Já não há paciência para esta tauromaquia política. Não sei se é teatro ou realidade, mas parece uma brincadeira irresponsável que tem por refém a vida dos outros. Quatro anos de sacrifícios podem ter servido para pouco e só apetece sair disto tudo, fugir da prisão dos factos, desta tristeza brutal em que vivemos, entre a impossibilidade e o tormento. O desrespeito pelo voto, o escárnio que merece o trabalho de décadas, o triunfo dos medíocres. A sociedade portuguesa, pelo menos na sua versão partidária, arrasta-se numa espécie de desesperança e vácuo, numa inaturável retórica de poder que repete com alegria os erros do passado e ignora parvamente as circunstâncias do presente. As negociações falhadas são manobras, dizem os peritos, mas as consequências batem à porta de cada um de nós. O juízo da classe política durou pouco tempo e regressam a instabilidade e a má liderança.
Se António Costa está a tourear a extrema-esquerda, dando falsas esperanças de querer formar um governo de ruptura com a austeridade imposta pela Europa, haverá no final do processo um milhão de eleitores com fortes razões de queixa. Se os socialistas estão a tourear a direita, o eleitorado do centro deixará de ter qualquer confiança num partido que foi crucial na construção da democracia portuguesa e que será irrelevante no futuro. Seja qual for o final da história, já perdemos, mas perderemos ainda mais com um hipotético governo de esquerda que pretende conciliar uma via europeia impossível, juntando na mesma equação a ruptura e a continuidade.

Tenha calma. Basta pensar que esse é o seu ponto de vista e de milhares de outros. Mas há também milhares (eu incluído) que têm o ponto de vista oposto. Temos de aprender a conviver com todas as opiniões sem desesperar. Não há aqui tauromaquia (apesar de haver na Assembleia da República um partido de animais) nem teatro. Há a Constituição que incidentalmente não parece ser concordante com a sua vontade. Eu vejo com agrado (e tenho milhares na minha companhia) o que se está a passar. A direita (e também há milhares) está nervosa mas estamos (por enquanto) num Estado de Direito, portanto há leis, partidos, liberdade de expressão, etc. etc.
O Luís tem de se dar conta que a estabilidade que julga ter vivido e alcançado nestes 4 anos deve-se à teoria económica da “destruição criativa”. Tão criativa ela foi – refiro-me à destruição – que é necessário fazer uma destruição criativa da destruição criativa para se pode avançar. Só há criatividade quando algo novo surge.
E um governo formado com aqueles que eram os proscritos da sociedade é de uma criatividade ímpar.
Se há algo que na história me provou que os proscritos seriam os verdadeiros percursos de uma mudança global esse algo foi o cristianismo. Foi nos cegos, surdos, mudos, putas, adúltero(a)s, ladrões – mas bons ladrões -, também nos ladrões publicanos, escravos, mulheres e nos pobres condenados a uma ad aeternum miséria, tal como fazem os calvinistas da actualidade, que se escreveu essa história que derrubou muros e fronteiras e, indo ainda mais longe, despiu a puta da babilónia de todo o seu falso esplendor.
Olhe Luís, não se deixe cair em farisaísmos. O mercado é a puta da babilónia, e os fariseus são os que a cultuam.
Sim.
Alguns podem ainda não se ter apercebido ou querer perceber mas, independentemente do resultado final, das preferências partidárias e das ideologias, já perdemos. Todos.
A confusão entre o nome de um programa televisivo e a realidade vai muito para além de uma mera… quadratura do círculo.
O Luís Naves parece estar extremamente deprimido e confuso. Se calhar é melhor emigrar para a Hungria de vez.
Ou para a Sibéria…
As eleições são uma chatice.
Nem sempre o resultado é claro e fácil de implementar.
Estas deram uma maioria relativa à PàF, ou seja, a PàF tem de procurar apoios fora do partido. Já foi assim quando houve maiorias relativas do PS, e o PSD não teve qualquer problema em fazer cair governos minoritários com que não concordava.
Claro que há sempre a solução de nos queixarmos e ameaçar com os mercados, mas isso não é negociar.
Ou então, passamos a fazer eleições à moda dos referendos europeus: vota-se o número de vezes suficientes até sair o resultado que se quer.
Parece que uma vitima dessa chatice foi o Sócrates. Queria, com um apoio minoritário, passar um chamado PEC IV sem negociar. Foi uma opção, aliás a 2* opção, a 1* foi levar o PEC IV ao parlamento quando não tinha necessidade de tal.
Claro que depois fez-se de vitima, a sua especialidade, dizendo que por causa do chumbo de um empréstimo de 7 mil, tivemos de pedir 78 mil. Um conto de crianças, outra sua especialidade.
Subscrevo na integra o seu post. Acrescentando que sinto-me REVOLTADA com esta falta de respeito pela decisão dos eleitores… acho que nem tudo vale para chegar ao “poleiro”(desculpe o calão).
(eu se fosse o Presidente, como não existe maioria, íamos para eleições novamente, mas parece que este. como está a poucos meses de ir embora, e segundo a constituição, não pode fazer isso)…
Com este teu comentário já concordo Luís. As actividades de Costa são para consumo interno, com ou sem intenção de formar governos. Negoceia com PSD/CDS para acalmar a direita do PS. Negoceia com o PCP e BE para acalmar a ala esquerda. E avisa que opta pela abstenção para deixar calmos os centristas. É circo como prova de vida política.
Ainda lhe sairá cara no PS e para já não sai barata ao país, seja qual for o resultado final.
Há um facto que considero positivo nas pseudo negociações( os resultados só são publicados hoje), que é os partidos da esquerda assumirem a sua responsabilidade na governação do país. Esta sina (escita nas estrelas) que um faixa do espectro politico tem lepra e não são cidadãos por inteiro, tem convido aos comparsas, mas era uma aberração aceite pelos eleitores, pals mesmas razões que aceitaram o socrates a fazer as PPPs , aeroportos, TGVs com o dinheiro que já percebemos todos quem é que vai pagar. Já chega de sermos uma democracia dos países do sul.