Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.
Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.
José Luís Peixoto


Pois, Laura, mas não é sentimento comum este do apreço pelos professores, como sabes.
Ivone, as sulfuricas vivem de verdades incómodas 😉
É tudo para abater. Ainda por cima, uma parte grande dos professores acumula, é também funcionário público.
🙂
Não há professores, há funcionários do ministério soviético.
O resultado dos “professores” está à vista.
Nunca se investiu tanto em educação e nunca os resultados foram tão paupérrimos.
Crescimento da economia 1% nos últimos 10 anos e só com recurso a enormes montanhas de crédito.
Lucky… Lucky… tão paupérrimos? Hum. Pois.
A culpa é dos professores que não ensina esta gente a escrever mas ensinou-os muito bem a atirar pedras, ai se ensinou. Falhou redondamente, concordo, e não foi agora.
Ou o Ensino afinal não serve para muito e por isso a mais economicista das actividades não tem justificação para os milhões que gasta ou então a qualidade do que faz não presta.
Para começar como exemplo da qualidade paupérrima: as pessoas que nos Governaram e Governam, e levaram o Pais onde está vieram todas da Universidade e são a elite produzida pelos “professores”.
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Aí começa um exemplo claro de falhanço do ensino.
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O crescimento económico de 1% em 10 anos.
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Argumentos que não interessa debater como se percebe.
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Pois basta boas intenções e discursos emotivos para se sentir bem.
Uma das profissões mais subestimadas. Há quem lhes inveje as poucas horas de serviço e se esqueça de que eles levam carradas de trabalho para casa. A pessoas dessas eu aconselho a que passem 2 ou 3 horas a domar um grupo de 20 crianças barulhentas, ou de adolescentes atrevido-agressivos.
Há quem lhes inveje as férias e se esqueça de que há exames para vigiar e corrigir e montes de papelada a preencher e a pôr em ordem, enquanto os alunos já há muito que estão em casa.
20 crianças, Cristina? Tendo em conta as condições isso seria o Paraíso. No Secundário as turmas têm de ter no mínimo 24 e no máximo 28. São muitos e nós só somos um. É angustiante às vezes sentir que não se consegue chegar a todos ao mesmo tempo.
Compreendo perfeitamente o esmagamento que significa uma turma grande. É anti pedagógico e impraticável. E também sei que o facto de me lembrar que estive em turmas de 35 e 37 alunos não é comparável, porque nesse tempo a base cultural era muito mais homogénea e o trabalho era bem mais fácil, assim.
Os alunos hoje em dia precisam de um trabalho muito mais acompanhado e quando os 28 solicitam a ajuda do professor é um corrupio.
Obrigada por trazeres aqui este naco de prosa do Peixoto, Laura.
Sou suspeita, Leonor. Gosto do JLP. Tenho belíssimas recordações de alguns professores. E conheço outros, agora, que não ficam nada a dever aos excelentes ‘mestres’ que tive.
Na altura já me apercebia de quanto eram peças importantes na minha estrutura, mas quase nunca me embeveci, como mais tarde aconteceu 😉 Na verdade, cheguei a engalfinhar-me com alguns deles, e à grande. Só depois é que a distância me deixou perceber a responsabilidade que tinham em alguns ganhos pessoais, é inevitável.
Nunca se esqueçam disto, vocês, professores: a recompensa verdadeira não é palpável nem imediata; e se cativarem/modificarem um aluno por ano, apenas um, isso chega para justificar o esforço: porque é obra. Que replica até mais não.
Também gosto muito do Peixoto. Já lhe pedi um autógrafo na Feira do Livro e é simpaticíssimo.
Quanto ao resto, a gratificação da vida de professor vem sempre de pequenas grandes coisas, às vezes anos depois, mas tenho a certeza de que ela vem sempre. Neste aspecto sinto-me perfeitamente realizada enquanto professora. Tudo o que pudesse dizer aqui iria soar a lamechice barata. Prefiro guardar esses momentos.