Tavira, a minha terra


Pedro Correia,

 

Há cidades e vilas portuguesas onde me sinto sempre bem. Viana do Castelo, por exemplo, que há muito pertence ao meu roteiro afectivo. O Fundão, Castelo Branco e Coimbra, onde tenho as minhas raízes mais fundas. Mas também Chaves, Torre de Moncorvo, Amarante, Vila do Conde, Guimarães, Figueira da Foz, Tomar, Óbidos, Sintra, Castelo de Vide, Marvão, Évora, Alcácer do Sal, Mértola, Funchal, Horta.

E ainda Tavira, aonde regresso agora. Quase não se vê um turista: estamos ainda na ‘época baixa’. Mas esta cidadezinha é sempre acolhedora. Com os seus largos, os seus jardins, as suas encostas, as suas igrejas, o seu castelo. A "casa de pasto" que anuncia meias doses a 3,5 euros. A Vela 2, onde já comi algum do melhor peixe grelhado que guardo na memória. A livraria Quinito, onde passo sempre para me abastecer de livros – acabo de trazer de lá um de Juan José Millás (O Mundo), outro de Rosa Montero (Instruções para Salvar o Mundo). O cineteatro, onde ontem à noite vi um filme interessantíssimo: A Onda (Die Welle), do alemão Dennis Gansel. O mercado, o rio, a ponte, a magnífica pousada, a geladaria de sempre, os ninhos das andorinhas no edifício do tribunal, os rostos que já me parecem familiares.

Há aqui uma certa doçura de viver que cada vez encontro menos em qualquer outro lugar. É também por isso que venho a Tavira com tanta frequência: apetece-me chamar minha a uma terra como esta.

29 comentários em “Tavira, a minha terra”

    1. Primeira reacção, após a leitura do primeiro parágrafo: Não há, nesta lista, uma única localidade algarvia… (:() e eu que pensava que, pelo menos, em Tavira encontrava algum encanto (tendo por base outros posts seus que já li)…

      Lida a totalidade do texto: :).
      As minhas origens algarvias agradecem-lhe a beleza do texto, a generosidade dos elogios e endereçam-lhe votos sinceros que continue a sentir-se muito bem por essas paragens.

      (E sim, “faço figas” para que seja sempre muito bem tratado.)

        1. Sou uma cara. 🙂 A cara que, ainda o CF se encontrava alojado no blogger, lhe sugeriu um restaurante em Vila Nova da Barquinha (a propósito de arroz de lampreia). Confesso-me curiosa por saber se já terá tido oportunidade de experimentar. 🙂

          P.S. Esta cara só ainda não criou “identidade” no sapo por não ter percebido como fazê-lo sem criar um blogue. Aselhice assumida. :/

  1. Na serra e no litoral,
    o Algarve tem muitos encantos,
    com o Gilão que vem do barrocal
    Tavira é uma cidade de belos recantos!

    Com os telhados de estilo oriental
    e a sua ponte secular,
    uma terra de colorido laranjal
    para o quadro matizar!

      1. A sorte de Tavira é que teve um bom pesidente laranja.Mas ao invés os laranjas da minha terra Olhão são tão maus que nestas próximas eleições vão desaparecer do mapa.Estão a mamar na teta da vaca com o socialisata do Francisco Leal.Estão ajudando a destruir uma cidade que era tão bonita.Espero que o próximo presidente de Tavira não destrua essa linda cidade.

    1. Pode escrever ‘ainda’ sem ponto de interrogação, Ana. Antes com ponto de exclamação: é quase um milagre, sendo as coisas o que são dos dois lados da fronteira. Quando se passa para Espanha, então, é de fugir ainda mais rápido…

    1. O quartel ficou na memória de várias gerações de militares que para aqui vinham, João. Também o meu pai fez cá a tropa. E o edifício onde hoje funciona a messe dos oficiais é um dos mais bonitos da cidade.

  2. Fundão? Também faz parte da minha vida ou não tivesse lá quase toda a família a viver…
    É uma pena que a cidade, a Gardunha e a Covilhã ainda sejam desconhcidas da maior parte das pessoas.

    1. Sério, Sofia? Às tantas ainda temos algum grau de parentesco. (agora fiquei curioso)
      Não me importo que esta zona do País seja ainda tão desconhecida para muita gente. Evita afluência em excesso. Atenção que as cerejeiras estão a ficar em flor!

