Sugestão: um livro por dia


Pedro Correia,

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 Os Ricos, de Maria Filomena Mónica

Ensaio

(reedição A Esfera dos Livros, 6.ª ed, 2018)

3 comentários em “Sugestão: um livro por dia”

  1. Quando leio os textos de MFM e algumas entrevistas fico com a sensação de que a sua relação com a realidade portuguesa ficou parada algures entre o final do século XIX e a década de 70 do século passado, nada tendo a ver com a contemporaneidade nacional. A capa do livro não augura que a leitura deste livro altere essa impressão.

    1. É a própria autora, se bem recordo texto seu ou entrevista sua, quem se coloca razoavelmente à margem do tempo presente e a ele prefere, como referência, esse final do século XIX. Tendo em conta o que foi o século XX português (e não apenas) e o que está a ser o século XXI, pelo menos quanto aos líderes e ao geral e arrogante triunfo da estupidez, do embrutecimenro, da venalidade e da superficialidade, essa opção: uma visão oitocentista – sem ignorar as imensas insuficiências e injustiças desse tempo, e sem esquecer o que a evolução tornou básico -, não é necessariamente inferior.

      Há evidentemente preconceitos, ideológicos desde logo, que (e será legítimo tê-los) podem barrar liminarmente, resistindo a qualquer argumentação, a aceitação de um autor ou de uma obra. E há a visão portuguesa do antigo – patente por todo o país, nas mentes e no visível – que o toma não como legado, património que enforma também o presente e revela pistas para o futuro, mas como “velho”, coisa na melhor hipótese inútil e mero estorvo. E um povo (voluntariamente) sem passado e entregue à bola e pouco mais é coisa que dá imenso jeito.

      Há muito século XIX e século XX até essa década de 70 (e até depois), nesse livro. Há, sim senhor. Mas não vem mal ao mundo, creio, em conhecer um pouco mais desses períodos, de gentes desses tempos e da interpretação que deles faça a autora. E concordar e discordar onde isso se nos imponha.

      Não será certamente pior do que ignorar, tomando por velharia sem préstimo, o que desses tempos nos seja revelado.

      Costa

      1. Muito obrigado pela resposta. Não vem mal ao mundo, não senhor, se for esse o objetivo. Referia-me (não ao livro que não li), à impressão que me fica da leitura de certas entrevistas que o olhar da socióloga sobre a sociedade contemporânea, nomeadamente a sociedade rural e a não culta, vê tiques do passado que já não correspondem à realidade actual. Para o bem e para o mal.

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