Dia 2. Enquanto a poeira das festas começa a assentar, pego nos jornais que ainda não li. Entre os costumeiros balanços e expectativas para o novo ano, escapam das entrelinhas estados de alma que reflectem, na sua maioria, desalento.
Ano Novo Esperança Nova? é um dos títulos em que reparo. Adiante, num artigo de opinião, leio: Portugal é cada vez menos um país normal. Em letra de forma também recolho esta afirmação: Nada transmite alegria ou esperança. Há medo do amanhã e do que ele pode trazer de pior. E esta: Não creio que haja condições para mais uma década como a que vivemos: perdida, totalmente desperdiçada, num quase nada que nos custou tanto.
Este tom, consideravelmente mais soturno do que é habitual a cada começo de ano, reflecte o peso de uma década, um espaço de tempo que não se explica com a ligeireza que os políticos pretendem.
Para dez anos não há alibis conjunturais. Mais conscientes da real incompetência das suas elites, talvez os portugueses, acossados pela degradação progressiva da sua qualidade de vida, se tornem mais consequentes. Menos lamurientos e mais incómodos.
Talvez os movimentos de cidadania floresçam e a nossa sociedade civil acorde. Talvez, quem sabe, os portugueses comecem a falar dos portugueses como se não fossem estrangeiros, implicando-se e exigindo mais dos seus poderes. Quem sabe, na próxima década a democracia em Portugal deixe de ser aquela adolescente pindérica com ares de sul-americana que conhecemos. Aos (quase) 36 anos já vai sendo tempo.

Também me parece, Teresa. Já vai sendo tempo de ela e de quem a faz ganhar juizinho, crescer.
Subscrevo totalmente, Teresa. E torço para que “os movimentos de cidadania floresçam e a nossa sociedade civil acorde.” Alguém vai ter de agitar estas águas estagnadas há tanto tempo.
Pode ser que seja a década da Revolução, à séria =)
Seria muito bom que assim fosse mas, no entanto, duvido que tal aconteça.
A ‘sociedade’ vai continuar amorfa e resignada à sua ‘má sorte’.
Como alguém disse, ‘o povo é sereno’.
Infelizmente.
Teresa eu acho que por algumas horas todos os adultos deveriam voltar a ser crianças…
Só elas acreditam, com vigor… não são derrotistas, e onde o hoje e amanhã é tudo para elas…
Gostava de entrar numa máquina do tempo e ficar-me por esses tempos atrás, onde viver era sempre uma emoção…