I’m Your Man: A Vida de Leonard Cohen, de Sylvie Simmons
Tradução de Paulo Faria
Biografia
(edição Tinta da China, 2019)
6 comentários em “Sugestão: um livro por dia”
Comecei a lê-lo há tempos, mas a leitura vai lenta, meteu-se tanta coisa pelo meio… Mas é uma excelente sugestão, Pedro, e o Leonard Cohen é, decididamente, um dos men da minha vida. 🌼 Maria
Na verdade, sem merecimento. Este blog espoleta a “criatividade” dos seus leitores. Particularmente no que ao Pedro Correia concerne, os posts são uma inefável fonte de inspiração. Daí ser mais fácil do que pescar num barril.
Para os interessados em Cohen, deixo aqui um poema sobre Portugal que aparece no seu 1.o livro, então apenas publicado no Canadá, no ano de 1956, “Let Us Compare Mythologies”.
The Warrior Boats
The warrior boats from Portugal Strain at piers with ribs exposed And seagull generations fall Through the wood anatomy
But in the town, the town Their passion unimpaired The beautiful dead crewman Go climbing in the lanes Boasting poems and bitten coins
Handsome bastards What do they care If the Empire has withered To half a peninsula If the Queen has the King’s Adviser For her last and seventh lover
Their maps have not changed Thighs still are white and warm New boundaries have not altered The marvellous landscape of bosoms Nor a Congress relegated the red mouth To a foreign district
Then let the ships disintegrate At the edge of the land The gulls will find another place to die Let the home ports put on mourning And little clerks Complete the necessary papers
But you swagger on, my enemy sailors Go climbing in the lanes Boasting your poems and bitten coins Go knocking on all the windows of the town
At one place you will find my love Asleep and waiting And I cannot know how long She has dreamed of all of you
Oh remove my coat gently From her shoulders.
A título de curiosidade, em 1985, a Fenda/Centelha, de Coimbra, numa então errante tentativa de criar um espaço editorial destinado a um público consumidor do fenómeno Pop/Rock (apenas seguida pela Assírio E Alvim, a partir de Lisboa) “imaginado” – julgo eu! – pelo então crescente (e, claro, financeiramente rentável) mercado de concertos & festivais, tomou a iniciativa de disponibilizar o título “Leonard Cohen. 59 Canções de Amor e Ódio; E um Poema sobre Portugal”, de “Apresentação e tradução de José Alfredo Marques” (https://www.goodreads.com/author/show/16253969.Jos_Alfredo_Marques), onde até se pode encontrar uma tradução, para português, do tal poema… que, para mim, só por si merece ser tão levado a sério quanto até o original de Cohene, do qual apenas deixo de seguida um excerto do mesmo, a título de curiosidade:
Os Barcos de Guerra
De Portugal os barcos de guerra contorcem-se no cais, expondo seus vigamentos. Gerações de gaivotas caem através dos esqueletos de madeira.
Na cidade os belos marinheiros mortos, intacta a sua paixão, vagueiam pelos becos desbaratando poemas e moedas gastas.
Comecei a lê-lo há tempos, mas a leitura vai lenta, meteu-se tanta coisa pelo meio…
Mas é uma excelente sugestão, Pedro, e o Leonard Cohen é, decididamente, um dos men da minha vida.
🌼
Maria
Ainda bem que gostou da sugestão, Maria. Esta rubrica vai prosseguir, apesar das crescentes dificuldades.
Acho que devido a conjuntura actual, a melhor leitura é o DO.
Diversificada e para todos os gostos.
Apraz ao sério e ao trafulha,
ao roto e ao engravatado,
à virtuosa e à pecadora,
e até à vizinha do lado.
Ao padre e ao sacristão,
ao ateu e ao cristão,
ao polícia e ao ladrão,
e nem se dá, por no sofá dormir o cão.
Não promove o queijo da serra,
mas dá mais élan à cultura.
Não se fala da tia dela,
mas torna sábia a mais burra criatura.
Casca-se no Governo a preceito,
no vizinho do quinto andar,
despe-se a farpela do preconceito,
e encandeia a luz que emerge a opinar.
Leiam pois o Delito de Opinião,
pois se não move a roda do moinho,
nem a que amola o machadinho,
a todos permite pelejar por sua razão.
Na verdade, sem merecimento.

Este blog espoleta a “criatividade” dos seus leitores. Particularmente no que ao Pedro Correia concerne, os posts são uma inefável fonte de inspiração.
Daí ser mais fácil do que pescar num barril.
Para os interessados em Cohen, deixo aqui um poema sobre Portugal que aparece no seu 1.o livro, então apenas publicado no Canadá, no ano de 1956, “Let Us Compare Mythologies”.
The Warrior Boats
The warrior boats from Portugal
Strain at piers with ribs exposed
And seagull generations fall
Through the wood anatomy
But in the town, the town
Their passion unimpaired
The beautiful dead crewman
Go climbing in the lanes
Boasting poems and bitten coins
Handsome bastards
What do they care
If the Empire has withered
To half a peninsula
If the Queen has the King’s Adviser
For her last and seventh lover
Their maps have not changed
Thighs still are white and warm
New boundaries have not altered
The marvellous landscape of bosoms
Nor a Congress relegated the red mouth
To a foreign district
Then let the ships disintegrate
At the edge of the land
The gulls will find another place to die
Let the home ports put on mourning
And little clerks
Complete the necessary papers
But you swagger on, my enemy sailors
Go climbing in the lanes
Boasting your poems and bitten coins
Go knocking on all the windows of the town
At one place you will find my love
Asleep and waiting
And I cannot know how long
She has dreamed of all of you
Oh remove my coat gently
From her shoulders.
A título de curiosidade, em 1985, a Fenda/Centelha, de Coimbra, numa então errante tentativa de criar um espaço editorial destinado a um público consumidor do fenómeno Pop/Rock (apenas seguida pela Assírio E Alvim, a partir de Lisboa) “imaginado” – julgo eu! – pelo então crescente (e, claro, financeiramente rentável) mercado de concertos & festivais, tomou a iniciativa de disponibilizar o título “Leonard Cohen. 59 Canções de Amor e Ódio; E um Poema sobre Portugal”, de “Apresentação e tradução de José Alfredo Marques” (https://www.goodreads.com/author/show/1 6253969.Jos_Alfredo_Marques), onde até se pode encontrar uma tradução, para português, do tal poema… que, para mim, só por si merece ser tão levado a sério quanto até o original de Cohene, do qual apenas deixo de seguida um excerto do mesmo, a título de curiosidade:
Os Barcos de Guerra
De Portugal os barcos de guerra
contorcem-se no cais,
expondo seus vigamentos.
Gerações de gaivotas caem
através dos esqueletos de madeira.
Na cidade
os belos marinheiros mortos,
intacta a sua paixão,
vagueiam pelos becos
desbaratando poemas e moedas gastas.
Garbosos bastardos!
(…)