Alberto João Jardim, com a sua habitual verborreia demagógica, definiu em mais de um comício da campanha eleitoral que hoje termina na Madeira aquele que considera o seu adversário actual: o Governo da República, a quem pretende dar “uma sova” nas urnas já este domingo. “Se dermos uma sova ao Governo e aos poderes políticos de Lisboa, eles nunca se atreverão a tentar humilhar o povo madeirense”, proclamou o líder madeirense, bem fiel ao seu estilo.
Jardim equivoca-se: quem vai ser avaliado pelos eleitores madeirenses é o seu Governo e mais nenhum. Da comparação entre os 64,2% que obteve nas eleições regionais de 2007 e o resultado que obtiver agora será possível concluir se conquistou ou perdeu apoio popular numa terra que dirige ininterruptamente desde 1978 — recorde na Europa, onde a regra é a rotação dos titulares dos órgãos políticos de natureza executiva.
Quer renove ou não a maioria de que dispõe na Assembleia Legislativa Regional, num aspecto Jardim já perdeu: ao transformar esta campanha num plebiscito implícito às medidas de austeridade impostas a Portugal pelas instituições internacionais, parte derrotado. Porque o memorando de entendimento não é referendável e os 6,3 mil milhões de euros que a Madeira mantinha como dívida oculta lhe retiram qualquer margem de manobra à mesa de negociações — seja em Lisboa, seja em Bruxelas. A violação de normas de execução orçamental não tem apenas custos financeiros: tem também custos políticos. Alguns dos quais irreversíveis.
Por isso, seja qual for o veredicto das urnas, é garantido desde já que a Madeira iniciará dia 10 um novo ciclo. De maior dependência, de maiores restrições, de maior penúria. Nada será como até aqui.
Esta é a “sova” de que Jardim não fala. Mas nenhuma outra se divisa no horizonte.


Muito bem, compadre. É que é mesmo isso.
Sobre a Madeira não pode haver posições ambíguas, compadre. De forma alguma.
Curioso: um soba a querer dar uma sova…
Sova seria perder a maioria absoluta de que sempre desfrutou, o que pode muito bem acontecer.
Bem escrito, Pedro. O soba já tem sova…
Garantida, João. Garantida.
Deus o oiça, já está na hora desse sr. baixar a crista. É duma petulância desmedida. Já não se aguenta ver os noticiários destas últimas semanas. Cansa, e … indispõe mesmo.
Tem razão: já cansa.