The three desistentes


escafandro,

Dave “Não Sejas um Desistente”, tendo sonhado o referendo como uma fantástica ideia para vencer umas eleições sem consequências a longo prazo, foi o primeiro a anunciar ter decidido que desistir não era afinal vergonhoso ou pouco britânico e até à vista. Boris Johnson, que conseguiu mudar a paisagem política em nome de uma campanha que lhe poderia beneficiar a carreira mas em que parecia não acreditar verdadeiramente, ficou tão devastado por o jogo ter dado certo que resolveu também não ser o homem certo para liderar o país.

Agora Nigel Farage, um homem cuja carreira política inteira consistiu em empurrar o Reino Unido para a independência, preferiria não fazer mais declarações públicas sobre o Brexit, muitóbrigado.

No fim de contas, ele apenas apoiou a ideia da independência. Por que deveria manter-se por perto e sujar as mãos com questões práticas? Trata-se do Partido para a Independência do Reino Unido, não do Partido para o que o Reino Unido Deve Fazer Depois da independência!

Holly Baxter, jornal Independent (a acumulação de ironias…). Tradução minha.

 

 

Nota: O título é uma espécie de homenagem a um filme de John Landis sobre três indivíduos um bocado pantomineiros.

0 comentários em “The three desistentes”

  1. É curioso que nos últimos tempos os comentadores políticos portugueses se têm ocupado mais a comentar a situação política num país estrangeiro do que no nosso, como se esse país estrangeiro tivesse muita importância para nós.

    Os intelectuais portugueses nunca mais largam esta mania de se quererem armar em estrangeiros. No passado queriam ser franceses, agora querem ser ingleses ou norte-americanos.

    1. Você não leu os meus textos de ontem e anteontem, pois não?

      De qualquer modo, parece-me natural. O que se passa na UE afecta-nos. Na verdade, em tempo de globalização, o que se passa no mundo afecta-nos. Há um ano, discutia-se a situação grega. Hoje, discute-se a britânica. E também a espanhola. Em Novembro, provavelmente discutir-se-á a norte-americana.

      Mas registo a informação de que você acha preferível atermo-nos ao nosso cantinho.

    1. Cameron fez o que devia. Pela posição que tomaram, Johnson e Farage deviam assumir-se como disponíveis para liderar (o primeiro) e coadjuvar (o segundo) o processo de retirada do Reino Unido da União Europeia. Desta forma, dá ideia que preferem resguardar-se para, no futuro, poderem criticar o modo como a saída decorreu.

      1. Cameron fez o que devia.

        Não tenho a certeza.

        Sendo o governo o poder executivo, é obrigação dele, e em particular do primeiro-ministro, executar as decisões, neste caso do povo através do referendo, mesmo que discorde delas.

        Acho que um bom executivo deve estar abnegadamente pronto a executar, o melhor que souber, decisões legítimas, mesmo discordando delas.

  2. Apoio a escolha do tema. Os saber não ocupa espaço e as crises, os sobressaltos são fontes de saber.
    Posto isto sim, uma coisa é defender a saída de um (mau?) sistema. Outra será construir o novo, sistema.
    Farage cumpriu o que propôs. Agora, democraticamente, as forças politicas em presença, democraticamente já estão a funcionar, democraticamente.
    Mal comparado, ou não, M. Soares lutou para acabar com uma ditadura. Depois SÓ conseguiu prosseguir e implantar a SUA democracia.
    Capiche?.

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