Ouço um amigo dizer – filosofando sem dramatismos nem pieguices – que está pronto para morrer, e fico a pensar como estou a anos-luz dessa serenidade resignada. A vida é como a democracia: está muito longe de ser perfeita, mas ainda não inventaram nada melhor.


Muito bem, Ana. Aplaudo. Subscrevo.
Só um desabafo, Pedro.
É verdade, Ana, viver é porreirito. Seu amigo está preparado para o tempo, melhor, para intemporalidade; e, neste sentido, o tempus “num” fugit, num fugit num senhora.
Deixe-se levar,deixe-se levar porque ainda há muito tempo.
Nem sempre é porreirito, Anónimo, mas cheira-me que morrer deve ser pior.
O meu amigo é mais sábio do que eu, provavelmente.
Atrás de tempo, tempo vem, não é verdade? 🙂
Dizem que sim, Isabel. 🙂
“Je veux qu’on agisse, et qu’on allonge les offices de la vie, tant qu’on peut : et que la mort me treuve plantant mes choux, mais nonchallant d’elle, et encore plus de mon jardin imparfait.” Montaigne
C’est bien ça, Isabelle. 🙂
(enfim, acho que ainda tenho alguns choux para plantar)
Filosofa, sim, você é uma pensadora.
Não somos todos? 🙂
A vida é como a democracia também noutra coisa: há vidas e vidas, há democracias e democracias…
Quanto à serenidade perante o fim da vida, para mim faz sentido se ocorrer no final de uma vida longa e preenchida. Mas, mesmo nessas condições, não há pressa…
Não é o caso, Mário. O meu amigo é muito novo para isso, embora tenha uma vida bem preenchida. Mas talvez ele nunca tenha estado tão perto da morte como eu já estive, e por isso não sinta tanta vontade de celebrar a vida.
Não sei se admiro a serenidade do seu amigo,mas admiro as suas certezas!A morte parece-me o grande Mistério da vida.Perante cada corpo que vejo, a pergunta que me surge é :”que t’aconteceu?Onde estás agora?”.Não sabemos, a verdade-verdadinha é que ninguém sabe!
Talvez a Vida continue, para lá do limite a que chamamos Morte.
Eu já tenho dado por mim a sentir a sentir curiosidade, mas entretanto, um raio de sol, uma um golpe de vento, um grito de passaro faz-me sentir que é Bom estar Aqui! 🙂
Certezas? Rosa, é por não ter certezas que prefiro o que conheço: a vida. O que não significa que não tenha muita curiosidade por saber o que será o “outro lado”, se é que existe algum.
…ou seja é o que diz aquele proverbio : “mais vale mau e conhecido, do que bom por conhecer”?
Escrevi certezas, porque parece ter a certeza que não existe nada,depois da morte.Mas a parece que segue aquela posição de Woody Alle: “-eu não sei se exite uma vida depois da morte,mas sei que existe uma morte, depois da vida”!
É mais ou menos isso, Rosa. O velho Woody acerta sempre. 🙂
E eu assim de repente também não me lembro de uma analogia tão brilhante como esta
Sem dúvida bem melhor q o seu oposto, lilianamente evocando.
Bem lembrado. A Lili é uma filósofa.