![image[1].jpg image[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2017/20148338_zaLr7.jpeg)
A Escada de Istambul, de Tiago Salazar
Romance
(edição Oficina do Livro, 2016)
“Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990”
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A Escada de Istambul, de Tiago Salazar
Romance
(edição Oficina do Livro, 2016)
“Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990”
Curiosamente, já olhei para o livro, nunca porém tendo folheado e vasculhado o interior, por causa do seu cariz de “romance histórico”, mas já lá vamos.
Do Tiago Salazar, comprei um belo livro dele aqui há uns tempos atrás, o “Quo Vadis Salazar?” de que gostei e gosto muito de revisitar quando ocasionalmente passo por ele. Julgo que é uma compilação de escritos/crónicas do “exílio”. O autor escreve muito bem.
Voltando ao livro em questão, eu tenho um problema com os romances históricos, e quando digo, tenho um problema, assumo que o problema é mesmo meu e não dos livros, entenda-se. Como em devido tempo eu não estudei convenientemente a história (e isso é outra história que para aqui não é chamada), tenho muitas lacunas, que só agora, tardiamente, com mais idade e por isso, com menos tempo paras o efeito, tenho vindo a colmatar, e tento fazê-lo com recurso a autores historiadores. Sempre que me deparo com a possibilidade e curiosidade de ler um romance histórico, fico com dúvidas se devo fazê-lo ou não porque, não sendo o autor (na maioria, senão na totalidade dos casos dos romances históricos, os seus autores não são historiadores, e estou a lembrar-me de uma excepção, Umberto Eco) um historiador, fico sempre com a ideia de que irei ler referências históricas, eventualmente, imprecisas ou mesmo erradas do ponto de vista factual, sem que eu próprio tenha o conhecimento de as avaliar e identificar como tal. Ora sinto que ao fazê-lo estou desta forma a deturpar o meu já muito débil conhecimento da história. Se calhar é um exagero meu.
Que pensa sobre isto caro Pedro, do facto de os romances históricos misturarem a história e a ficção de tal forma que para um leitor ávido mas não sedimentado na construção do seu conhecimento histórico não identificar minimamente as fronteiras entre ambos?
Ainda há pouco li um romance histórico de que gostei muito: ‘Spartacus’, de Howard Fast. Além da escrita, e do enredo, e da mensagem, permitiu-me também conhecer bastante mais daquela importante época histórica, a da Roma pré-cristã.
Por isso, Vítor, sugiro-lhe que encare a questão de uma óptica inversa: pense sobretudo naquilo que um romance deste género possa ensinar-lhe para suprimir as suas lacunas históricas (e todos nós as temos) e encare isso como uma mais-valia. Que permite somar História (com agá maiúsculo) à história (romanesca).