Ó Pedro, isto é tão bom, mas tão bom, que uma pessoa até desiste logo de qualquer pretensão de vir a escrever o que quer que seja. Tão desconcertante, tão rico, tão cheio de ironia e de humor e de sarcasmo e de tudo, raismapartam. Uma das minhas frases preferidas do livro, bem ilustrativa do estilo de Díaz: “ainda não tinha cinquenta anos, mas já era uma dueña”.
Ou, talvez este excerto: “Não valia a pena dourar a pílula ou fingir o contrario: o Rafa estava a morrer. (…) Eu tinha dezassete anos e meio e fumava tanta erva que se recordo uma hora de todos esses dias, já é muito. A minha mãe tinha o seu próprio meio de fuga – o cansaço (…) Ainda assim a velhota arranjava uma horas para se encontrar com o seu novo namorado, Jeová. Eu tinha a minha yerba, ela tinha a sua. Até então, ela nunca tinha ligado muito à religião, mas mal aterrámos no planeta cancro, ficou tão apanhada por Jesus Cristo que era capaz de se pregar a si própria numa cruz, se alguém lhe desse uma mãozinha. Nesse último ano, ela era toda avé-maria. Trazia o seu grupo de oração para o nosso apartamento umas duas ou três vezes por dia. Eu chamava-lhes As Quatro Cavalonas do Apocalipse”
De facto Junot Diaz é um escritor com um estilo inconfundível, Francisca. E não deve ser nada fácil de traduzir, pois utiliza a todo o momento gíria usada pelos emigrantes dominicanos nos EUA, alternando linguagem “literária” com linguagem da rua.
Ó Pedro, isto é tão bom, mas tão bom, que uma pessoa até desiste logo de qualquer pretensão de vir a escrever o que quer que seja. Tão desconcertante, tão rico, tão cheio de ironia e de humor e de sarcasmo e de tudo, raismapartam.
Uma das minhas frases preferidas do livro, bem ilustrativa do estilo de Díaz: “ainda não tinha cinquenta anos, mas já era uma dueña”.
Ou, talvez este excerto: “Não valia a pena dourar a pílula ou fingir o contrario: o Rafa estava a morrer. (…) Eu tinha dezassete anos e meio e fumava tanta erva que se recordo uma hora de todos esses dias, já é muito.
A minha mãe tinha o seu próprio meio de fuga – o cansaço (…) Ainda assim a velhota arranjava uma horas para se encontrar com o seu novo namorado, Jeová. Eu tinha a minha yerba, ela tinha a sua. Até então, ela nunca tinha ligado muito à religião, mas mal aterrámos no planeta cancro, ficou tão apanhada por Jesus Cristo que era capaz de se pregar a si própria numa cruz, se alguém lhe desse uma mãozinha. Nesse último ano, ela era toda avé-maria. Trazia o seu grupo de oração para o nosso apartamento umas duas ou três vezes por dia. Eu chamava-lhes As Quatro Cavalonas do Apocalipse”
De facto Junot Diaz é um escritor com um estilo inconfundível, Francisca. E não deve ser nada fácil de traduzir, pois utiliza a todo o momento gíria usada pelos emigrantes dominicanos nos EUA, alternando linguagem “literária” com linguagem da rua.