Surpreendente


cadernoelastico,

 Nos jornais de hoje, leio com espanto que vão ser limitados os anúncios referentes a produtos alimentares com excesso de sal, açúcar e gorduras. Porquê? Obesidade infantil. Aparentemente, as crianças vêem os anúncios, querem consumir os produtos, e tornam-se obesas. É este o raciocínio, uma causa-efeito bastante simples. E, no entanto, isto é perfeitamente absurdo. 

Vamos lá a ver uma coisa: então não são os pais a comprar comida, a decidir o que compram e o que as crianças comem? Em toda a minha vida, devo ter comido uns dois Bollycao. Os meus pais não compravam, e não me davam autorização para comer. Simples: eram eles que mandavam, e eu, criança, obedecia. Sei que em muitas escolas de hoje os miúdos nem têm dinheiro. Há uns cartões tipo multibanco, que os pais carregam com dinheiro, e que têm a informação relativa ao que lhes é permitido comprar. A responsabilidade é dos pais. Não os podemos demitir dessa função. Dizer não é difícil, dá origem a intermináveis birras e sessões de berros. Mas é nesse não que reside toda a esperança de um adulto bem formado. Pais, imponham-se.

 

7 comentários em “Surpreendente”

  1. Muito bem, Ana Margarida. Se os pais não educam, não será a televisão ou qualquer entidade reguladora que vai fazê-lo. Os meus filhos nunca foram habituados a comer junk food e sempre a tiveram à mão, como quaisquer outras crianças. Se isso me custou alguns protestos, por comparação aos coleguinhas de escola? Custou, claro. Mas a minha função era não ceder a essas pequenas chantagens, para bem deles.

  2. .. a demissão da nossa geração em nome de mais e melhores carreiras, horários intermináveis para patrão ver, e outras que tais dá nisto, e em muito mais.
    E nas escolas, Ana, a chamada junk food até é reduzida, pelo menos na minha realidade.
    __
    a título de curiosidade e para reforçar o seu ponto sobre educação eis a resposta do meu sobrinho de 5 anos quando no Verão lhe perguntei se queria um sumo ou (estupidamente) uma coca-cola: “a juice, tia, i’m not allowed to have coke.”

    (e a mãe nem estava por perto .. risos)

    :))

  3. Estou de acordo consigo, muito pertinente o post “, Ana Margarida. Contudo, não vejo mal nenhum que se tome essa medida, é mais uma achega…

  4. Claro. Por todas as razões, a que acrescem a obediência a regras e a disciplina, que fazem parte da vida.

    Já agora, devia limitar-se a divulgação do ‘Morangos Com Açúrcar’. A bem dos excessos perniciosos junto da garotada. E a bem dos adultos também, porque já não há saco para aquilo.

  5. O que está em causa é a desvirtualização da família. Seremos uns individuos (não-cidadãos) que votam de 4 em 4 anos.
    Depois os políticos fazem o que quizerem.
    Os pais têm o direito de se impor (à sociedade e aos filhos).
    Post muito oportuno

  6. Ora bem, aqui está mais alguém que não lê enciclopédias americanas sobre educação.
    Pois é, Ana, lá em casa também era assim e hoje só agradeço os “nãos” que me deram (foram muito poucos, felizmente, que eu percebia logo se levava a água ao meu moinho antes de arriscar a nega).

  7. Apedra de toque reside efectivamente na autoridade informada e afectivamente formada dos pais sobre os filhos. Mas…o país não somos nós e o ME não prevê escolas para pais.

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