Quando vejo escritores como ela e Knausgaard a serem publicados em detrimento de tantos outros grandes escritores europeus, é aí que eu sinto a completa inutilidade e fragilidade do mito de que somos todos europeus. Estamos todos tão próximos uns dos outros, porém conhecemo-nos tão mal. Não é por coincidência que estes dois chegam às nossas praias quando estão a passar por períodos de grande popularidade nos EUA, onde foram descobertos por críticos e romancistas famosos e influentes como James Wood e Jonathan Franzen. Os americanos não só conseguem exportar a cultura deles, ainda conseguem exportar a dos outros.
Entretanto os húngaros Peter Nadas (constantemente mencionado para o Nobel) Attila Bartis e Laszlo Krasnahorkai, o romeno Mircea Cărtărescu, a polaca Magdalena Tulli e tantos outros vão esperando pela sua vez, ou pelo dia em que Wood e Franzen nos digam que são grandes escritores. Que nenhum editor português se atreva a chegar a essa conclusão pela própria cabeça, e a arriscar com um desconhecido.
Engraçado, descobri isso hoje mesmo ao ler o site do Público. Mas como afirma Francisco Vale, editor da Relógio d’Água, “O mercado inglês tem a capacidade de alterar quase tudo, eles ditam as tendências.” E julgo que isso sustém a minha tese. Quando ela chegou cá sem a tutela americana, passou ao lado, ignorada. Agora regressa entretanto descoberta por James Wood, e agora todos achamos a senhora um génio da actualidade. O quê? Ela melhorou de repente, foi?
Não tenho paciência para pessoas com gostos volúveis e que precisam da autoridade de outrem para validarem as suas crenças.
Ah, esta também já chegou a Portugal…
Quando vejo escritores como ela e Knausgaard a serem publicados em detrimento de tantos outros grandes escritores europeus, é aí que eu sinto a completa inutilidade e fragilidade do mito de que somos todos europeus. Estamos todos tão próximos uns dos outros, porém conhecemo-nos tão mal. Não é por coincidência que estes dois chegam às nossas praias quando estão a passar por períodos de grande popularidade nos EUA, onde foram descobertos por críticos e romancistas famosos e influentes como James Wood e Jonathan Franzen. Os americanos não só conseguem exportar a cultura deles, ainda conseguem exportar a dos outros.
Entretanto os húngaros Peter Nadas (constantemente mencionado para o Nobel) Attila Bartis e Laszlo Krasnahorkai, o romeno Mircea Cărtărescu, a polaca Magdalena Tulli e tantos outros vão esperando pela sua vez, ou pelo dia em que Wood e Franzen nos digam que são grandes escritores. Que nenhum editor português se atreva a chegar a essa conclusão pela própria cabeça, e a arriscar com um desconhecido.
Ora pois. Tenho pensado muita vez exactamente nisso.
A Elena Ferrante não chegou só agora a Portugal, existe uma edição da Dom Quixote:
“Um Estranho Amor” de Setembro/2005.
🙂
Antonieta
Engraçado, descobri isso hoje mesmo ao ler o site do Público. Mas como afirma Francisco Vale, editor da Relógio d’Água, “O mercado inglês tem a capacidade de alterar quase tudo, eles ditam as tendências.” E julgo que isso sustém a minha tese. Quando ela chegou cá sem a tutela americana, passou ao lado, ignorada. Agora regressa entretanto descoberta por James Wood, e agora todos achamos a senhora um génio da actualidade. O quê? Ela melhorou de repente, foi?
Não tenho paciência para pessoas com gostos volúveis e que precisam da autoridade de outrem para validarem as suas crenças.
http://www.publico.pt/culturaipsilon/not icia/elena-ferrante-este-nome-e-um-miste rio-1683398