![capa_Joao Novilho_300dpi[1].jpg capa_Joao Novilho_300dpi[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2019/21356891_4QZR6.jpeg)
A Deslumbrada Vida de João Novilho, de Jorge Tinoco
Romance
(edição Guerra & Paz, 2019)
“A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico”
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A Deslumbrada Vida de João Novilho, de Jorge Tinoco
Romance
(edição Guerra & Paz, 2019)
“A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico”
a vida de um novilho?
não li o livro, nem vi o filme (não existe? :), mas adoro a capa e, oh!, se sou exigente (também) com as capas.
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(não sei se isto acontece só comigo – duvido – mas adoro gente vista por detrás, como uma selfie acertada: alguém, outro alguém, vendo por contornos, formas, mas seguramente gostando de quem fotografa/ilustra/etc.)
As capas de que hoje gosto mais são da Relógio d’ Água e da E-primatur.
Um dia hei-de fazer uma série sobre capas de livros. Talvez para eleger as dez melhores. De dez autores diferentes – incluindo, naturalmente, Sebastião Rodrigues e Cândido Costa Pinto.
tu e as séries, há nisso algo de compulsão obsessiva, até compulsiva…
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(não estou a criticar, somente a constatar, na minha – sempre mais do que uma – perspectiva, Pedro, que não ando pelas Ordens: psiquiatria, psicologia, etc., e sei apreciar as pessoas pela sua diferença, mas lá que tens a mania disto & aquilo, ah, tens!)
Eventualmente, aquilo que te move, e isso é respeitável!
Preferias o quê? Uma capa ou duas só?
Assim nem vale a pena começar.
Os portugueses, em regra, são bons nos prefácios e péssimos nos epílogos. Fica quase tudo a meio caminho. Veja-se Santa Engrácia, o Palácio da Ajuda, a capelas imperfeitas, etc, etc, etc.
Eu não tenho que preferir nada, Pedro!
E há uma cousa que mexe demasiado comigo, naquilo que escreveste, e não posso deixar passar: as Capelas Imperfeitas são Perfeitas
Perfeição, nessa óptica, é perpetuar o inacabado. Nada mais português.
Obsessivo…
Tenta pensar assim: a céu aberto, toda aquela beleza……………………….
A propósito do inacabado: lembro-me sempre daquele enorme pedestal com duas gigantescas colunas, colocado no alto do Parque Eduardo VII. Era para figurar ali a estátua do D. Nuno Álvares Pereira que à última hora o Salazar decidiu pôr na Batalha – foi a última inauguração a que assistiu, em 1968.
Ali ficou aquele mastodonte sem préstimo a coroar o parque. Até que nos anos 90 o João Soares tentou preencher o vazio implantando ali o célebre pirilau do Cutileiro. Coisa pífia, sem dimensão para aquele cenário.
De maneira que o vazio se perpetuou ali também. Muito à portuguesa.
O “inacabado”, como lhe chamas, tem uma beleza própria (o caso das Capelas).
Donde, constato que, de facto, tens uma obsessão com a “perfeição” (o caso que não existe, Pedro)
“Tudo é disperso, nada é inteiro.”
Verso do Pessoa, que define de modo exemplar a idiossincrasia portuguesa. Talvez por isso nos tenhamos dispersado tanto pelas mais diversas partes do mundo.
De qualquer forma, não caberíamos todos aqui, no rectângulo: e a dispersão, às vezes mais uma diáspora, significa também uma insaciável curiosidade…
Sem relação aparente, queria deixar-te este exemplo: o Leonardo da Vinci começava inúmeros projectos (em tudo o que é cousa… 🙂 que quase nunca terminava, sendo pressionado pelos mecenas para que terminasse as encomendas, por vezes durante anos a fio (um dos casos mais deliciosos é o afresco da última ceia, em Milão, que terá levado mais de 3 anos a concluir e sob o qual, com tecnologias de ponta, se descobriu que existiram inúmeros esboços prévios: ou talvez outras versões, quem sabe, tamanha era a sua insatisfação e exigência perfeccionistas).
Donde, não sublinharia, como tu, a “idiossincrasia portuguesa”, ou qualquer outra, antes traços gerais de uma mesma sociedade/cultura, sempre com a questão absoluta da individualidade de cada cidadão dessa mesma sociedade/cultura (e nenhuma/ninguém é impermeável, com excepção daquelas tribos isoladas…)
Ainda?
E eu é que sou “obsessivo”…
e onde está o PAN, quando existe um novilho deslumbrado?…
(pus-me a ver o Ray Donovan, Pedro; aquela personagem do Jon Voight é a lei de Murphy personificada. boa sugestão!)
É viciante, Cristina. Verá que gosta cada vez mais.
capas: Pedro Serpa.