Solidariedade (2)


josegomesandre,

Aqui há dias, o Jorge Assunção falava das práticas caridosas do nosso Estado, disposto a esbanjar dois milhões de euros num generoso subsídio para manter Tiago Monteiro na Fórmula Um. Pois bem, para acreditarmos que Portugal ainda não é uma República das Bananas (às vezes parece), o Tribunal de Contas considerou ilegal a atribuição desta verba (canalizada pela Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto) para manter o piloto português na F1. Pelo meio, ficamos também a saber que a Secretaria de Estado do Desporto atribuiu a Tiago Monteiro um milhão de euros para promover uma tal "Marca Portugal", numa competição onde o referido piloto nem chegou a participar. Um verdadeiro regabofe…

13 comentários em “Solidariedade (2)”

      1. Está arrematado, fica um fifty-fifty. Podemos começar por promover o cozido à portuguesa e as sardinhas assadas, que a gastronomia é o nosso melhor cartão de visita e para esse efeito o galo é muito duro! 🙂

  1. Pelos vistos o assunto estava apalavrado desde o governo de Santana Lopes (assim, me recordo deste caso). Isto não retira responsabilidades a quem o pôs em prática. Uma tontice sem ponta por onde se lhe pegue, como já comentei num post do Jorge Assunção “Solidariedade”
    Vrrruuummm

    :)))

    1. Isto não é uma questão partidária (tipo “a culpa é do Santana ou do Sócrates”). É um exemplo da estupidez do “capitalismo de Estado” que grassa por terras lusas. Esbanjar dinheiros públicos já é um lema nacional. Cumprimentos, minha cara amiga!

      1. Desculpe, não estou de acordo, também é uma questão partidária sim. Porque se por um lado se reclamam muito liberais e coisa e tal – PSL,- quando há amigos pelo meio arranjam logo forma de contornar o liberalismo. Por outro lado o governo de Sócrates tinha mais era que mandar tudo às urtigas, em nome do decoro. Só que neste Portugal, são todos tios e tias primos e primas, amigos de amigos, e não vamos agora estragar a festa ao rapaz que já tinha tudo aprazado com o Santana. Ora vão-se todos é catar, os interesses sobrepõem-se e convergem sempre no centrão .

  2. Caro José Gomes André:
    A propósito deste seu post e porque já só muito tarde vi o do Jorge Assunção relacionado com o mesmo tema, venho dizer o seguinte, começando por fazer a “declaração de interesses” que segue:

    Não sou advogado do Tiago Monteiro (TM) (que só conheço de vista das corridas e da imprensa especializada), não estou por ele mandatado para o defender ou representar por qualquer forma, (nem creio que ele precisasse dos meus serviços nesse sentido), pelo que os pontos de vista que aqui irei defender, não passarão disso mesmo: – uma visão pessoal acerca do muito que aqui já se escreveu sobre este assunto.

    Esclarecido isto, direi no entanto que sou – isso sim – desde muito novo, um grande aficionado do desporto automóvel, que sigo com grande paixão e interesse e, como tal, gosto de ver os nossos melhores pilotos, (dos quais, sem qualquer espécie de dúvida, se destaca o TM), a representarem condignamente o nosso país cá, e além fronteiras.

    Tenho vindo a constatar, no entanto, que por razões que nada tem a vem com o mérito da carreira desportiva do TM (mas sim com um subsídio de dois milhões de euros para disputar as épocas de F1 de 2005 e 2006 que lhe terá sido atribuído e que o T. Contas agora considera ter sido ilegal) pessoas que, decerto, nada sabem acerca do automobilismo de competição, deram em começar a fazer comentários pouco correctos acerca do valor deste piloto que, repito, é um dos nossos melhores de todos os tempos. Só quem nunca acompanhou nem sabe nada acerca da sua carreira, pode escrever, como o fez o Jorge Assunção «porque esse mesmo Estado que ajuda desportistas medíocres em desportos de elite…». Chamar medíocre a um desportista da craveira do TM, é comentar sem conhecimento de causa e de quem nada sabe acerca do desporto automóvel ou pura e simplesmente não gosta da modalidade. Esta questão, portanto, divide-se essencialmente em dois pontos, a saber:

