
Há uma qualidade que eu tenho que reconhecer a João Soares: o descaramento. Estou convencido que mais ninguém deste Governo ou de qualquer outro se atreveria a demitir sem qualquer justificação o Presidente do CCB, António Lamas, apenas para nomear um seu actual adjunto para o lugar, Elísio Summaviele, com relações muito próximas com o Ministro. Outros Ministros tremeriam sequer de pensar em fazer algo semelhante, aterrorizados com a acusação de estar a arranjar jobs for the boys. Já João Soares não quer saber. Por isso, convida Lamas a demitir-se na praça pública e, quando ele não obedece, demite-o em pessoa, gerando um dever de indemnização para o Estado. Qual a razão invocada? Precisamos de “uma solução alternativa, capaz, de alguém com experiência, bastante mais jovem, com provas dadas, nomeadamente ao nível de responsabilidades públicas num ministério“. Naturalmente um retrato do novo nomeado. Quanto ao currículo do anterior, professor catedrático do IST, com inúmeros cargos públicos desempenhados, e já objecto de altas condecorações, naturalmente que para nada conta. A política está feita destas coisas e ninguém pode esperar reconhecimento pela sua dedicação à coisa pública.
Mas há pelo menos alguém na nossa política que tem sentido de humor. O Bloco de Esquerda anuncia que quer um concurso público internacional para escolha do Presidente do CCB, embora avise que o próprio Summavielle “poderia ser um dos candidatos“. Digno do Yes, MInister. Ah, Ah, Ah!!!

Esta nova forma de fazer chicana politica, do Costa, do Soares e outras galambices, cheiram muito a socratices contra M.M Guedes e Felicia Cabrita.
Se queres conhecer o vilão, mete-lhe a vara na mão. Nem mais.
Senhor L. M. Leitão:
Disse: «Há uma qualidade que eu tenho que reconhecer a João Soares: o descaramento.»
Olhe que também há outros a quem se lhe aplica a afirmação, olhe que também há: Precisamente, o senhor Luís Meneses Leitão, que conseguiu, durante 4 anos e alguns meses, apenas por razões de afinidade político-ideológico-partidária, não ver nenhuma nomeação de nenhum «boy for the job».
É obra.
Mas eu, no seu lugar, estaria preocupado com o facto de poder ter uma miopia aguda galopante.
Disse: «Outros Ministros tremeriam sequer de pensar em fazer algo semelhante, aterrorizados com a acusação de estar a arranjar jobs for the boys.
Pois… que dizer desta afirmação sem nos lembrarmos de Maria Luís Albuquerque e da nomeação de Miguel Frasquilho; como antes Paulo Portas e a nomeação de Pedro Reis, ambos para a AICEP; ou de Manuel Queiró, para a CP.
Só três, que é a conta que Deus fez.
Não porque não tenha havido centenas, ou milhares, mas porque não vale a pena relembrar mais, tão evidente foi esta prática (que, infelizmente, é um traço comum de todos os governos, e que este, na boa tradição do compadrio, continuará, como é evidente).
Portanto, um pouco de memória e de respeito por nós, se não se importa.
Se quiser colocar a discussão no aspecto da competência dos nomeados, ora aí está um terreno útil, interessante e fértil para a discussão.
Mas só vale a pena caso a caso e com conhecimento de causa de cada nomeado.
Não vale a pena para fazer chicana política, arte em que o senhor é useiro e vezeiro e um verdadeiro especialista, basta ver o sectarismo dos seus posts: todos esquecendo os casos em família (política) e apontando os alheios.
No jardim escola é uma cena comum esse ‘fiz porque também fizeste’.
Que daí gente crescida e digna tire argumento, é lamentável.
O Soares não é descarado, é bem mais do que isso: como não conseguiu que o homem se demitisse quis, antes de o demitir sem razão, tratá-lo como se fosse um qualquer boy a ser desalojado de uma sinecura.
E isso é de CANALHA!
