Entristece-me – suponho que já por aqui o referi – a opção por declarações como esta, em que se invoca uma “grafia antiga”. É que isso parece significar a aceitação de que há uma nova e legítima, optando o autor por utilizar uma outra que reconhece obsoleta, em desuso, ultrapassada, revogada. Casos há em que essa declaração parece significar um pedido de licença, de desculpa, para e por tal facto.
Ora essa “grafia antiga”, todos o sabemos (todos, até os seguidores da aberração que por aí grassa, ilegalmente imposta para lá de toda a miséria cultural e científica que encerra e propaga), é afinal a correcta.
Aprecio a referência, logo ao início de qualquer obra, ao facto dela estar redigida (ou impressa…) em português decente ou pervertido. Poupa-me o trabalho de folhear um livro procurando a palavra reveladora e que me levará a considerar a sua aquisição ou a logo o abandonar.
Mas não há que pedir licença e desculpa, ou reconhecer de forma mais ou menos implícita o uso de algo imbecilmente declarado anacrónico, ao rejeitar o crime cultural (entre outros) em que este país foi lançado.
Basta afirmar, sendo educado e sucinto, que não se segue o AO90.
Compreendo a sua objecção, caro Costa. Mas a advertência em causa acaba por inscrever-se naquilo a que chamamos mal menor. E não deixa de ser uma informação útil aos leitores. A formulação podia ser diferente, claro. Mas a mensagem passa, como uma declaração de resistência activa, não passiva. Isso é o que importa acima de tudo.
Também compreendo, e até posso concordar, com a posição do comentador Costa. Porém, e de facto, neste caso, mais do que a «forma», conta o conteúdo. Cada autor é (suponho eu!) livre de indicar a sua não submissão ao AO90 da maneira que entender. E nem todos s(er)ão tão «radicais» quanto eu, que, no meu penúltimo livro, «Q – Poemas de uma Quimera», coloquei na ficha técnica o seguinte: «O autor não respeita o ilegítimo, ilegal, indigno e inútil “Acordo Ortográfico de 1990”, e incentiva os leitores a fazerem o mesmo.»
Sim, cada qual tem o seu estilo. Há aqueles autores que preferem não inserir advertência alguma, outros fazem questão de a deixar de forma bem clara. Há ainda outros que, por publicarem em editoras onde a regra é manter a regra anterior ao AO90, dispensam tal advertência por ser pleonástica nesse contexto. Acontece em editoras como a Guerra & Paz (também “minha” editora), Planeta, Alfaguara, Antígona, Gradiva, Alêtheia, Sistema Solar, Objectiva, Saída de Emergência, Cavalo de Ferro, E-Primatur, Bizâncio, Topbooks e Tinta da China, por exemplo).
Cada autor é livre de o indicar como entender, isso está rigorosamente fora de questão. Sinto apenas certa tristeza quanto à forma algo timorata como algumas dessas indicações parecem ser feitas (definitivamente não no seu caso).
Eu gosto desta fórmula seca e sintética: “Por opção da autora, este texto não foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990.” Também aprecio a opção da editora Saída de Emergência: “Este livro não segue as normas do novo acordo ortográfico.”
Devo fazer (pelo menos) duas ressalvas à lista que apresentou acima, Pedro, e começando precisamente pela Saída de Emergência: esta editora «acordiza» há já alguns (talvez cinco) anos todos os livros estrangeiros que traduz e publica, e as excepções, a haver (como o do mais recente livro de António de Macedo), encontram-se entre os autores nacionais do catálogo daquela; e a Gradiva, que, devido a recentes «viagens literárias» que patrocinou ao Vaticano e a Marte e em que se procedeu – quiçá para diminuir o peso da «bagagem» – ao corte de consoantes, já não é tão exemplar neste âmbito como antes.
Pior foi o caso da Relógio d’ Água, que tardou em abraçar o acordês mas parece tê-lo feito convictamente. São raros os livros desta editora agora lançados sem se submeterem à mutilação de consoantes. Leitor fiel eu era, leitor fiel deixei de ser.
Quanto à RdA eu diria que o caso tem mais a ver com outra palavra começada por «c»: cobardia. À imagem e semelhança, aliás, do seu fundador e editor.
Na altura questionei FV sobre a mudança. Respondeu-me algo do género “se não podes vencê-los junta-te a eles” (a frase não foi esta mas a ideia foi). Confesso que fiquei muito decepcionado. Por ser uma editora de que era cliente há longos anos e ter uma qualidade acima da média.
Entristece-me – suponho que já por aqui o referi – a opção por declarações como esta, em que se invoca uma “grafia antiga”. É que isso parece significar a aceitação de que há uma nova e legítima, optando o autor por utilizar uma outra que reconhece obsoleta, em desuso, ultrapassada, revogada. Casos há em que essa declaração parece significar um pedido de licença, de desculpa, para e por tal facto.
