Não sei se é correcta ou menos correcta. É a legal por seguir o Decreto nº 35.228, que se encontra em pleno vigor. O trágico é como um simulacro de direito pode ser tido como lei! Isso diz muito do altíssimo grau de iliteracia. Não é em vão que na lista de países ordenaos por grau de alfabetização em entre nós e os nossos vizinhos espanhois se interponham 18 (sic, dezoito) países. A nossa posição relativa em relação à Europa piorou nos últimos 40 anos.
Ser correcta é para mim muito mais importante do que ser legal. Não faltam coisas legais que são totalmente ilegítimas. Uma ortografia que separa famílias lexicais (‘setor’/’sectorial’, ‘Egito’/’egiptólogo’, ‘caráter’/’característica’) e faz tábua-rasa da memória das palavras é totalmente inaceitável.
“Direito” não é, ao contrário do que muito boa gente pensa, necessariamente “Justiça”. Longe disso. Poucos regimes terão tido tanto cuidado com o rigor formal – donde, com o “Direito” – como aquele que foi derrubado em 25 de Abril de 1974. E, todavia…
E todavia… por estes dias declara-se em vigor uma coisa (aberração ou não; e bem se sabe que o é) assim declarada por resolução do conselho de ministros e/ou da assembleia da república – o uso de minúsculas não é acidental: dá-se, por mim, importância ao que disso se acha justo credor -, quando qualquer aluno do primeiro ano de qualquer curso de Direito tem a obrigação de saber (se o não souber, e salvo reiterada falta às aulas, há que impedir imediatamente os seus docentes de o serem; inclusivamente alguns que servilmente aderiram ao AO90 , como certa figura de especial referência na FDL ) que, na hierarquia das normas, uma resolução está bem abaixo de um decreto-lei. Não o podendo, por isso, revogar.
O “regime fascista”, ao menos, tinha algum cuidado com a forma das coisas. Depois dele, parece, é o vale tudo.
O que é especialmente lamentável.
Costa
Ps.: nada sei da apresentação do livro. Sei que ontem estava à venda. É (era) o que precisava de saber.
Neste caso, é legal e legítima. Num estado de direito as mudanças ortográficas só podem ter um conteúdo declarativo (“é assim que se escreve”) e não constitutivo (“é assim que se deve escrever”). Por isso, uma ilustre linguísta da Academia Real Espanhola afirmava que o Acordo do Espanhol apenas tinha carácter indicativo, por respeito aos utilizadores da língua. É interessante que se esteja a falar de acordo debaixo do que penso ser uma representação do Afonso Costa. Maçon, muito entusiasta da “reforma” (que segue as ideais de um outro maçon) prometia aos seus contemporêneos e para breve um código penal igualmente “científico”, inspirado nas teses de Lombroso…. nas teoria das bossas. A balbúrdia que se seguiu, poupou o país a esse vexame, e Costa acabou em Paris advgoado dos miguelistas Duques de Cadaval mas esta boçalidade, que infelizmente pronunciou outros crimes aconteceu na república maçónica de 1910. Que fique como uma ideia da ciência que presidiu à ortografia científica: http://www.centenariodarepublica.org/centenario/2009/04/28/para-que-os-republicanos-mediam-os-cranios-dos-padres/
Meu caro, permita-me a preguiça de não procurar agora o “link”, mas já há algum tempo fiz por aqui referência à frenologia como um dos legados do republicanismo português.
Costa
Legal? Obrigatório? Eu escrevo como bem me apetecer, caro amigo.
Aproveito para informar que vou retomar a minha série ‘Resistência activa ao aborto ortográfico’.
Releio agora, quinze anos depois, as Memórias do Sexto Marquês de Lavradio. E parece-me que acabei de introduzir uma alteração na sequência planeada de próximas leituras.
Obrigado!
Abraço.
Em que grafia está grafado?
Todos os livros que sugiro aqui, sem excePção, são escritos na grafia correCta.
Ah! Saúde!
Pode confiar, V.
Caramba, o José Navarro distraiu-se? Tenho que passar numa livraria…
Temos de saber quando é a sessão de lançamento. Ainda não nos disse.
