Telhados de vidro


Rui Rocha,

Manuel Alegre desceu ao povoado para acusar Passos Coelho de desrespeitar o Parlamento e as figuras do PSD com a escolha de Nobre. Ora, mesmo que se pudesse aceitar a razoabilidade intrínseca da crítica, parece-me importante salientar dois pontos relativamente a esta posição. Antes de mais, pela mesma lógica, deve reconhecer-se que a escolha de Sócrates pelo PS (e por Manuel Alegre) como candidato a próximo primeiro-ministro constitui um desrespeito bem mais grave pelo país e pelos eleitores. Depois, importa constatar que, apesar da gravidade implícita na decisão de reiterar a escolha do autor moral e material da governação que nos empurrou para o estado de Bancarrota em que nos encontramos, as figuras do PS não parecem estar nada incomodadas, dedicando-se, como faz Alegre, a criticar o que se passa em casa alheia. Este é pois um caso em que a galinha da vizinha é sempre pior do que a minha. E em que, na verdade, os evidentes telhados de vidro que Alegre tem em casa aconselhariam uma atitude de recatado silêncio.

8 comentários em “Telhados de vidro”

  1. É SÓ FAZER AS CONTAS
    Sócrates, A negação sinistra de uma impossibilidade trágica.
    Alegre, a afirmação tenebrosa de uma possibilidade assustadora.
    O PS não gere, manipula e conspurca, querendo rançoso impingir ao País a digestão. Não há solução para a Nação com um PS catastrófico a governar, e sempre temível ciclone destruidor na oposição.

  2. O que esta gente verdadeiramente teme e já está a começar a sentir é “o chão a fugir-lhes por baixo dos pés”. Os movimentos de cidadãos, as manifestações apartidárias, a consciencialização crescente das sociedades de que este modelo não nos serve, deixa-os loucos. Eles não suportam ver que alguém que não seja um “político profissional”, um manhoso, alguém que esteja fora das dicas e tricas partidárias, possa sequer pensar em ocupar um lugar que eles julgam estar apenas reservado para os das habituais camarilhas . A cidadania, a verdadeira cidadania sem filiação partidária, mete-lhes medo e tudo o que saia um pouco da esfera, das suas “quintas” (leia-se, partidos), apavora-os. Não quero com isto concluir que os partidos não são importantes na nossa vida democrática, mas sinto-me perfeitamente à-vontade para dizer que não são por certo nem estes partidos, nem políticos com este figurino de que Portugal precisa para se erguer do chão. Precisamos de gente que tenha alguma experiência vida, que traga para a política uma forte dose de cidadania, que tenha algo mais para apresentar do que apenas o ter estado sentado durante décadas em cadeiras e a deambular pelos corredores do poder. Na verdade, propor a recondução do actual primeiro-ministro é quase um crime de lesa-pátria e quer o cheiro bafiento que saiu do recente congresso do PS, quer a unanimidade em torno do chefe, são quase os mesmos que saiem das manifestações ao «querido líder». Absolutamente insuportáveis.

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