Tancos: faz hoje um mês


Pedro Correia,

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Faz hoje um mês, registou-se o gravíssimo roubo dos paióis em Tancos. Ocorrido nos termos sarcásticos relatados no prestigiado jornal espanhol El País: «Sem um tiro, sem um ‘alto’, sem um ‘ai’.»

Um assalto que apanhou de surpresa os serviços de informações: Júlio Pereira, secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa, soube da ocorrência só no dia seguinte, pela comunicação social; Helena Fazenda, secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, também só tomou conhecimento nesse mesmo dia 29, através dos relatos divulgados nas edições digitais dos órgãos de informação.

 

Mas também a mais elevada hierarquia militar apenas soube tarde e a más horas. O chefe do Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Pina Monteiro, confessou por sua vez só ter ficado ao corrente dos factos através do ministro da Defesa, quando ambos se encontravam em Bruxelas – numa insólita admissão de que a cadeia de comando nas estruturas militares funciona de forma deficiente, pelo menos ao nível da transmissão de informações tão relevantes como esta. Em circunstâncias normais devia ter sido o general a informar o ministro e não o contrário.

Ficámos entretanto a saber, também por Helena Fazenda, que o CEMGFA demora um dia inteiro a atender-lhe o telefone.

Com a lei da rolha instalada deste lado da fronteira, como o Governo nos vem habituando, foi através de um jornal digital espanhol que os portugueses puderam enfim ficar esclarecidos quanto à lista completa do armamento pilhado de Tancos.

 

A 1 de Julho, o chefe do Estado Maior do Exército, general Rovisco Duarte, anunciou a  exoneração de cinco comandantes de Tancos responsáveis pelas unidades que asseguravam a vigilância dos paióis – decisão revertida a 18 de Julho. De forma tão atabalhoada como a anterior. E, aparentemente, sem ter dado conhecimento ao CEMGFA, que garantiu só ter sabido das exonerações também pela leitura dos jornais.

Decorrem entretanto duas investigações paralelas, conduzidas pela Polícia Judiciária Militar e pela Polícia Judiciária, para o apuramento de eventuais responsabilidades.

Sem resultados conhecidos, até ao momento.

 

Tudo isto seria simplesmente ridículo se não fosse demasiado grave.

8 comentários em “Tancos: faz hoje um mês”

  1. Boa noite Pedro Correia.
    Nunca se virá a saber o que aconteceu. Ponha como uma das hipóteses para os atrasos de informação entre chefias militares, entre civis, entre militares e civis, não ter havido o que uns pantomineiros afirmam ter ocorrido. Sugiro que leia também (releve o atrevimento) os meus vários posts sobre o tema. Sempre ao seu dispor por mail.
    António Cabral

    1. Bom dia, meu caro. Não vou nunca por teorias da conspiração nem por cenários divorciados dos factos.
      Aguardo pelas conclusões dos inquéritos em curso, que terão necessariamente de ser tornadas públicas.

  2. Governo desgovernado, comandos descomandados.
    O SIRESP pegou maleita a alastrar nos palácios e nas casernas.

    1. Um general-mor que recusa atender o telefone durante quase um dia inteiro à secretária-geral do Sistema de Segurança Interna e que apenas soube das exonerações dos cinco comandantes de Tancos ao ler o jornal.
      Que tropa é esta? Que cadeia de comando é esta?

  3. Pedro, em que ponto está aquela teoria de Vasco Lourenço? Parece-lhe que o nosso homem do COPCON foi atingido pela maleita do Otelo? Muito Oceans 12?

  4. Sua Excelência o CEMFA achou por bem que não valia a pena acordar os Altíssimos Governantes, para os informar do roubo de meia dúzia de Canhangulos (inofensivos) que só servem para colecionadores.

    Para facilitar as investigações de roubos futuros o Chefe Supremo deu ordens para que as patrulhas paoileiras sejam munidas daquelas espingardas que em vez de balas que matam “esguicham” um liquido colorido… Assim será mais fácil identificar os traficantes de armas de coleção…

    Ordem Serviço 889 /434 / 11/ de 35/06/2017

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