Muito interessante, o Pedro ter colocado aqui este livro.
Uso bastantes considerações filosóficas, mas na verdade leio pouco sobre o assunto. De certa forma, fiz o mesmo que fiz com outros assuntos, ou seja, procurei saber o essencial, e não sabendo de outras novidades relevantes, as polémicas estéreis não me interessam.
Do que percebi, trata-se de um livro que rebate dúvidas sobre as noções de verdade e conhecimento, em termos absolutos. Ainda bem. Essa moda céptica relativista é quase um gozo circense.
É demasiado fácil refutar logicamente as pretensas negações de verdade absoluta. Dizer que “a verdade absoluta não existe” é dito como “verdade absoluta”… e assim a pretensão é em si contraditória.
Isso incomoda, porque há quem goste, e mais que isso, precise, de terrenos pantanosos, onde tudo é relativo, tudo é questionável. Se tudo é questionável… a ideia de que “tudo é questionável” é questionável, e por isso a dúvida pode ser princípio e servir de meio, mas não é fim.
Popper, no seu delírio conveniente, quis definir como conhecimento científico tudo o que estava sujeito a falsificação. Essa definição delirante retirava de jogo conclusões absolutas, como as da lógica e da matemática. Seria como recusar que 2 mais 3 maçãs dessem 5, simplesmente porque tal conclusão não podia ser falsificada experimentalmente. A necessidade de falsificação era o terreno pantanoso, em que a comunidade não aceitaria nenhuma verdade, por mais evidente que fosse. Exigia a falsificação como forma de recusar uma verdade absoluta.
Vivendo do reconhecimento alheio, estes devaneios podem ser popularizados, e até encarados como “verdades académicas”. O decreto orwelliano mostra o poder da “verdade social” que pode impor como 4 a contagem de dedos, e um contar de 5 dedos na mão, será então considerado uma perturbação mental, punível com o corte de um, para cura.
O que chateia muita gente, é que há de facto um caminho de verdade, que não é mais do que a negação da falsidade. Chateia, porque esse caminho pode ser individual, assenta na lógica, e não precisa de nenhum carimbo de verdade da comunidade académica. Assim, a única coisa que as baratas tontas da dúvida incessante conseguem fazer é tentar instalar as suas dúvidas nos outros. Ou seja, tentam espalhar a lama do seu charco, de onde não querem sair. Mesmo que sejam contraditados, podem afirmar que o valor absoluto da contradição é dúbio, tudo é dúbio menos a sua dúvida, e assim do charco não saem.
Estas dúvidas sobre o conhecimento são como as de um pedreiro que usando tijolos faz uma abertura num muro. Olhando para o buraco, daria tanto valor ao buraco que consideraria que tudo pode ser um buraco. Esquece a solidez do tijolo, porque o tijolo pode ser também ele um buraco. Ficou hipnotizado pelo buraco, e recusa ver que o buraco só apareceu, porque antes disso usou tijolos. Mas entretanto, já recusa os tijolos, e não há muro, não há nada, só há buracos. Mesmo se lhe pedirmos então para explicar como faz um buraco num muro sem tijolos, ele recusa essa impossibilidade… Assim, a única solução é mandar-lhe com um tijolo à cabeça, porque o defeito está ali… sem dúvida!
Muito interessante, o Pedro ter colocado aqui este livro.
Uso bastantes considerações filosóficas, mas na verdade leio pouco sobre o assunto. De certa forma, fiz o mesmo que fiz com outros assuntos, ou seja, procurei saber o essencial, e não sabendo de outras novidades relevantes, as polémicas estéreis não me interessam.
Do que percebi, trata-se de um livro que rebate dúvidas sobre as noções de verdade e conhecimento, em termos absolutos.
Ainda bem. Essa moda céptica relativista é quase um gozo circense.
É demasiado fácil refutar logicamente as pretensas negações de verdade absoluta.
Dizer que “a verdade absoluta não existe” é dito como “verdade absoluta”… e assim a pretensão é em si contraditória.
Isso incomoda, porque há quem goste, e mais que isso, precise, de terrenos pantanosos, onde tudo é relativo, tudo é questionável.
Se tudo é questionável… a ideia de que “tudo é questionável” é questionável, e por isso a dúvida pode ser princípio e servir de meio, mas não é fim.
Popper, no seu delírio conveniente, quis definir como conhecimento científico tudo o que estava sujeito a falsificação. Essa definição delirante retirava de jogo conclusões absolutas, como as da lógica e da matemática. Seria como recusar que 2 mais 3 maçãs dessem 5, simplesmente porque tal conclusão não podia ser falsificada experimentalmente.
A necessidade de falsificação era o terreno pantanoso, em que a comunidade não aceitaria nenhuma verdade, por mais evidente que fosse. Exigia a falsificação como forma de recusar uma verdade absoluta.
Vivendo do reconhecimento alheio, estes devaneios podem ser popularizados, e até encarados como “verdades académicas”. O decreto orwelliano mostra o poder da “verdade social” que pode impor como 4 a contagem de dedos, e um contar de 5 dedos na mão, será então considerado uma perturbação mental, punível com o corte de um, para cura.
O que chateia muita gente, é que há de facto um caminho de verdade, que não é mais do que a negação da falsidade.
Chateia, porque esse caminho pode ser individual, assenta na lógica, e não precisa de nenhum carimbo de verdade da comunidade académica. Assim, a única coisa que as baratas tontas da dúvida incessante conseguem fazer é tentar instalar as suas dúvidas nos outros. Ou seja, tentam espalhar a lama do seu charco, de onde não querem sair. Mesmo que sejam contraditados, podem afirmar que o valor absoluto da contradição é dúbio, tudo é dúbio menos a sua dúvida, e assim do charco não saem.
Estas dúvidas sobre o conhecimento são como as de um pedreiro que usando tijolos faz uma abertura num muro. Olhando para o buraco, daria tanto valor ao buraco que consideraria que tudo pode ser um buraco. Esquece a solidez do tijolo, porque o tijolo pode ser também ele um buraco. Ficou hipnotizado pelo buraco, e recusa ver que o buraco só apareceu, porque antes disso usou tijolos. Mas entretanto, já recusa os tijolos, e não há muro, não há nada, só há buracos.
Mesmo se lhe pedirmos então para explicar como faz um buraco num muro sem tijolos, ele recusa essa impossibilidade…
Assim, a única solução é mandar-lhe com um tijolo à cabeça, porque o defeito está ali… sem dúvida!
Muito bem, caro daMaia. Excelentes pistas de reflexão que aqui deixa, uma vez mais.