
‘The Seekers’ é o último livro da ‘trilogia do conhecimento’, da autoria do historiador americano Daniel J. Boorstin. Cheguei a esta obra cativado pela descrição feita pelo jornalista Martim Silva, numa edição do Expresso Curto (newsletter diária do jornal), que classificou a trilogia como “os livros que mais o marcaram”. Nesta trilogia – que se completa com as restantes obras, ‘The Creators’ e ‘The Discoverers’ – o autor procura inventariar e, sobretudo, interligar as distintas manifestações do pensamento humano ao longo da história, seja nas ciências, nas artes ou na filosofia.
O mote é suficiente para cativar qualquer curioso inveterado, assim como o são as credenciais de Boorstin: para além de vasta obra historiográfica publicada, foi ‘Librarian of Congress’ durante cerca de 12 anos. A obra trata sobretudo da busca do ser humano pelo ‘porquê’, independentemente do ‘como’. O autor procura destacar aqueles que, ao longo da história, mais procuraram perceber o caminho da humanidade, em várias dimensões, sobretudo aqueles que influenciaram de forma permanente a cultura ocidental. Isto, independentemente da validade (muitas vezes diminuta) das conclusões a que foram chegando, privilegiando-se a pertinência das questões levantadas. O título ‘The Seekers’ é, como se vê, algo elusivo, o que estará provavelmente por trás da opção por um mais prosaico ‘Os Pensadores’ na edição portuguesa.
Sucede que o livro, na minha opinião, não é totalmente bem conseguido. A tarefa de organizar numa só monografia seekers com objectos de reflexão tão variáveis – não apenas consoante a época histórica, mas também com a área do saber em que habitavam – requer uma elasticidade narrativa considerável, e Boorstin acaba por ser vítima justamente da dificuldade dessa empresa. Daí que falte à obra, na minha opinião, uma organização clara e, sobretudo, um fio narrativo empolgante, capaz de manter as várias temáticas interligadas. Por outro lado, o autor não é completamente bem-sucedido em escapar ao principal risco deste tipo de obra, que é tornar-se uma simples inventariação de personalidades: da sua biografia e da sua vida, numa análise inevitavelmente superficial e de interligação difícil.
Apesar destas limitações, Boorstin não deixa de conseguir resumir a essência da obra dos principais pensadores da cultura ocidental, logrando com isso passar a noção de uma perspectiva mais integrada da procura do ser humano por respostas, desde a antiguidade clássica à contemporaneidade. Algo que, na pior das hipóteses, nos cativa a explorar melhor a vida e obra de algumas das personalidades referidas.