Não sei se é correcta ou menos correcta. É a legal por seguir o Decreto nº 35.228, que se encontra em pleno vigor.
O trágico é como um simulacro de direito pode ser tido como lei! Isso diz muito do altíssimo grau de iliteracia. Não é em vão que na lista de países ordenaos por grau de alfabetização em entre nós e os nossos vizinhos espanhois se interponham 18 (sic, dezoito) países.
A nossa posição relativa em relação à Europa piorou nos últimos 40 anos.
Ser correcta é para mim muito mais importante do que ser legal. Não faltam coisas legais que são totalmente ilegítimas.
Uma ortografia que separa famílias lexicais (‘setor’/’sectorial’, ‘Egito’/’egiptólogo’, ‘caráter’/’característica’) e faz tábua-rasa da memória das palavras é totalmente inaceitável.
“Direito” não é, ao contrário do que muito boa gente pensa, necessariamente “Justiça”. Longe disso. Poucos regimes terão tido tanto cuidado com o rigor formal – donde, com o “Direito” – como aquele que foi derrubado em 25 de Abril de 1974. E, todavia…
E todavia… por estes dias declara-se em vigor uma coisa (aberração ou não; e bem se sabe que o é) assim declarada por resolução do conselho de ministros e/ou da assembleia da república – o uso de minúsculas não é acidental: dá-se, por mim, importância ao que disso se acha justo credor -, quando qualquer aluno do primeiro ano de qualquer curso de Direito tem a obrigação de saber (se o não souber, e salvo reiterada falta às aulas, há que impedir imediatamente os seus docentes de o serem; inclusivamente alguns que servilmente aderiram ao AO90 , como certa figura de especial referência na FDL ) que, na hierarquia das normas, uma resolução está bem abaixo de um decreto-lei. Não o podendo, por isso, revogar.
O “regime fascista”, ao menos, tinha algum cuidado com a forma das coisas. Depois dele, parece, é o vale tudo.
O que é especialmente lamentável.
Costa
Ps.: nada sei da apresentação do livro. Sei que ontem estava à venda. É (era) o que precisava de saber.
Neste caso, é legal e legítima. tenario/2009/04/28/para-que-os-republica nos-mediam-os-cranios-dos-padres/
Num estado de direito as mudanças ortográficas só podem ter um conteúdo declarativo (“é assim que se escreve”) e não constitutivo (“é assim que se deve escrever”).
Por isso, uma ilustre linguísta da Academia Real Espanhola afirmava que o Acordo do Espanhol apenas tinha carácter indicativo, por respeito aos utilizadores da língua.
É interessante que se esteja a falar de acordo debaixo do que penso ser uma representação do Afonso Costa. Maçon, muito entusiasta da “reforma” (que segue as ideais de um outro maçon) prometia aos seus contemporêneos e para breve um código penal igualmente “científico”, inspirado nas teses de Lombroso…. nas teoria das bossas. A balbúrdia que se seguiu, poupou o país a esse vexame, e Costa acabou em Paris advgoado dos miguelistas Duques de Cadaval mas esta boçalidade, que infelizmente pronunciou outros crimes aconteceu na república maçónica de 1910. Que fique como uma ideia da ciência que presidiu à ortografia científica:
http://www.centenariodarepublica.org/cen
Meu caro, permita-me a preguiça de não procurar agora o “link”, mas já há algum tempo fiz por aqui referência à frenologia como um dos legados do republicanismo português.
Costa
Legal? Obrigatório? Eu escrevo como bem me apetecer, caro amigo.
Aproveito para informar que vou retomar a minha série ‘Resistência activa ao aborto ortográfico’.
Releio agora, quinze anos depois, as Memórias do Sexto Marquês de Lavradio. E parece-me que acabei de introduzir uma alteração na sequência planeada de próximas leituras.
Costa
Faz muito bem, Costa.
Caríssimos, hão-de saber a data de lançamento, prometo-vos. Dar-me-ia enorme prazer poder contar com a vossa presença. Obrigado pelas vossas palavras.
Parabéns!
Muitos sucessos…