Quando passeamos por aí, sem grandes definições de destinos ou percursos, somos surpreendidos por determinados sítios ou monumentos que, à partida, desconhecíamos ou nunca tínhamos visitado. O estado em que se encontra o nosso património também nos surpreende, umas vezes positivamente, outras negativamente. Claro que o que para mim constitui uma surpresa não o será para outros. Mesmo assim, vou por aqui deixar, de vez em quando, umas pistas. Não farei grandes descrições. Só algumas impressões que esses locais me suscitaram.
Começo por um monumento que nos lembra que, num tempo em que tantas obras de arquitectura nos gritam para que as vejamos, é bom encontrar situações em que o esforço para as conhecermos é proporcional ao prazer da descoberta.
Após uma descida íngreme de automóvel e mais alguns metros a pé lá está ela, a igreja românica, antigo eremitério, de S. Pedro das Águias. Quem procura a sua entrada deve fazê-lo no sítio mais inusitado. De facto ela está a menos de 1 metro do rochedo que, naquele lugar, marca a paisagem. Encontra-se frente a ele, de costas para o rio, o Távora, que por ali corre pouco caudaloso. O tempo está agradável e, junto a ela, uma família, aproveita uma plataforma natural para aí se instalar para um piquenique calmo. As crianças brincam indiferentes às razões que levaram os construtores do século XII a virá-la para a parede. Não terá sido um castigo mas talvez uma forma de lembrar aos monges que a sua relação com o mundo dos homens deveria ser o mais reduzida possível.


Estes sítios deviam ser secretos 😉
Também pensei nisso… 🙂 Mas pior seria se desse as coordenadas GPS. (que nem conheço… 🙂
Uma boa ideia, Ana, escrever sobre o nosso património. Realmente, é diversa a maneira como são tratados e conservados os nossos monumentos. Se há alguns que chegam a ser acarinhados, como os castelos de Guimarães, de Bragança, da Feira, ou de Beja, outros há que se encontram num abandono que mete dó, como o de Mourão, por exemplo. Ali mesmo ao pé de Monsarás, uma localidade medieval tão bem conservada…
As razões são muitas e variadas. Muitas vezes começa pela falta de reconhecimento de que algo é património. Não será o caso do Castelo de Mourão onde estive o ano passado. Claro que a questão principal passa pela falta de verbas, quer das autarquias, quer do Estado central, para fazer face a tantas necessidades. E agora nesta fase não sei. Parece-me que o castelo de Mourão bem como outros locais terão que esperar por melhores dias.