Ora essa “grafia antiga”, todos o sabemos (todos, até os seguidores da aberração que por aí grassa, ilegalmente imposta para lá de toda a miséria cultural e científica que encerra e propaga), é afinal a correcta.
Aprecio a referência, logo ao início de qualquer obra, ao facto dela estar redigida (ou impressa…) em português decente ou pervertido. Poupa-me o trabalho de folhear um livro procurando a palavra reveladora e que me levará a considerar a sua aquisição ou a logo o abandonar.
Mas não há que pedir licença e desculpa, ou reconhecer de forma mais ou menos implícita o uso de algo imbecilmente declarado anacrónico, ao rejeitar o crime cultural (entre outros) em que este país foi lançado.
Basta afirmar, sendo educado e sucinto, que não se segue o AO90.
Costa
Compreendo a sua objecção, caro Costa. Mas a advertência em causa acaba por inscrever-se naquilo a que chamamos mal menor. E não deixa de ser uma informação útil aos leitores.
A formulação podia ser diferente, claro. Mas a mensagem passa, como uma declaração de resistência activa, não passiva. Isso é o que importa acima de tudo.
Também compreendo, e até posso concordar, com a posição do comentador Costa. Porém, e de facto, neste caso, mais do que a «forma», conta o conteúdo. Cada autor é (suponho eu!) livre de indicar a sua não submissão ao AO90 da maneira que entender. E nem todos s(er)ão tão «radicais» quanto eu, que, no meu penúltimo livro, «Q – Poemas de uma Quimera», coloquei na ficha técnica o seguinte: «O autor não respeita o ilegítimo, ilegal, indigno e inútil “Acordo Ortográfico de 1990”, e incentiva os leitores a fazerem o mesmo.»
Sim, cada qual tem o seu estilo. Há aqueles autores que preferem não inserir advertência alguma, outros fazem questão de a deixar de forma bem clara.
Há ainda outros que, por publicarem em editoras onde a regra é manter a regra anterior ao AO90, dispensam tal advertência por ser pleonástica nesse contexto. Acontece em editoras como a Guerra & Paz (também “minha” editora), Planeta, Alfaguara, Antígona, Gradiva, Alêtheia, Sistema Solar, Objectiva, Saída de Emergência, Cavalo de Ferro, E-Primatur, Bizâncio, Topbooks e Tinta da China, por exemplo).
Cada autor é livre de o indicar como entender, isso está rigorosamente fora de questão. Sinto apenas certa tristeza quanto à forma algo timorata como algumas dessas indicações parecem ser feitas (definitivamente não no seu caso).
Apenas isso.
Costa
Eu gosto desta fórmula seca e sintética:
“Por opção da autora, este texto não foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990.”
Também aprecio a opção da editora Saída de Emergência:
“Este livro não segue as normas do novo acordo ortográfico.”
Devo fazer (pelo menos) duas ressalvas à lista que apresentou acima, Pedro, e começando precisamente pela Saída de Emergência: esta editora «acordiza» há já alguns (talvez cinco) anos todos os livros estrangeiros que traduz e publica, e as excepções, a haver (como o do mais recente livro de António de Macedo), encontram-se entre os autores nacionais do catálogo daquela; e a Gradiva, que, devido a recentes «viagens literárias» que patrocinou ao Vaticano e a Marte e em que se procedeu – quiçá para diminuir o peso da «bagagem» – ao corte de consoantes, já não é tão exemplar neste âmbito como antes.
Pior foi o caso da Relógio d’ Água, que tardou em abraçar o acordês mas parece tê-lo feito convictamente. São raros os livros desta editora agora lançados sem se submeterem à mutilação de consoantes.
Leitor fiel eu era, leitor fiel deixei de ser.
Quanto à RdA eu diria que o caso tem mais a ver com outra palavra começada por «c»: cobardia. À imagem e semelhança, aliás, do seu fundador e editor.
Na altura questionei FV sobre a mudança. Respondeu-me algo do género “se não podes vencê-los junta-te a eles” (a frase não foi esta mas a ideia foi).
Confesso que fiquei muito decepcionado. Por ser uma editora de que era cliente há longos anos e ter uma qualidade acima da média.
Este livro nem sabia existir…
Atraso dos correios…?
Tanta editora num País com elevado grau de analfabetismo funcional e em que muito pouco se lê (exceptuamos as sms).
De resto, e como sempre, posts úteis.
Cumprimentos.
hahahahahaahahahahahahah…
hahahaahahahahahahahahahahahahh…
hahhaahahahahhaahahahhhhahhahahahah..
obrigado.