    1º) O primeiro tem a ver com legalidade ou ilegalidade do subsídio (ou ajuda, ou lá o que seja…) estatal dado ao piloto, para correr em 2 épocas em F1, que para quem conhece minimamente os valores envolvidos nesta altíssima competição, só pode ser considerado quase irrisório e que, como não podia deixar de ser, só dava mesmo para militar nas mais fraquinhas das equipas em actuação nessas dois anos, como era o caso da «Jordan» na primeira delas e também o da «Midland», que lhe sucedeu no ano seguinte. Se o referido subsídio é legal ou ilegal, isso por certo nada tem a ver com o TM nem isso pode de maneira alguma, a meu ver, interferir com a apreciação sobre o valor da sua carreira como piloto e é isto que, repetidamente, tem vindo aqui a ser confundido.

    2º) É claro que já se percebeu, que o que toda a gente gostaria era de ver um Michael Schumacher(MS) ou um Ayrton Senna(AS) instantâneos, feitos logo na primeira época na modalidade, a pilotar um dos piores carros do pelotão. Aí todos bateriam palmas e Portugal seria o maior. Mas infelizmente, não é assim que as coisas acontecem e, nem nesta modalidade nem em nenhuma outra há milagres, e também nenhum daqueles dois ases o teria sido se, de qualquer forma não tivessem sido ajudados. Se MS tivesse permanecido também na Jordan e na Benetton e AS na Toleman, equipas de baixo desempenho por onde começaram na F1, decerto que nenhum deles teria ascendido ao estrelato de galácticos que tiveram. Tudo tem, pois, o seu começo, e não podemos considerar medíocres todos aqueles que não atingem essa dimensão planetária. Também, por certo, o agora também galáctico e adorado Cristiano Ronaldo não teria passado da cepa torta, se tivesse sempre continuado nos “Andorinhas da Madeira” e se alguém algum dia não tivesse reparado nele, dando-lhe a mão. Ademais, convém lembrar que o TM disputa já pelo 3º ano consecutivo numa equipa de fábrica o mundial de turismos FIA (WTCC) com um assinalável desempenho, sendo que esta é a modalidade com maior exposição mediática a seguir à F1 e que estes volantes não são propriamente postos pelos fabricantes à disposição de pilotos «medíocres», uma vez que investem milhões para que lhes seja feita uma publicidade eficaz.
    Só para finalizar, gostaria de esclarecer um último ponto: afinal são 2 ou 3 milhões de euros? É uma diferença de 50%…
    Um Abraço.

    1. Caro Luís,

      “pessoas que, decerto, nada sabem acerca do automobilismo de competição, deram em começar a fazer comentários pouco correctos acerca do valor deste piloto que, repito, é um dos nossos melhores de todos os tempos”

      Dos nossos não é difícil dado o historial que temos na modalidade. Quando à qualificação de medíocre, mantenho-a. É subjectiva, certamente. Mas mantenho-a da mesma forma que posso aplicar o mesmo termo a uma equipa de futebol como o Leixões (ou mesmo ao meu Benfica quando comparado a um Real Madrid). E confesso que várias vezes o faço e nunca por isso afirmaram que eu pouco sabia sobre futebol, apesar do Leixões ter sido campeão da segunda liga. Estou a sobrevalorizar o sucesso (entenda-se: boa qualificação no campeonato de F1), o que pode ser injusto numa modalidade onde o sucesso está dependente de outros méritos que não só o do piloto? Sim, isso posso aceitar. Mas a qualificação que atribuí ao Tiago Monteiro, como concordará, é acessória no caso (aliás, também parece ser isso que pretende expor com este comentário e se do meu post depreende-se o contrário, fui mal interpretado).

