Sugestão: um livro por dia


Pedro Correia,

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   E se Angola tivesse proclamado a independência em 1959?, de Jonuel Gonçalves

Ensaio histórico

(edição Guerra & Paz, 2018)

“A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico”

10 comentários em “Sugestão: um livro por dia”

  1. A resposta é, teria havido guerra na mesma.
    De facto, Portugal, ao contrário da Inglaterra e da França, não estava esgotado (psicologicamente e financeiramente) pela Segunda Guerra Mundial e portanto teria resistido sempre à independência de Angola – que para Portugal era, ao contrário de algumas outras colónias, muito valiosa economicamente e demograficamente.

  2. Tendo em conta o que lá se construíu entre 1961 e 1975, Angola independente em 1959, hoje seria não digo um Zimbábwe, mas uma Zambia. Isto vale o que vale, mas tanto quanto julgo saber, em 1961 os únicos quilómetros de estrada asfaltada existentes em Angola, eram a ligação do Lobito a Benguela, cerca de 30 quilometros. Em 1975 todas as capitais de distrito estavam ligadas por asfalto, com destaque para a estrada da Serra da Leba, a última grande obra publica que a administração portuguesa deixou em Angola e que encurtou a viagem entre Sá da Bandeira, hoje Cidade do Lubango, e Moçâmedes, hoje Cidade do Namibe em várias dezenas de quilómetros. É uma obra extraordinária em qualquer parte do mundo. Já para não falar no crescimento das principais cidades, da construção de escolas e hospitais, que não eram apenas para brancos, eram para todos.

    1. Alexandre, pode, por favor, relembrar quais as razões que conduziram a que as grandes obras públicas só tivessem inicio em 1961, tendo em consideração que a colonização efectiva do território angolano surgiu por volta de 1850?

      Alguns dados:

      a)Em 1956 é publicado o primeiro manifesto do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

      b)O principal período da descolonização africana ocorreu entre 1960 e 1970. A Organização das Nações Unidas (ONU) apoia os países colonizados na sua luta contra as potências colonialistas europeias.

      c)A política dos EUA em relação às colónias portuguesas muda. Em 1961, o Congresso norte-americano decreta um embargo militar contra Portugal, seu aliado na NATO, a Aliança Atlântica.

      Parece-me que as estradas de asfalto, os hospitais e as escolas tiveram como causas as pressões internas (Movimentos de Descolonização) e internacionais (ONU; Vaticano)sobre Portugal e o Império Ultramarino e não com uma genuína preocupação portuguesa para com a miséria do povo angolano.

      Mas isto é só um achismo…

      1. É um facto que foi a guerra que despoletou o desenvolvimento de Angola depois de 1961, foi o que eu escrevi no meu comentário. Quanto às “pressões dos movimentos de descolonização”, basta ver o que era Angola em 1975 e naquilo que se tornou hoje.
        Vivi em Angola entre Janeiro de 1972 e meados de 1975, por isso posso afirmar que o que você escreveu, é mesmo um achismo.

        1. Durante o tempo colonial, os Portugueses não suportaram o desenvolvimento de um sistema educativo para os Angolanos mas deixaram-no quase inteiramente para instituições religiosas. Em consequência disso, logo depois da independência a taxa de analfabetismo era muito elevada, uma estatística elaborada pela Direcção Nacional de Ensino Geral DNEG e Comissão Nacional para a UNESCO, CNU, estima que em 1975 a taxa bruta de analfabetismo no país era de cerca de 85% da população economicamente activa.

          https://www.unicef.org/evaldatabase/index_68372.html

          Segundo um primo meu, que trabalhava no Ministério do Ultramar, Angola era um Éden… para os brancos…os pretos formavam uma mão de obra baratíssima, eram dóceis e ignorantes. Os lucros, esses, avultadíssimos….

          1. Exactamente como cá, a diferença era que os pobres lá eram pretos e cá eram brancos. As divisões sociais faziam-se mais pelo peso da bolsa do que pela côr da pele. Quanto à educação, as incorporações militares que como deve saber eram feitas de acordo com as então chamadas “habilitações literárias”, não enganavam, os cursos de sargentos e oficiais, mas principalmente os de sargentos, tinham cada vez mais africanos. Se eles estudavam nas missões, nos Liceus ou nas Escolas Comerciais e Industriais, isso já não sei. O que eu sei, é que eram cada vez mais a aparecer com os antigos 5º e 7º ano. Exactamente como cá.
            Há poucos dias vi, creio que na RTP2, um programa sobre os estudantes africanos que frequentaram a antiga Casa do Império em Lisboa, de onde saíram muitos elementos que mais tarde fizeram parte das cúpulas do MPLA e de outros chamados movimentos de libertação. Eram práticamente todos pretos e depois de fazerem o Liceu no Salvador Correia em Luanda, vieram para cá frequentar a Universidade. Todas essas pessoas fizeram o liceu em Angola nos anos 50.
            Para terminar: vivi numa cidade fantástica que se chamava Nova Lisboa, e num determinado período partilhei um apartamento com outros “camaradas de armas” num prédio com vários andares onde os únicos brancos éramos nós e um casal de velhotes. Todos os outros apartamentos estavam ocupados por famílias de africanos, que faziam parte de uma burguesia africana que era cada vez mais numerosa. As coisas eram o que eram e não há propaganda nem preconceito que as apague. Quanto ao seu primo do ministério do Ultramar, se calhar nunca lá pôs os pés.

          2. Engana-se. Geria uma exploração agrícola….militante do PSD e muito bem relacionado…de campo de Ourique…aos fins de semana bridge e bilhar…engana-se, meu caro….

        2. “Vivi em Angola entre Janeiro de 1972 e meados de 1975, por isso posso afirmar que o que você escreveu, é mesmo um achismo.”
          Viver onde quer que seja não permite filosofar. Não basta viver lá. Exemplo: eu vivi em Angola de 1950 a 1953 e tenho uma opinião completamente diferente da sua. Mas fica só para mim enquanto não estudar melhor o problema.

          1. Pois deve ter, apesar de tudo 20 anos fazem a diferença. Até aqui em Portugal, a vida das pessoas era muito diferente no principio dos anos 50 e 20 anos depois.Portanto se viveu em Angola em 1953 não sabe o que é que lá se passava em 1974, e estudar o problema serve-lhe de pouco 40 e tal anos depois.

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