Sorolla em Lisboa


Diogo Novo,

Joaquín Sorolla (1863-1923) é um nome maior da pintura espanhola, celebrizado pela reprodução magistral da luz nas praias mediterrânicas. A luminosidade, na sua infinita complexidade, e os reflexos tortuosos do brilho são retratados com uma qualidade fotográfica que não se limita ao real e apela à imaginação.

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Corriendo por la playa (Valência, 1908)

 

São igualmente admiráveis os retratos por ele traçados, uns por agradecimento a mecenas, outros por curiosidade, e outros por profunda ternura e amor – Clotilde García del Castillo, mulher de Sorolla, é uma constante nas várias fases do trabalho do pintor. Ficou para a História o retrato de D. Alfonso XIII, pintado ao ar livre na lindíssima Granja de San Ildefonso, na província de Segóvia. O monarca não é de boa memória – cedeu o passo a Primo de Rivera e enterrou o regime da Restauración –, mas o quadro é dos mais emblemáticos da época.

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Retrato del Rey Don Alfonso XIII con el uniforme de husares de Pavía (Segóvia, 1907) e fotografia do processo de pintura.

 

Não tenho especial sensibilidade ou apetência por artes plásticas, mas o fascínio pela obra de Sorolla já me fez correr meia Espanha e, naturalmente, levou-me ao Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, à exposição “Terra Adentro”, a primeira monográfica do pintor em Portugal. O acervo exposto é menos célebre, porque mais telúrico. É, ainda assim, uma mostra a não perder: está bem organizada, a escolha das obras é cuidada e inteligente. Permite conhecer algumas das fases do prolífico Sorolla, pintor inexplicavelmente desconhecido por estas paragens.

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(os quadros são notáveis, o fotógrafo é que nem por isso)

 

Para saber mais sobre Sorolla e sobre esta monográfica, que pode ser visitada até ao dia 31 de Março, recomendo a leitura deste artigo no Público e de este outro no Babélia, o suplemento cultural do jornal El País, escrito por Antonio Muñoz Molina.

 

Post Scriptum – lamento a demissão da direcção do Museu Nacional de Arte Antiga, cujo desempenho foi francamente positivo. A direcção cessante não pedia mais dinheiro, apenas mais autonomia. Parece que o Governo de turno, que se arroga o direito de definir o que é civilização e cultura, pretende dar continuidade a lógica omnipresente e omnipotente (e fortemente subsidiada) da gestão centralizada.

0 comentários em “Sorolla em Lisboa”

    1. Tem toda a razão, Luís. Falha minha. Eles (director e director-adjunto) manifestaram, de forma pública e sonora, a sua absoluta indisponibilidade para serem reconduzidos em funções (que desempenharam de forma francamente positiva) por se encontrarem em profundo desacordo com a política do Governo para os museus.

  1. A minha mulher já me recomendou esta exposição. Mas confesso que este tipo de pintura, deveras antiquada, me desagrada.

      1. Sobre ii) nada avanço, não ponho em causa mas não será uma opinião avulsa que me permitirá uma opinião taxativa. Agora sobre i)? Estou completamente de acordo …

  2. A primeira pintura parece muito boa, as cores e iluminação.Ok a partir de um .jpg de baixa resolução num ecran de computador…

  3. Descobri Sorolla em Madrid aquando de recente estadia e, vivamente recomendo uma visita à sua Casa Museu, onde além das pinturas poderão também ser admirados os belos frescos da sua autoria aplicados nas paredes da sala de jantar, assim como o pátio Andaluz e os jardins com esculturas da autoria da filha de Sorolla, assim como um variado acervo de elevado valor artístico. Fica na General Martinez Campos,37 com entradas livres aos Sábados e Domingos das 14:00 / 20:00. Está fechado às 2as. feiras.

  4. Texto interessante e boas ilustrações: um bonito postal.

    Diogo, peço desculpa pela pergunta fora de contexto, mas como nem sempre tenho disponibilidade para acompanhar o DO aproveito o aqui e agora para tentar saber se já terá publicado o episódio 5 da mochila etíope.

    1. Obrigado, Sarin. Quanto ao último postal da série sobre a Etiópia: está pendurado – outros textos para outras plataformas e publicações têm assumido prioridade. Mas não está esquecido. Agradeço o seu interesse.

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