      “quem conhece minimamente os valores envolvidos nesta altíssima competição, só pode ser considerado quase irrisório”

      Não interessa se o valor é irrisório para a modalidade, dai eu também ter apelidado a modalidade como “de elite”, qualificação também ela discutível. O que importa é se justifica-se usar esse dinheiro do contribuinte português para apoiar um único desportista.

      “interferir com a apreciação sobre o valor da sua carreira como piloto e é isto que, repetidamente, tem vindo aqui a ser confundido.”

      Para que fique claro, caro Luís. O subsidio de 2 milhões podia ser para o melhor jogador de futebol do mundo que eu continuaria contra.

      “É claro que já se percebeu, que o que toda a gente gostaria era de ver um Michael Schumacher(MS) ou um Ayrton Senna(AS)”

      Se um desportista desses custar 2 milhões de euros aos contribuintes, pode ter a certeza que não gostaria. Se o Michael Schumacher fosse português, também não devia ter direito aos 2 milhões.

      “Se MS tivesse permanecido também na Jordan e na Benetton e AS na Toleman, equipas de baixo desempenho por onde começaram na F1, decerto que nenhum deles teria ascendido ao estrelato de galácticos que tiveram.”

      Mas nenhum deles para ascender precisou do apoio estatal de 2 milhões, pois não? E se algum precisou, problema dos contribuintes dos seus países. De resto, também o tipo que faz racing na ponte Vasco da Gama podia, em potencial, ser um Schumacher ou um Senna. O Luís pode até achar que Tiago Monteiro tinha potencial para ser um “galáctico”, mas (ainda) não foi.

      “Também, por certo, o agora também galáctico e adorado Cristiano Ronaldo não teria passado da cepa torta, se tivesse sempre continuado nos “Andorinhas da Madeira” e se alguém algum dia não tivesse reparado nele, dando-lhe a mão.”

      Mas não foi o contribuinte a dar-lhe a mão. Da mesma forma que Michelle Brito vai, muito provavelmente, ser uma das melhores tenistas mundiais (não é uma das “nossas” melhores tenistas, é uma das melhores do mundo) e não precisou (nem precisará) de qualquer apoio estatal para isso.

      Um abraço.

      1. Caro Jorge,
        Está visto que estamos em posições diametralmente opostas em relação ao valor desportivo do Tiago Monteiro, mas o que é verdadeiramente importante é que cada um de nós tenha exposto os seus pontos de vista de uma maneira franca, civilizada e cordial como é, de um modo geral, timbre deste espaço de discussão. Só isso, já me deixa bastante contente, acredite!
        Um abraço.

        1. “Está visto que estamos em posições diametralmente opostas em relação ao valor desportivo do Tiago Monteiro”

          Se calhar não estaremos tanto quanto isso, caro Luís. Eu dou algum valor ao Tiago Monteiro, mas quando escrevi o post, medíocre pareceu-me a palavra certa para descrever um desportista cuja presença na fórmula um passou sem grande impacto (tirando o recorde de grandes prémios disputados sempre a cortar a meta e o pódio nos EUA com as condicionantes que se conhecem). Servia também, de certa forma, como provocação, o que pelos vistos teve algum resultado… 😉

          Confesso que na altura fiz frequentemente a defesa de Tiago Monteiro exactamente com base no pressuposto que a equipa era fraca e que entre ele e o seu colega de equipa, especialmente no que ao primeiro ano diz respeito, foi o Tiago quem teve os melhores resultados. Mas também não deixa de ser verdade que quando TM não renova para terceiro ano, não foi necessariamente por falta de apoio financeiro, mas também porque a sua segunda época foi decepcionante (e na WTCC, convenhamos que os seus resultados não tem sido propriamente brilhantes).

          Quanto à discussão “franca, civilizada e cordial”, não só acredito, como não podia concordar mais. 🙂

          Um abraço.

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