uma Taça da Liga. Afinal encontraram rapidamente o bode. Estamos a evoluir
Medina não tem uma réstia de vergonha. O que faz dele putativo PM.
O que dirá comentador Medina disto?
Em matéria de protecção de dados, prefiro realçar e parabenizar a lei húngara que vem revelar-nos isto: acron-a-merkel-16-lideres-europeus-assin am-carta-conjunta-em-defesa-dos-direitos-l gbtqi-e-contra-lei-hungara-costa-um-dos-v isados-nao-assinou anistas, neofascistas-estalinistas-nazistas.
“O novo diploma húngaro “introduz uma proibição da ‘representação e da promoção de uma identidade de género diferente do sexo à nascença, da mudança de sexo e da homossexualidade’ junto de pessoas com menos de 18 anos”, indicam os países signatários, condenando “uma forma flagrante de discriminação assente na orientação sexual, na identidade e na expressão do género”,
aqui:
https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/de-m
Os ditos líderes europeus não podem intrometer-se em matérias que dizem respeito à liberdade de preservar uma identidade natural, antropológica e cientificamente comprovada.
Viktor Orbán, nesta lei, é uma lufada de ar fresco e revitalizante numa Europa com líderes corruptos, lgbtistas-abortistas-feministas-eutanasi
Viva Órban!
Abaixo os neofascistas-estalinistas-nazistas europeus e bidescos (Biden) que pretendem programar as mentes desde a infância e implementar um estado persecutório contra a ordem natural!
Não à transferência de dados! Cada um fica com os seus!
De facto, o mais melindroso neste caso é o facto de o presidente da Câmara António Costa ter (aparentemente) dado ordem para alterar a prática, e essa ordem não ter sido acatada pelos burocratas. E o facto de uma lei de proteção dos dados ter entrado em vigor e os burocratas a terem desrespeitado sem rebuço.
Parece que a burocracia da Câmara anda às ordens de alguém (das embaixadas estrangeiras?) independentemente das leis do país e das ordens do presidente da Câmara.
É sinistro. É kafkiano.
Eu podia simplesmente escrever “ês tótó”, mas não, isso não é suficientemente clarificador da tua manhosice, pelo que só poso escrever “ÊS MESMO UM GRANDECÍSSIMO ENORME TÓTÓ GIGANTE”.
Então o presidente tony tosta deu ordens, ninguém as cumpriu nem ele sabia que as deu, nem isso era com ele, era com o balcão.
Seria o balcão do tamariz?
Anda mas é dar banho ao cão cá de casa, pois parece-me que ele tem pulgas atrás das orelhas. No plural, as pulgas e as orelhas.
Ponha burocratas nisso! Ouvi que a Câmara de Lisboa emprega 17.000 pessoas.Quantos milhares serão puros burocratas?
Já que ninguém põe o homem na ordem (ou seja na rua) pode ser que este “amigo” socialista o ponha. nto-europeu-escreve-a-medina-a-dizer-vio lou-direito-da-uniao-europeia-e-exige-re spostas/
https://observador.pt/2021/06/24/parlame
Não espero muito desta “família” mas sempre dá para entreter sem ser só a bola.
Não tecerei considerandos sobre Medina, o político, o presidente de Câmara. Parece-me que será o menos importante em tudo isto. Mas tenho a certeza do seguinte: uma vitória deste indivíduo nas próximas autárquicas será um evidente sinal da menoridade do eleitorado lisboeta. O caso é gravíssimo. E se, na verdade, não espero a grandeza da personagem em assumir responsabilidades (note-se, não lhe peço uma assumpção de culpa, simplesmente de responsabilidades), espero que o eleitorado lisboeta lhe dê uma lição de democracia. A sua vitória nas próximas eleições, na minha modesta opinião, será uma expressão da facilidade com os lisboetas aceitam a ditadura, seus ditames e condições. Pouco importa se esteja estabelecida em Moscovo, na Ajuda ou onde quer que seja. Nas próximas autárquicas olissiponenses, votar em Medina (neste Medina sem coragem democrática e que se refugia em subterfúgios burocráticos para maquilhar a trampa que exibe no rosto), é o mesmo que votar Chega: um hino à ditadura.
País de bananas governado por sacanas.
D.Carlos