Sugestão: um livro por dia


Pedro Correia,

 

 

Aparição, de Vergílio Ferreira

Romance

(reedição Quetzal, 2014)

18 comentários em “Sugestão: um livro por dia”

  1. Este não vou comprar pois já tenho o da capa amarela.
    Por falar em cores, Pedro, é quase imperdoável não ter sugerido hoje um livro de capa verde (eheheh)!
    Boa e ecológica (leia-se verde) Páscoa para si e família.
    🙂 Antonieta

    1. Vontade não me faltava, Antonieta. Mas em Domingo de Páscoa não achei título mais oportuno do que este. Já um clássico da novelística portuguesa.
      Ao lê-lo, na adolescência, senti-me arrebatado pela bela prosa de Vergílio Ferreira: devo-lhe grande parte do meu gosto pela escrita. Um estilo único, genuíno, inimitável. Como se tivesse uma voz interior a ditar-lhe o que escrevia.

      1. Aparição é realmente um título fantástico para o dia de Páscoa.
        Todavia, com capa daquele verde vibrante que nós tanto apreciamos, sugiro ‘A Viagem dos Inocentes’
        do Mark Twain, pese embora o facto de ele dizer tanto mal dos portugueses da ilha do Faial.
        Ainda bem que não o deixaram desembarcar no ‘Jardim’ da Madeira.
        🙂 Antonieta

          1. É daquela colecção de viagens da Tinta da China e fiquei mesmo triste quando quando o li, pois chama-nos burros, porcos, preguiçosos, vigaristas e sei lá que mais. É uma imagem de 1869, salvo erro, mas verdadeiramente deprimente.
            Será que éramos mesmo assim?
            Fica a pergunta.
            Antonieta

  2. Nunca li Vergílio Ferreira depois de ter assistido a “Manhã Submersa” na rtp-açores durante a minha adolescência cortei logo com o escritor cuja a obra de base tanto me deprimira na TV (não sei de quem era culpa, poderia ser do realizador que nem sei quem era).
    Não vou fazer o mea culpa pois foi a divulgação que me afastou do escritor mas a curiosidade e a proposta hoje aqui lançada talvez me façam vencer esta barreira e ler a Aparição.

    1. Vença essa barreira, Carlos. Leia ‘Aparição’, ‘Cântico Final’, ‘Alegria Breve’, ‘Para Sempre’. Do melhor que encontramos na literatura portuguesa.

    2. Olá, Carlos!
      Junto a minha voz à do Pedro, o Vergílio Ferreira tem livros extraordinários.
      Dos muitos que já li, o meu favorito é o ‘Para
      Sempre’: absolutamente
      comovente!
      Pelo que leio no Geocruise temos muitos gostos semelhantes, acho que vai gostar…
      O filme A Manhã Submersa foi realizado pelo Lauro António e retrata muito bem o que era a vida nos seminários naquele tempo.
      Desejo-lhe uma óptima Páscoa nessa ilha maravilhosa onde estive há muitos anos e, como diz o outro, fui muito feliz.
      🙂 Antonieta

      1. Obrigado Antonieta, pela recomendação e pela informação de que passa pelo Geocrusoe…
        Não há problema no lapso ortográfico, comum em quem nem saber a razão do nome: durante muitos anos fui o único geólogo nesta ilha, sentiam-me profissionalmente como o R. Crusoe e até por vezes fiz isoladamente o trabalhos de grupo num mestrado que decorria na ilha de São Miguel, hoje já somos vários por cá, só que poucos deles gostam de ler.

    1. li esta obra, e ainda tenho, numa edição de livros de bolso da editorial verbo: colecção “biblioteca básica verbo” – livros rtp.
      esta obra era o nº 34 dessa colecção.
      ainda guardo também o nº 8, o fabuloso “werther”. hoje em dia, se perguntar a alguém se conhece, perguntam-me se não estarei a falar do werder bremen…

      1. Coincidência: li ‘Aparição’ justamente nessa colecção dos Livros RTP, de saudosa memória. E guardo religiosamente esse livro. Pena a colecção ter terminado no nº 100.
        Não me espanto nada sobre essa ignorância em redor dos clássicos. Basta ler e ouvir o vocabulário comum, cada vez mais reduzido. E há até já “escritores consagrados” a escrever romances com a concisão e o estilo das mensagens de telemóveis. Parece que são muito apreciados por causa disso.

  3. Um dos livros da minha vida – e uma das melhores prosas que já tive oportunidade de ler.

    Curiosamente, não o tenho na minha biblioteca pessoal – sempre que o li, foi no exemplar da minha irmã, que o comprou no décimo segundo ano dela (no tempo dela era leitura obrigatória, creio; no meu, as escolas podiam escolher entre “Aparição” e “Memorial do Convento”, e a escola secundária em Odemira escolheu Ferreira. Agora, ao que parece, é Saramago de Norte a Sul, uma tristeza).

    Mas quando finalmente adquirir um para mim, irei procurar a edição antiga, amarela, num alfarrabista. Jamais compraria este, com uma capa banalíssima com a “stock photo” da moda.

    1. Vi há meses, na montra de um alfarrabista, um exemplar da 1ª edição deste romance. Senti-me muito tentado a comprá-lo. Acabei por passar ao largo: estava desempregado, não fazia a menor ideia quando arranjaria emprego e não podia dar-me a esse luxo, ainda que o preço me parece relativamente módico.
      Ficará para outra ocasião. Mas é sem dúvida um dos romances da minha vida. Um dia cheguei a ir de propósito a Évora para o “sentir” melhor. A grande literatura provoca-nos isto, João.

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