Qual é a graça do desejo do Bloco de Esquerda? Segundo julgo, o cargo de presidente da Casa da Música foi preenchido mediante concurso público internacional. E muitos presidentes de muitos museus são encontrados da mesma forma. Não poderia perfeitamente o presidente do CCB ser escolhido por concurso internacional?
Quem é que nomeou António Lamas para o cargo que ocupava? Se Elísio Sumavielle é, alegadamente, um boy, será que António Lamas não o é também?
Já tinha visto muito coisa. Chamar “boy” a um professor catedrático de 69 anos não é uma delas.
O Lavoura tem “inovado”, por mais do que uma vez, neste blogue. E, esse mérito ninguém lho tira, demonstrado que a inovação não é em si mesma, sem mais e necessariamente, coisa boa.
Costa (Rui)
Que engraçado. Então António Lamas não é um boy porque tem 69 anos de idade, mas Elísio Sumavielle, que tem 59, será um boy. E, se António Lamas é professor catedrático, Elísio Summavielle é historiador e já foi secretário de Estado da Cultura e director-geral do Património Cultural. Mas não deixa de ser um boy por isso.
Precisamente: um “boy”, como resulta do processo do seu acesso à liderança do CCB. E não, Lavoura, não tem graça alguma assistir a coisas destas.
Costa
O argumento da idade é bom mas não é suficiente, é um facto. Já o percurso de um e de outro explica bem que um boy será sempre um boy para o resto da vida.
Veja-se que o dito não chegou para ser eleito em Mafra e arranja-se logo um “spot” noutro sitio, para não ficar a arder.
Está a imaginar o Lamas autarca ou candidato por um partido qualquer?
Tenha paciência.
Não é preciso descaramento nenhum quando o jornalismo está inclinado para esse lado.
Leu ou viu algum jornal a colocar em título ou usar termos como “polémica decisão” , “conflito” , “controverso” ou equivalentes?
Quando é a esquerda que faz os jornalistas nunca usam adjectivos.
Fazem os possíveis por não os usar.
“demite-o em pessoa, gerando um dever de indemnização para o Estado.”
Um dever de indeminização para os contribuintes.
Este comentário é muito engraçado sem graça nenhuma. O senhor LML como já nos habituou, só vê o mal nos outros e nunca viu o mal dos antecessores deste governo. Fala como se os outros fossem exemplares e fizessem tudo certo quando sabe que não foi assim nem nada que se parecesse. Quando criticamos uns, temos de criticar os outros ou então temos de nos abster, de o fazer para não cairmos no ridículo. Só vermos o erro nos outros e não vermos o erro daqueles que apoiamos, é desonestidade intelectual. Sentido de humor quando se pede um concurso público? Esquece-se do que se passa noutros países que usam o concurso público até para nomeação do governador do banco central de qualquer Estado. Basta olhar para Inglaterra e fica elucidado.
Estou a imaginar o tal concurso público internacional: “Precisa-se de Presidente para o Centro Cultural de Belém. Procura-se alguém com experiência, bastante mais jovem do que o Presidente anterior, com provas dadas, nomeadamente ao nível de responsabilidades públicas num ministério do Governo de Portugal. Face às exigências culturais do cargo, candidatos com um nome próprio clássico, como por exemplo, Elísio, terão preferência”.
E o anúncio do concurso poderia ainda acrescentar que “candidatos com apelidos sem elevação cultural, referentes a coisas prosaicas, como por exemplo Lamas, escusam de concorrer”.
É pena que se tenha esquecido o anterior governo e das suas substituições… Isto de se esquecer o antes e só ver o presente, tem muito que se lhe diga.
Diz que só aceita que se façam nomeações por decisão direta do ministro, sem concurso nenhum.
Então está a queixar-se de coisa nenhuma. Se o lugar é de confiança ministerial e decidido por este, quando muda o ministro, muda o nomeado. Seria estranho manter um nomeado por outra pessoa.
O problema dos boys é que não há boys bons e boys maus, são moços de recados e sabem disso quando aceitam ser nomeados sem concurso.