      1. Bem… são de uma aldeia ali próxima, mas o concelho é esse. De qualquer forma conheço bem a cidade do Fundão. Até vivia na Rua da Cal, se pudesse. 😉

        Ai, as cerejas… já tenho saudades. Temos duas ou três cerejeiras que nos presenteiam com umas magníficas cerejas, quando conseguimos chegar antes dos pássaros, claro.

        1. Rua da Cale… Tive um tio que foi lá comerciante muitos anos. Quando eu ia de férias ao Fundão, ficava fascinado com o interior daquela loja que me parecia enorme, com o cheiro a tecidos, com o antiquíssimo metro de madeira, com o enorme balcão, também em madeira antiga, talvez de cerejeira. Isso é que é sorte, Sofia: gostava também de ter um quintal com cerejeiras, arvore de que sempre gostei muito, com as suas folhas estreitas e compridas.

  3. Partilhamos, pelo menos, o gosto por Sintra, Évora e Mértola (sítios onde posso dizer que já fui muito feliz e dos quais guardo óptimas recordações). E Tavira é, certamente, uma das pérolas do Algarve, embora como bom habitante do barlavento algarvio as minhas preferências sejam outras… 😉

    1. Olá, Jorge. Ser feliz em povoações tão charmosas é um privilégio. Posso dizer o mesmo.
      Também gosto do Barlavento. Há seis meses tive umas férias inesquecíveis entre Ferragudo e Carvoeiro. Mas Tavira é diferente. Conheces (ainda) melhor no Algarve?

      1. “Há seis meses tive umas férias inesquecíveis entre Ferragudo e Carvoeiro.”

        Eu lembro-me do post no Corta-Fitas… até fiz ligação ao mesmo no Despertar – e não tenho dúvidas que as melhores praias do Algarve estão no concelho de Lagoa (reconheço, não sou imparcial na matéria). 😉

        “Conheces (ainda) melhor no Algarve?”

        Ficando pelas cidades, gosto muito de Lagos. De certa forma, Lagos ocupa no barlavento o mesmo papel que Tavira tem no sotavento (a cidade, com o crescimento urbano dos últimos anos, já está algo descaracterizada em relação ao que foi no passado, mas eu continuo a gostar muito dela e ainda mais do concelho em sí).

        Mas depois tenho vícios. Gosto particularmente de refugiar-me para os lados de Monchique e da boa gastronomia que existe nas encostas da serra. E, com igual prazer, fujo para a a costa oeste – com passagens frequentes pelos concelhos de Vila do Bispo e de Aljezur.

        Nesse sentido, melhor que Tavira não me atreveria a dizer que conheço, mas de igual valor, ainda vou conhecendo…

        1. Pois, Jorge. Tambem gosto de Lagos mas acho que lhe falta algum do charme de Tavira. De resto, abundam recantos fabulosos no Algarve. Alcoutim, por exemplo. E Alte. Querença. Muitas praias fora do auge do Verao (S. Rafael, Praia Verde, etc.). Um galo de cabidela no Cafe Correia, em Vila do Bispo. E tanto mais… Havemos de falar mais disto por aqui.

  4. Parabéns pelo post , e pela forma como fala de Tavira, a minha cidade!
    Sempre tive noção do quanto gostava de Tavira, no entanto, e como acontece com quase tudo na vida, só quando “perdemos” é que damos o devido valor.
    Hoje em dia não vivo em Tavira, as circunstâncias da vida afastaram-me do meu Algarve, no entanto, e já passados cerca de 7 anos, não consigo esconder o brilho nos olhos cada vez que saio da Via do Infante em direcção a Tavira. O cheiro do mar, as pessoas, as paisagens que com o passar dos anos se alteraram, mas sem perder o encanto…. já para não falar dos amigos e família!
    Sem dúvida, um Algarve diferente 🙂 Obrigada

  5. Oi, eu sou de Coimbra mas passo muitas vezes férias aí em Tavira e nas redondezas, desde Cabanas de Tavira a Altura ou mesmo Manta Rota, de onde vim há 2 dias.

    ;D

    Eu queria saber se me podem ajudar numa coisinha. Sempre que vou aí apanho umas árvores que deitam um cheiro doce super intenso à noite e não consigo descobrir que árvore é essa. Já trouxe uns raminhos para cima e já corri a net a tentar ver se descubro, mas a verdade é que só me cruzei com essas árvores aí e adorava saber que árvores são.

    Só sei que de dia não deitam qualquer cheiro e à noite expandem uns “raminhos” verdes e deitam um cheiro delicioso super docinho!

    Se me conseguirem ajudar ficarei eternamente agradecida!

    * * * *

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