Sugestões televisivas


Cristina Torrão,

O canal franco-alemão ARTE vai apresentar, hoje, dois documentários sobre temas actuais e polémicos, que não posso deixar de sugerir a quem tenha conhecimentos de francês.

O primeiro, com o título Sauvages, au coeur des zoos humains, vai para o ar às 20:15 horas (19:15, em Portugal) e fala-nos como crianças, mulheres e homens de terras longínquas eram exibidos na Europa, entre 1810 e 1940, ao estilo de zoos humanos, a fim de justificarem a colonização. Esta prática tornou o racismo quotidiano.

O segundo intitula-se Restituer? L’Afrique en quête de ses chefs-d’oeuvre, será exibido às 21:50 horas (20:50, em Portugal) e debruça-se sobre as obras de arte que a Europa, durante mais de um século, roubou às colónias.

Todos e todas nós temos opiniões mais ou menos formadas sobre os temas tratados. Mas é sempre aconselhável alargarmos os nossos horizontes. E, quanto mais polémico for o assunto, mais se aconselha. A modificação da opinião, ou não, é naturalmente decisão de cada pessoa.

Nota: os documentários já estão disponíveis para visualização nos links indicados.

8 comentários em “Sugestões televisivas”

  1. Os antigos europeus eram uns selvagens!
    Não tinham televisão nem reality shows.

    Os africanos, em especial os mais a sul e mais escuros, ainda eram piores!
    Incapazes de montarem uma indústria de ‘souvenirs’ vêm agora reclamar o artesanato que venderam aos europeus ou trocaram por missanga e vidros coloridos.

  2. Qual foi o império que durante mais seculos colonizou partes do medio oriente, norte africa, partes da europa mediterrânica até aos Balcãs?. Se acha que foi a Inglaterra, a França ou Portugal está errado. Uma pequena ajuda ,os seus herdeiros andam há anos a tentar entrar para a UE. Fazem parte da Nato.Foram um grande império para o bem e para o mal ( que o digam os arménios) e vale a pena conhecer a sua história.

    1. Estiveram duas vezes às portas de Viena. Na medida em que o Bósforo foi uma das senão a maior porta de passagem de invasões, são parecidos connosco portugueses na imensa variedade genética do seu adn.
      Têm realidades contraditórias. Na “sharia” a mulher herda metade do quinhão dos irmãos e em tribunal, são precisas duas mulheres para igualar o testemunho de um homem mas habilidosamente, sem negar a doutrina, fizeram o sultão o único representante de Maomé e assim o possuidor de todas as terras e administrador da justiça e, sob o sultão as mulheres herdavam e testemunhavam paritariamente. Ferocíssimos em combate e, muitas vezes impiedosos com os vencidos, foram contudo as mais das vezes, administradores eficazes e pouco violentos. Elevaram o mercenarismo, o soldado profissional ao zénite com os Janízaros, crianças cristãs capturadas e desde logo instruídas na língua turca, no Islão e nas artes militares. Podiam ascender a comandos importantes e até a cargos políticos – um foi governador do Egipto, na altura o posto mais prestigiado da administração turca – mas nem podiam casar – filhos ilegítimos não herdavam – nem podiam possuir terra para nada os desviar das actividades militares.
      Kemal Ataturk – mal amado por certa Europa por não ter dirigido uma democracia exemplar – deve ter sido um dos mais fantásticos estadistas dos tempos modernos. General prestigiado na Guerra da Crimeia, deixou o importante comando militar que tinha para fundar um partido. Conseguiu em mais ou menos 20 anos, trazer um país medieval para a modernidade e, se não tivesse morrido novo, teria consolidado a democracia – haviam partidos e jornais da oposição e eleições e quando as perdeu deixou a oposição governar – e colocado a Turquia na Europa.
      Não teve tempo para substituir totalmente o ensino islâmico pelo ensino secular – coexistiram os dois – e foi essa a base do partido islâmico que daria depois a presidência a Erdogan.
      Com culpa imensa de alemães e franceses que, assustados pela perspectiva da imigração turca , adiaram, tergiversaram e não cumpriram compromissos no processo de adesão à UE,.
      depois de anos, desenganados, de certa forma desistiram da Europa e começaram a explorar alternativas no Médio-Oriente e na Ásia Central, ex-repúblicas soviéticas do antigo Turcomenistão.
      A erradíssima política alemão e francesa, incluindo a aproximação ao Irão, a quem venderam as competências nuclerares a troco de petróleo, quase atirou a Turquia, apesar de membro fundador da NATO e herói da guerra-fria – 1.800 km de fronteira com a USRR e permanentes tentativas desta de subversão interna – para os braços de Moscovo a quem há meia dúzia de anos começaram a comprar armamento, incluindo o sistema de mísseis. O alinhamento com Moscovo, foi algo interrompido pela guerra no Ngorno-Karabakh em que a Turquia apoiou e combateu ao lado do Azerbeijão enquanto a Arménia era aliada da Rússia (nem a Rússia se empenhou nem a intervenção turca faz sentido sem uma longa explicação prévia envolvendo a realidade da etnia dos azeris). E agora pela guerra na Ucrânia em que a Turquia, embora sem nunca sancionar a Rússia, teve a coragem de fornecer à Ucrânia os “drones” armados com mísseis que foram e são um pesadelo para os blindados russos.
      P.S.- Na violência sobre os arménios, na realidade quase um genocídio que nem sonho desculpar, é verdade que os arménios “se puderam a jeito” e atraíram sobre si o ódio popular. Aconteceu na fase final do anterior regime, ainda com o sultão e antes de Ataturk. Para nós portugueses, ajudou, anos depois a uma sorte grande. Ficámos com o mais parecido que temos com um ministério da Cultura que, mesmo sem a Partex que o celebrado Costa e Silva conduziu até atirar a toalha ao chão e vender a terceiros, é um colosso financeiro ao serviço da cultura portuguesa.

    2. O império otomano, em África nunca foi além do Egipto e uma baixa estreita no mediterrâneo da Libia, Tunisia e Argélia não chegando a Marrocos.
      Não tem comparação com o império britânico.

  3. Os europeus roubaram obras de arte aos africanos assim como qualquer povo conquistador ao longo da história. O problema deste tema é que se fala muito nos europeus (sobretudo os ocidentais) como se estes fossem um bando de meros salteadores e os outros povos nunca tenham feito nada disso. Depois também ninguém fala nas infraestruturas que os europeus lá deixaram e que foram em muitos casos, descuradas e mal utilizadas (ou mesmo destruídas devido a guerras). Sim os europeus tiraram partido de África mas repetir isto ad nauseam também não sei qual a utilidade. O que foram para lá fazer os cubanos? É os chineses o foram e andam lá a fazer? E os americanos? Todos estes exemplos estão lá a explorar os africanos e a tirar partido das suas riquezas na mesma e só não cometem atrocidades como a escravatura porque estamos na século XXI (se bem que algumas ações dos chineses não sei bem não). Ora o mal não está nos europeus, está na natureza humana em si, pois a maioria esmagadora das pessoas quer o máximo para si mesmo que lhe sobre bastante e não se importa assim tanto com o pouco (ou nada) que sobra para os africanos ou seja para quem for. Já dá “ranço” sempre a mesma ladainha. As minhas desculpas a autora mas não posso deixar de comentar um tema que, está sempre a vir à baila sabe-se lá para servir que interesses.

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